Representações do bitcoin — Foto: Erling Løken Andersen/Unsplash

A sexta-feira (6) começou com o mercado global em modo defensivo. O sell-off em tecnologia, somado à preocupação com a sustentabilidade do rali em IA e commodities, elevou a aversão ao risco. Nesse cenário, o Bitcoin chegou a cair até a faixa de US$ 60 mil, mas depois reagiu e voltou a operar acima de US$ 65 mil.

Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a queda inicial do BTC acompanhou o movimento típico de “risk-off”, quando investidores reduzem exposição a ativos mais voláteis. “A pressão sobre ações e cripto reflete o realinhamento de posições em um mercado que ficou muito concentrado em tecnologia e IA”, avalia.

Bitcoin hoje: do susto aos US$ 60 mil ao repique

O BTC testou mínimas na casa de US$ 60.000 e, em seguida, recuperou terreno, chegando a avançar cerca de 3% acima de US$ 65.000. Para André Franco, essa recuperação tem cara de ajuste técnico: “O repique sugere recompras oportunistas. Traders aproveitaram a volatilidade para recompor posições em cripto”.

Com o Bitcoin ao redor de US$ 64.800, o especialista define o viés de curtíssimo prazo como neutro a levemente positivo, mas com cautela.

Por que tecnologia “puxou” o Bitcoin para baixo

A correção ganhou tração com o receio de que novos modelos de IA possam reduzir margens de empresas de software, o que acelerou a rotação de carteira em bolsas globais. “Quando o mercado começa a questionar o prêmio embutido em tecnologia, a aversão ao risco transborda para outros ativos, e o Bitcoin entra no pacote”, explica Franco, da Boost Research.

Em outras palavras: mesmo com narrativa própria, o BTC ainda responde ao humor do mercado de risco.

O que limita uma alta mais firme no curto prazo

Apesar da reação, o pano de fundo segue sensível. “O contexto macro ainda é de cautela, com pressão em ações e investidores evitando risco. Isso pode limitar movimentos altistas mais consistentes para o Bitcoin no curtíssimo prazo”, diz André Franco.

Na leitura do CEO da Boost Research, o cenário mais provável é de consolidação, com tentativas de recuperação em ondas curtas.

O que pode destravar (ou travar) o próximo movimento

Para o Bitcoin emplacar uma alta mais sustentável, o mercado vai buscar sinais claros de estabilização em tecnologia e melhora de liquidez. “Se houver estabilização dos mercados de risco ou retorno de fluxos para cripto, o BTC pode esticar recuperações técnicas”, afirma Franco.

Por outro lado, se o estresse em bolsas continuar, o Bitcoin pode voltar a testar suportes recentes.