Veja o resumo da noticia
- O governo brasileiro está avaliando o acordo comercial entre EUA e Argentina devido a possíveis conflitos com as regras do Mercosul.
- Diplomatas brasileiros analisam o acordo para verificar se ele ultrapassa os limites permitidos para negociações bilaterais no Mercosul.
- O Mercosul restringe acordos individuais com países terceiros para preservar o poder de negociação do bloco como um todo.
- A Argentina obteve autorização para ampliar o número de exceções à Tarifa Externa Comum em meio às tensões comerciais globais.
- Autoridades brasileiras avaliam que o acordo pode abranger cerca de 200 itens, um número superior ao que foi autorizado.

O governo brasileiro avalia o acordo comercial anunciado na semana passada entre os Estados Unidos e a Argentina diante de preocupações de que o pacto possa contrariar as regras do Mercosul. A informação foi confirmada por fontes com conhecimento direto do tema.
No Brasil, diplomatas analisam o documento divulgado por Washington na última sexta-feira para verificar o alcance das medidas acordadas.
Segundo interlocutores, uma leitura preliminar indica que o acordo pode ultrapassar os limites permitidos para negociações bilaterais dentro do bloco sul-americano.
O Mercosul impõe restrições à assinatura de acordos comerciais individuais com países terceiros como forma de preservar o poder de negociação conjunto.
Ainda assim, em meio às tensões comerciais globais no ano passado, a Argentina obteve autorização para ampliar temporariamente o número de exceções à Tarifa Externa Comum do bloco.
Brasil e Argentina
Na ocasião, Brasil e Argentina receberam autorização para até 150 exceções tarifárias cada, enquanto Uruguai e Paraguai tiveram cotas maiores.
Questionado sobre o novo acordo, um funcionário do governo argentino afirmou que as reduções tarifárias anunciadas para produtos dos EUA estariam dentro do limite permitido.
Autoridades brasileiras, no entanto, avaliam que o pacto pode abranger cerca de 200 itens, número superior ao autorizado.
“Estamos analisando isso com muito cuidado para que possamos ser justos”, afirmou uma das fontes envolvidas nas discussões.
Os governos do Brasil e do Uruguai preferiram não comentar o tema. Já os ministérios das Relações Exteriores de Paraguai e Argentina, assim como o Departamento de Estado dos Estados Unidos, não responderam aos pedidos de posicionamento até o momento.