Veja o resumo da noticia

  • Estudo do Ipea avalia o impacto da redução da jornada para 40 horas semanais e aponta aumento médio de 7,84% no custo do trabalho CLT.
  • A pesquisa compara o impacto com reajustes do salário mínimo, indicando que a maioria das empresas pode absorver a mudança sem grandes prejuízos.
  • Atualmente, 31,8 milhões de trabalhadores CLT atuam em jornadas de 44 horas semanais, impactando diversos setores da economia.
  • Setores como fabricação de alimentos e comércio atacadista teriam impacto mínimo, enquanto limpeza e vigilância seriam mais afetados.
  • Empresas podem aumentar a produtividade ou contratar mais trabalhadores para compensar o aumento do custo da hora de trabalho.
  • O estudo compara o cenário atual com aumentos do salário mínimo nas últimas décadas, sem efeitos negativos no emprego.
  • A pesquisa sugere que a maioria dos setores pode absorver a mudança, tornando a reforma trabalhista economicamente viável.
Foto gerada por IA
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O Ipea divulgou um estudo importante nesta terça-feira (10). Portanto, avaliou o impacto da redução da jornada para 40 horas semanais. Segundo o instituto, o aumento do custo médio do trabalho CLT seria de 7,84%.

O estudo compara o impacto com aumentos do salário mínimo. Assim, os autores argumentam que a maioria das empresas conseguiria absorver a mudança. Consequentemente, não haveria grandes prejuízos para o setor produtivo.

“Os custos seriam similares aos reajustes históricos do salário mínimo”, afirma o Ipea. Portanto, o mercado de trabalho tem capacidade de absorver a medida. Além disso, o resultado ponderado indica efeitos reduzidos nos custos totais.

Números do mercado atual

Atualmente, 31,8 milhões dos 44 milhões de trabalhadores CLT trabalham 44h semanais. Assim, os dados vêm da Rais de 2023. Portanto, a mudança afetaria uma parcela significativa dos trabalhadores.

Em 31 dos 87 setores econômicos analisados, mais de 90% trabalham acima de 40h. Dessa forma, esses setores seriam os mais impactados. No entanto, o impacto varia entre as atividades.

Setores menos afetados

Grandes empregadores como a fabricação de alimentos registrariam impacto mínimo. Assim, o custo aumentaria menos de 1% nesses segmentos. Além disso, o comércio atacadista e de veículos também teria baixo impacto.

Cerca de 10 milhões de vínculos estão em setores mais sensíveis. Portanto, nesses casos, o aumento supera 3% do custo total. Além disso, aproximadamente 3 milhões enfrentam impacto superior a 5%.

Indústria e serviços

O impacto na indústria seria menor que 1% do custo operacional. Assim, esses negócios teriam facilidade em absorver a mudança. Além disso, a maioria dos setores de serviços enfrentaria situação similar.

Felipe Pateo, técnico do Ipea, explica a dinâmica. “A limitação da carga horária aumenta o custo da hora de trabalho”, afirma. Portanto, os empresários podem reagir de diversas formas.

As empresas têm várias opções além de reduzir produção. Assim, podem buscar aumentos na produtividade. Além disso, contratar mais trabalhadores é uma alternativa viável.

“Reduzir a produção é uma opção, mas não a única”, destaca Pateo. Consequentemente, o mercado pode se ajustar sem grandes traumas. Portanto, a flexibilidade empresarial é fundamental.

Setores mais vulneráveis

Empresas de limpeza e vigilância seriam mais afetadas. Assim, esses segmentos têm elevada participação da mão de obra nos custos. Consequentemente, o impacto é proporcionalmente maior.

O setor de vigilância enfrenta o maior impacto operacional. Portanto, registra aumento de 6,6% no custo. Além disso, segurança e investigação também sofrem efeitos significativos.

Os autores fazem uma comparação histórica importante. Assim, analisam aumentos reais do salário mínimo nas últimas duas décadas. Portanto, observam que não houve efeitos negativos no emprego.

“O aumento do custo não implica diretamente em redução da produção”, afirma o estudo. Além disso, também não causa aumento automático do desemprego. Consequentemente, os temores podem ser exagerados.

Perspectivas para mudança

O estudo indica que alguns segmentos demandam atenção específica. No entanto, a maioria dos setores absorveria a mudança tranquilamente. Portanto, a reforma trabalhista pode ser viável economicamente.

A produtividade pode compensar o aumento de custos. Assim, as empresas teriam incentivo para modernizar processos. Além disso, a contratação de mais trabalhadores geraria empregos.