Veja o resumo da noticia
- Mercado brasileiro em compasso de espera por dados do payroll dos EUA, com Ibovespa estável e investidores em postura de cautela.
- Dólar tem alta, contrariando tendência global, influenciado por indefinições no calendário de divulgação de dados americanos.
- Payroll ganha importância devido a mudanças no Fed e paralisação anterior, impactando a política monetária americana.
- Analistas mantêm otimismo com a queda do dólar, projetando R$ 4,80, o que traria alívio para a economia brasileira.
- Ibovespa completa recordes históricos, impulsionado por interesse estrangeiro e volumes negociados, mas correção é esperada.
- IPCA de janeiro acima do esperado, mas queda do dólar pode ajudar na trajetória inflacionária, impactando o poder de compra.
- Setores de consumo e construção são favorecidos pela expectativa de queda de juros, enquanto Petrobras e Eneva recuam.

O mercado brasileiro viveu uma terça-feira de cautela e expectativa. Assim, investidores preferiram aguardar dados importantes dos Estados Unidos. Consequentemente, tanto o Ibovespa quanto o dólar ficaram praticamente estáveis.
Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, explica o momento. “Mercado hoje à espera de dados do payroll de amanhã”, afirma. Portanto, os investidores acompanharão esses números com extrema atenção.
Dia de indefinição
O Ibovespa encerrou com queda de 0,17%, aos 185.929,33 pontos. Assim, o movimento reflete a postura cautelosa dos investidores. “Dia de pouca variação percentual com players sem tomar direção”, observa Correia.
O analista reforça o clima de espera no mercado. “Compasso de espera em relação aos dados que saem amanhã”, destaca. Consequentemente, os grandes movimentos ficaram para depois do payroll.
Dólar sobe contra a tendência
O dólar comercial fechou em alta de 0,16%. Assim, a moeda voltou a subir após duas quedas consecutivas. Portanto, a cotação de venda ficou em R$ 5,19.
Durante o pregão, a divisa oscilou entre mínima e máxima. Dessa forma, registrou R$ 5,18 na mínima do dia. Além disso, alcançou R$ 5,21 na máxima da sessão.
Curiosamente, o movimento vai contra a tendência global da moeda. Portanto, no resto do planeta, o índice DXY ficou praticamente estável. Consequentemente, caiu apenas 0,01%, aos 96,81 pontos.
Shutdown embaralha os dados
Correia explica por que o payroll ganha importância adicional agora. “O shutdown norte-americano havia paralisado os dados de payroll”, lembra. Portanto, quando o levantamento retornou, mudou o calendário de divulgações.
“Passou a ser divulgado em datas diferentes”, acrescenta o analista. Assim, o dado sai amanhã em horário não convencional. Consequentemente, os investidores precisam ajustar suas agendas de acompanhamento.
O payroll define rumos importantes para a política monetária americana. “É um número muito importante para definição de política monetária”, destaca Correia. Portanto, influencia diretamente as decisões sobre juros nos Estados Unidos.
O cenário fica ainda mais nebuloso com mudanças no Fed. Assim, a saída de Powell já está definida oficialmente. Além disso, um novo presidente assumirá o banco central americano.
“Com entrada de um novo presidente do FED, que ainda será sabatinado”, explica. Consequentemente, a incerteza sobre a política monetária aumenta consideravelmente. “Está tudo muito no ar nos EUA”, resume Correia.
Economia global em suspense
A importância dos dados americanos impacta mercados do mundo inteiro. Afinal, os Estados Unidos seguem como maior economia global. “À espera desses dados de amanhã, os mercados operam no zero a zero”, observa.
Apesar da alta pontual de hoje, Correia mantém otimismo.“Dólar continua em tendência de queda”, afirma com convicção. Portanto, projeta queda adicional para as próximas sessões.
“Acredito que deve chegar em breve em R$ 4,80”, prevê o analista. Assim, a moeda americana pode cair mais 7,6% até lá. Consequentemente, isso traria alívio importante para a economia brasileira.
O movimento tem fundamento econômico claro segundo o especialista. “Esse cenário de queda de juros nos EUA tem colaborado”, explica. Portanto, com juros menores lá fora, o real se fortalece.
“Já que os nossos juros aqui estão em patamares bem atrativos”, complementa. Consequentemente, o diferencial de juros favorece investimentos no Brasil. Assim, atrai capital estrangeiro para o mercado brasileiro.
Ibovespa em sequência histórica
Apesar da queda de hoje, o índice vive momento especial. “O Ibovespa completou também 10 recordes históricos nesse ano”, celebra Correia. Portanto, 2026 começa com desempenho excepcional para a bolsa.
O interesse estrangeiro impulsiona os volumes negociados no mercado. “Os volumes diários da bolsa também estão batendo recorde”, destaca. Além disso, o fluxo de capital externo cresce consistentemente.
“Forte volume gringo vindo para cá”, resume o analista. Consequentemente, a liquidez do mercado brasileiro aumenta significativamente. Portanto, isso facilita a realização de operações maiores.
Correia alerta para movimento natural após tantas altas seguidas. “E a correção em algum momento vai vir”, prevê. Afinal, de fato são muitas altas consecutivas acumuladas.
IPCA acima das projeções
Mais cedo, o IBGE divulgou os dados do IPCA de janeiro. Assim, a inflação oficial veio levemente acima das expectativas. “Veio levemente acima da nossa projeção”, confirma Correia.
No entanto, o analista mantém otimismo com a trajetória inflacionária. Portanto, acredita que a queda do dólar ajudará nesse processo. “Se a gente continuar acreditando que o dólar vai cair”, pondera.
“Boa parte da nossa inflação é impactada porque é dolarizada”, explica. Consequentemente, com moeda americana mais barata, importações ficam em conta. Além disso, isso reduz custos para toda a cadeia produtiva.
“Então o consumidor também vai pagar mais barato”, conclui Correia. Portanto, o poder de compra das famílias aumenta naturalmente. “O que colabora, sem dúvidas, para a queda de juros em março”, prevê.
Petrobras e Eneva em queda
Temos hoje Petrobras em queda acompanhando barris de petróleo. Assim, o movimento reflete a cotação internacional do commodity. Portanto, a estatal segue sensível aos preços globais do petróleo.
Além disso, Eneva também cai após notícia negativa da Aneel. Portanto, a agência reguladora anunciou preços-teto para leilões importantes. Consequentemente, os valores ficaram abaixo do esperado pelo mercado.