Veja o resumo da noticia

  • Relatório da Snowcap Advisors questiona liquidez e avaliação de ativos do Pátria Investimentos, gerando preocupações no mercado de alternativos.
  • O cerne da questão reside na supervalorização de fundos e na capacidade de converter ativos em caixa sem perdas significativas.
  • Valuation em ativos ilíquidos depende de premissas e modelos, exigindo governança e transparência para evitar percepções negativas.
  • Episódio de 2023, com cotas negativas no Pátria Special Opportunities II, expôs fragilidades em investimentos específicos.
  • Queda acentuada em fundo ligado a shoppings durante a pandemia serve de alerta sobre a estabilidade aparente de ativos ilíquidos.
  • Discussão reacende o debate sobre a comunicação de valor e risco em ativos sem precificação diária no mercado financeiro.
Fonte: divulgação
Fonte: divulgação

O Pátria Investimentos voltou ao centro das atenções depois de um relatório da britânica Snowcap Advisors levantar dúvidas sobre liquidez e avaliação de ativos. O texto usa termos fortes e fala em “castelo de cartas”. Além disso, sugere distorções relevantes na marcação de investimentos.

O assunto ganhou tração por um motivo simples: alternativos vivem de confiança. Quando alguém questiona a forma de precificar ativos menos líquidos, o debate se espalha rápido. Ainda mais quando a gestora já viveu episódios traumáticos.

O que a Snowcap questiona

Segundo o relatório, os principais fundos do Pátria estariam supervalorizados. A Snowcap afirma que números inflados poderiam ser apresentados a investidores. O objetivo seria sustentar a captação e, assim, manter a engrenagem rodando.

Ao mesmo tempo, o documento levanta dúvidas sobre liquidez. Em especial, sobre a capacidade de transformar ativos em caixa sem grandes descontos. Esse ponto costuma ser sensível em estratégias com participações, imóveis e projetos.

Por que liquidez e valuation viram gatilhos em alternativos

Em fundos com ativos menos negociados, o preço não aparece em uma tela todo dia. Por isso, o valuation depende de premissas, comparáveis e modelos. Essa “zona cinzenta” não é ilegal por si só. No entanto, exige governança e transparência.

Além disso, a liquidez não é uma promessa genérica. Ela tem prazo, custo e fricção. Em momentos de estresse, vender rápido pode significar vender barato. Assim, o mercado fica mais nervoso quando alguém sugere que a liquidez é menor do que parece.

O episódio de 2023: quando a cota ficou negativa

Em 2023, o Pátria Special Opportunities II virou manchete por um motivo raro. As cotas teriam despencado de R$ 10,55 para cerca de R$ 301 negativos. Na prática, o investimento virou uma dívida para o cotista.

O fundo era voltado a shopping centers no interior. Na época, um sócio do Pátria tratou o caso como um “erro pequeno”. Ele disse que o impacto seria marginal frente ao que a gestora administra e investe por ano.

O precedente da pandemia: queda de 99,7% em outro fundo

Antes, um caso semelhante atingiu o Pátria Special Opportunities I. O FIP investia em shoppings via a operadora Tenco. Com os lockdowns da covid-19, o fundo passou por reavaliação. As cotas que eram negociadas perto de R$ 1.000 caíram para R$ 4. Isso representa baixa de 99,7%.

Esse movimento virou referência para o mercado. Ele mostrou como ativos ilíquidos podem parecer estáveis por um tempo. Depois, quando o ajuste chega, ele vem de uma vez.

Por que isso volta agora

O relatório da Snowcap toca no nervo do setor: credibilidade do valuation. Ele também mexe com a percepção de liquidez. E o histórico pesa porque cria memória de risco.

Em resumo, a discussão não se limita a um documento. Ela coloca luz sobre como gestoras comunicam valor e risco em ativos sem preço diário. Por isso, o tema tende a render novas respostas públicas e mais escrutínio.