Veja o resumo da noticia

  • Presidente da Amprev renuncia ao cargo em meio a investigação da Polícia Federal sobre fraude milionária no fundo de pensão.
  • Jocildo Lemos nega irregularidades e alega que a renúncia facilita investigação independente sobre o aporte no Banco Master.
  • Investigação da PF aponta pressão de gestores para investimento no Master, ignorando alertas internos sobre os riscos.
  • PF considera gestão temerária e investiga possível liderança de Lemos no processo de aplicação dos recursos.
  • Auditoria revela comemoração de Lemos após aprovação de aporte, o que reforça as suspeitas de irregularidades.
  • Escândalo impacta milhares de servidores e aposentados, que temem pelo futuro de suas aposentadorias no Amapá.
Fachada do Banco Master, em São Paulo (SP) (Foto: Sophia Lima Bernardes/BP Money)
Fachada do Banco Master, em São Paulo (SP) (Foto: Sophia Lima Bernardes/BP Money)

O presidente da Amprev, Jocildo Lemos renunciou o cargo nesta quarta-feira (11). Portanto, deixa a gestão do fundo de pensão dos servidores do Amapá.

A saída acontece em momento crítico para a instituição. Além disso, ocorre enquanto a Polícia Federal investiga suposta fraude milionária. O caso envolve aporte de R$ 400 milhões no Banco Master.

Declaração polêmica

Lemos afirma que sempre agiu dentro da legalidade. Segundo ele, a renúncia demonstra compromisso com a instituição. Dessa forma, permitiria investigação independente da Justiça.

“Apresento meu pedido de exoneração do cargo de Diretor-Presidente”, escreveu em comunicado oficial. Além disso, destacou que espera comprovação de sua inocência. Assim, os verdadeiros culpados seriam identificados e responsabilizados.

O ex-presidente ainda destacou resultados positivos de sua gestão. Segundo ele, o patrimônio da Amprev cresceu 41% entre 2023 e 2025. Portanto, garantiria pagamento de aposentadorias até 2059.

PF aponta pressão irregular

A investigação da Polícia Federal revelou detalhes preocupantes sobre a operação. Três gestores da Amprev ignoraram alertas internos graves. Além disso, pressionaram para concretização do aporte no Master.

Lemos aparece como figura central na decisão do investimento. Portanto, teria liderado o processo que resultou no aporte milionário. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, indicou Lemos ao cargo.

Em menos de 20 dias, a Amprev aplicou os recursos no Master. Isso aconteceu em julho de 2024 após deliberações do comitê. Consequentemente, concentrou valores significativos em uma única instituição.

Outros conselheiros alertaram sobre riscos da operação. Primeiramente, apontaram concentração excessiva de recursos no banco. Além disso, destacaram que a Caixa havia rejeitado compra de títulos do Master.

Também mencionaram procedimentos em andamento contra a instituição. No entanto, os três gestores ignoraram completamente esses alertas. Assim, aprovaram o investimento sem documentação técnica adequada.

Avaliação da PF

A Polícia Federal considera a gestão temerária e possivelmente fraudulenta. Segundo o relatório, Lemos ignorou questionamentos técnicos de outros conselheiros. Portanto, teria liderado processo decisório irregular.

“Sua atuação revela possível liderança no processo que resultou nas aplicações investigadas”, destacou a PF. Além disso, a investigação aponta risco de destruição de provas.

Uma auditoria do Ministério da Previdência revelou cena constrangedora. Lemos celebrou aprovação do primeiro aporte de R$ 200 milhões no Master. Segundo ele, o fato “tirou um peso” de suas costas.

A declaração aconteceu em julho de 2024 durante reunião gravada. Posteriormente, o documento chegou às mãos da Polícia Federal. Consequentemente, reforçou suspeitas sobre irregularidades na operação.

Impacto nos segurados e próximos passos

A Amprev atende cerca de 30 mil servidores vinculados ao sistema. Além disso, paga benefícios para 2.100 aposentados e pensionistas civis e militares. Portanto, o escândalo afeta milhares de famílias amapaenses.

Os segurados aguardam ansiosamente desfecho da investigação policial. Enquanto isso, temem pelo futuro de suas aposentadorias. O patrimônio do fundo permanece parcialmente comprometido pela operação

A Polícia Federal segue apurando detalhes da operação suspeita. Além disso, investiga outros dois conselheiros que votaram pelo aporte. Ambos também ignoraram alertas sobre riscos do Master.

A investigação busca identificar eventuais beneficiários do esquema fraudulento. Portanto, analisa possível recebimento de vantagens indevidas pelos gestores. A PF ainda não concluiu todas as diligências necessárias.