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O agronegócio brasileiro enfrentará um cenário complexo em 2026. Portanto, produtores rurais precisarão lidar com múltiplos desafios ao mesmo tempo.

A combinação de margens apertadas, juros elevados e volatilidade política testará a resiliência do setor. Assim, especialmente produtores mais alavancados sentirão pressão. Consequentemente, a gestão financeira será crucial para sobreviver ao ano.

Análise do Rabobank aponta riscos

O Brazil Agribusiness Outlook 2026 foi elaborado pela RaboResearch. Dessa forma, o braço de pesquisa do banco holandês Rabobank mapeou os principais desafios.

O contexto macroeconômico adverso preocupa. Entretanto, a expectativa ainda é de expansão da produção. Portanto, soja e milho devem continuar crescendo.

Cenário macroeconômico preocupa

A projeção para o PIB brasileiro em 2026 é de crescimento de apenas 1,6%. Além disso, a taxa Selic deve encerrar o ano em 12,5%. Consequentemente, o custo do crédito permanecerá elevado.

O dólar projetado em R$ 5,60 também impacta o setor. Dessa forma, os insumos importados ficam mais caros. Entretanto, as exportações se beneficiam da moeda valorizada.

As incertezas fiscais típicas de ano eleitoral completam o quadro. Portanto, produtores enfrentarão volatilidade adicional em 2026.

Margens continuam pressionadas

“Mesmo com margens positivas sobre os custos operacionais, a renda agrícola sofreu um aperto em 2025”, afirma o Rabobank. Assim, a expectativa é de que a situação “só comece a aliviar no final da safra 2026/27”.

As margens apertadas da safra 2024/25 devem se manter. Consequentemente, produtores terão pouco espaço para erros de gestão. Portanto, eficiência operacional será fundamental.

Endividamento pesa sobre produtores

O motivo da pressão são os investimentos feitos entre 2019 e 2023. Assim, agricultores que investiram fortemente nesse período enfrentam dificuldades.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano. Portanto, o custo elevado do crédito compromete a rentabilidade. Consequentemente, muitos produtores lutam para honrar compromissos.

O reflexo disso é uma renda agrícola pressionada. Além disso, aumentam os casos de recuperação judicial no setor. Dessa forma, o endividamento se torna um dos maiores desafios de 2026.

Soja deve bater recorde mesmo com dificuldades

Apesar dos desafios, os analistas do Rabobank projetam crescimento. Portanto, a área plantada de soja deve crescer 2% na safra 2025/26.

A produção recorde deve atingir 177 milhões de toneladas. Além disso, a estimativa está em linha com as projeções da Conab. Dessa forma, consultorias privadas também confirmam os números.

Fertilizantes e defensivos em alta

O uso de fertilizantes também deve bater novo recorde. Assim, o consumo deve superar 46,5 milhões de toneladas. Consequentemente, importadores e fabricantes se preparam para demanda elevada.

Já o mercado de defensivos tenta se recuperar após crise de estoques. Entretanto, a entrada de novos concorrentes, especialmente chineses, muda o cenário. Portanto, os preços devem permanecer competitivos.

Milho: demanda interna supera exportações

O milho terá dinâmica diferente em 2026. Assim, a demanda doméstica deve superar a capacidade exportadora.

Com 137 milhões de toneladas previstas para a safra 2025/26, o cereal será absorvido internamente. Portanto, cadeias de etanol e proteína animal consumirão a maior parte.

Etanol de milho em expansão

A indústria de etanol de milho, concentrada no Centro-Oeste, projeta consumir até 28 milhões de toneladas. Dessa forma, representa fatia significativa da produção nacional.

Atualmente, o Brasil conta com 24 usinas de etanol de milho em operação. Além disso, há 16 autorizadas a funcionar. Consequentemente, outras 16 foram anunciadas para inauguração neste e nos próximos anos.

As exportações do grão devem alcançar cerca de 111 milhões de toneladas. Portanto, beneficiam-se de base firme de preços internos e demanda chinesa.

No ano passado, o Brasil exportou 108 milhões de toneladas de soja. Consequentemente, 2026 deve registrar aumento modesto nas vendas externas.

Lei do Combustível do Futuro impulsiona demanda

A elevação do mandato de biodiesel para 16% está prevista na Lei do Combustível do Futuro. Assim, deve elevar o esmagamento doméstico para 60 milhões de toneladas.

Entretanto, o Rabobank aponta que “há dúvidas quanto à implementação dessa política em março”. Portanto, produtores aguardam confirmação oficial.

Carnes suína e de frango em destaque

No setor de proteínas, as carnes suína e de frango lideram as expectativas. Dessa forma, devem se beneficiar do contexto internacional favorável.

A continuidade dos surtos de peste suína africana na Ásia e Europa ajuda o Brasil. Além disso, restrições aos EUA e União Europeia reforçam a competitividade brasileira. Consequentemente, as exportações devem crescer.

Produção de suínos crescerá até 3%

A expectativa é de que a produção de carne suína cresça entre 2% e 3% em 2026. Assim, será impulsionada pela ampliação das exportações.

Novos mercados como Filipinas e México abrem oportunidades. Portanto, a ABPA projeta que a produção brasileira alcance 5,7 milhões de toneladas.

Frango se beneficia de alta da bovina

O consumo interno de frango hoje em torno de 49 kg per capita deve crescer. Isso ocorre porque a alta nos preços da carne bovina favorece alternativas.

Geralmente, quando há aumento nos preços de uma proteína, o consumidor busca opções mais acessíveis. Consequentemente, o frango ganha participação no prato do brasileiro.

Boi: recomposição de rebanho limita oferta

A pecuária bovina entra em fase de recomposição de rebanho. Assim, após anos de abate elevado de fêmeas, a oferta deve cair.

A queda projetada é entre 5% e 6%. Portanto, os preços da arroba devem subir. Consequentemente, haverá efeito em cadeia em toda a pecuária.

Levantamento da Datagro estima queda de 7,5% no número de abates em 2026. Assim, devem ser processadas 38 milhões de cabeças. Portanto, toda a cadeia pecuária será impactada.

A retração é atribuída ao estágio atual do ciclo pecuário. Dessa forma, é um movimento natural do mercado.

Consumo e exportações de bovina em queda

Com a menor oferta, a previsão é de aumento nos preços. Consequentemente, o consumo doméstico pode cair 7,1%, para 6.043 toneladas em equivalente carcaça.

Para as exportações de carne bovina, a estimativa também é de retração. Assim, deve haver queda de 1,9%, para 3.981 TECs.

China impõe tarifas sobre volumes extras

O mercado pode sofrer com a imposição de tarifas de 55% pela China. Portanto, volumes acima de 1,1 milhão de toneladas serão taxados. Consequentemente, as exportações podem ser limitadas no último trimestre.

No fim de 2025, o governo chinês anunciou a aplicação de tarifas adicionais. Assim, países como Brasil enfrentam barreiras caso os embarques ultrapassem limites estabelecidos.

Cota brasileira para a China

A cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. Entretanto, o Brasil ficou com a maior parte: 41,1%, ou 1,1 milhão de toneladas.

No ano passado, foram embarcadas 1,7 milhão de toneladas para o país asiático. Portanto, haverá redução significativa no volume exportado.