
O Brasil, que ocupa a segunda posição em exportação de milho no mundo segundo a Unem (União Nacional do Etanol de Milho) pode ter seu fluxo ameaçado pela demanda interna. O volume reflete a volatilidade da matéria prima que atinge seu maior preço desde 2022 no país de acordo com o ESALQ/BM&FBOVESPA.
A demanda pelo etanol de milho ainda tem previsão de se manter elevada graças a impulso de programas do governo, como salientou o ministro da agricultura e pecuária, Carlos Favaro, nesta quinta-feira (03). “O Brasil está mostrando para o mundo que possui fontes renováveis de energia”, celebrou.
A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima um aumento de 8,3% na produção de milho para a safra de verão de 2024/25. A produção pode chegar a 24,8 milhões de toneladas. Contudo, até que essa produção entre no mercado, os preços podem se manter elevados.
Especialistas estão temerosos com a pressão das exportações no curto prazo, com a influência do clima, que pode afetar o desempenho das colheitas. “O Brasil estava caminhando para exportar mais milho a cada ano, mas em breve podemos não ter essa tendência de crescimento”, afirma Luiz Fernando Roque, coordenador de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.
O país atualmente exporta uma a cada cinco toneladas comercializadas mundialmente da commodity. A tentativa de manter o produto circulando no mercado interno mudas as expetativas sobre o produto para o consumidor externo.
Preços altos devem persistir
Os envios ao EUA podem ser afetados com a guerra comercial do presidente americano Donald Trump. A China impôs uma tarifa de 15% sobre o milho norte-americano como medida de retaliação das taxas impostas por Washington as importações chinesas.
“A indústria do etanol é um importante impulsionador do consumo interno e tem contribuído para segurar os preços”, afirma André Sanches, pesquisador do Cepa em entrevista ao portal Bloomberg Línea.
No estado do Mato Grosso, maior produtor do país, apenas 39% da safra conseguiu ser vendida ante 48% da última colheita, segundo a consultoria AgRural. Preços altos devem persistir mesmo com a colheita do inverno, quando a maior parte do grão é coletado no Brasil, alerta André Pessôa, presidente da AgroConsult.