Veja o resumo da noticia

  • Desempenho das exportações de café do Brasil em janeiro de 2026: análise da queda em volume e receita em comparação com o ano anterior.
  • Fatores que influenciaram a desaceleração, incluindo a baixa dos preços internacionais e a valorização do real frente ao dólar.
  • Impacto da capitalização dos produtores e da limitação dos estoques de arábica e direcionamento do canéfora no mercado interno.
  • Expectativas para a retomada das exportações com a chegada da nova safra de canéforas e arábica no mercado.
  • Análise da liderança do café arábica nas exportações, juntamente com o desempenho do solúvel e canéforas.
  • Alemanha e Estados Unidos se destacam como os principais destinos do café brasileiro, com análise dos mercados.
  • Relevância dos cafés diferenciados nas exportações, com foco na receita gerada e nos principais destinos.
Café (Foto: REUTERS)
Café (Foto: REUTERS)

As exportações brasileiras de café começaram 2026 em marcha mais lenta. Em janeiro, o Brasil embarcou 2,780 milhões de sacas de 60 kg, queda de 30,8% na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Em receita cambial, os embarques renderam US$ 1,175 bilhão, recuo de 11,7% na mesma base anual.

O número chama atenção por dois motivos. Porque a queda em volume foi forte, e a receita caiu menos do que o volume, o que ajuda a contar a história do preço médio e do mix exportado, mesmo com a virada de humor do mercado desde janeiro.

Exportação de café desacelerou em 2026

De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a desaceleração reflete um conjunto de fatores que se reforçaram no início do ano. Então, o primeiro é o movimento de baixa dos preços internacionais, observado desde janeiro e mais intenso em fevereiro. O segundo é a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro e altera o apetite do exportador na formação de preço.

Além disso, o cenário doméstico entrou como peça-chave. Ferreira afirma que os produtores seguem capitalizados após anos de preços firmes. Com isso, diminui a urgência de vender “a qualquer custo”. Em paralelo, os estoques de café arábica continuam limitados durante a entressafra. Já os cafés canéforas (como conilon e robusta) vêm sendo direcionados, em grande parte, ao mercado interno. Na prática, essa combinação reduz oferta imediata para exportação e comprime o volume embarcado.

Quando as exportações podem reagir: o papel da nova safra

Apesar do início mais fraco, a entidade vê espaço para retomada nos próximos meses.

  • Nos canéforas, a aproximação da nova safra a partir de maio pode abrir uma janela mais favorável de embarques.
  • No arábica, a expectativa também existe, mas depende da entrada mais efetiva da safra 2026/27, prevista para o segundo semestre.

Ou seja: o mercado olha para o calendário. E o calendário, no café, manda bastante.

Café arábica ainda lidera, mas também cai

O café arábica manteve a liderança absoluta nas exportações brasileiras em janeiro. O Brasil embarcou 2,347 milhões de sacas, o equivalente a 84,4% do total exportado no mês. Ainda assim, o segmento registrou queda de 29,1% em relação a janeiro do ano passado.

Na sequência, o café solúvel respondeu por 9% das vendas externas, com 249.148 sacas enviadas ao exterior. O volume também recuou na base anual.

Já os cafés canéforas (conilon e robusta) somaram 181.559 sacas, com participação de 6,5% do total, e apresentaram a queda mais intensa: -45,6%.

O segmento de café torrado e moído teve presença residual na pauta: 2.317 sacas embarcadas no mês.

Alemanha e Estados Unidos lideram compras do café brasileiro

No mapa de destinos, a Alemanha permaneceu como principal comprador do café brasileiro em janeiro. O país importou 391.704 sacas, o equivalente a 14,1% do total embarcado. Mesmo na liderança, o volume destinado ao mercado alemão caiu em relação ao ano anterior.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 385.841 sacas adquiridas e participação de 13,9%.

Em seguida, completam o top 5: Itália, Bélgica e Japão. Esse grupo, por si só, ajuda a ilustrar um ponto clássico do setor: o café brasileiro continua fortemente conectado a mercados maduros, onde demanda, contratos e diferenciação têm peso crescente na precificação.

Cafés diferenciados: 21,2% do total e 23,2% da receita

Os cafés diferenciados, categoria que inclui produtos de qualidade superior e/ou com certificações de sustentabilidade, responderam por 21,2% das exportações totais em janeiro. O Brasil embarcou 588.259 sacas nessa faixa, volume inferior ao observado no mesmo mês de 2025.

Em receita, esses cafés geraram US$ 272,7 milhões, o que representou 23,2% do faturamento total com exportações de café no mês. Na lista de destinos dos diferenciados, a Alemanha liderou novamente, seguida por Estados Unidos, Itália, Bélgica e Holanda.

Aqui, o detalhe vale ouro: mesmo com queda em volume, o segmento de maior valor agregado sustenta participação relevante no faturamento. Isso tende a ganhar importância justamente quando câmbio e preços internacionais apertam a margem do exportador.