Os preços mundiais do cacau, do café e do açúcar voltaram a recuar na sexta-feira (4), visto que os mercados seguiram abalados pelas tarifas abrangentes do presidente dos EUA, Donald Trump. O cenário piorou com a retaliação da China, que aplicou tarifas igualitárias aos EUA.
Na quarta-feira (2), Trump impôs uma tarifa de 10% sobre a maior parte das importações dos EUA, incluindo os produtos vendidos pelo Brasil, enquanto outros países tiveram taxas muito mais altas, de mais de 50% em alguns casos. Para China, foram impostas taxas de 34%, a mesma resposta do país asiático.
“Após essa medida, muitos fluxos comerciais dos produtores mais afetados agora entrarão em um labirinto para encontrar demanda em outros países”, disse o Rabobank em um relatório que advertiu que a nova demanda virá “a um custo de eficiência”, segundo o “InfoMoney”.
Na visão do banco, à medida que o “dia da retaliação” se aproxima, os consumidores de café e chocolate dos EUA devem esperar produtos mais caros. Isto porque o principal produtor de cacau, a Costa do Marfim, foi taxado em 21%, ao passo que o segundo produtor de café, o Vietnã, enfrenta uma taxa ainda maior de 46%.
Nesse ritmo, os contratos futuros do cacau em Londres caíram 4,7%, para 6.370 libras por tonelada métrica na bolsa ICE, considerada uma referência de preço global. Além disso, em Nova York o cacau caiu 8,4%, para US$ 8.512 a tonelada.
Mas o chocolate não é o único produto afetado, visto que os EUA também são o principal importador mundial de itens processados de cacau, como manteiga, da UE (União Europeia), Malásia e Indonésia, que agora enfrentam tarifas de 20%, 24% e 32%, respectivamente.
Café e Cacau sofrem desvalorização sob temor dos EUA
Investidores estão preocupados que as tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, afetem a demanda no país que é o maior consumidor de chocolate e café do mundo. Os preços do cacau e café caiam nesta quarta-feira (03) em bolsas europeias e norte-americanas.
O açúcar também experimentou forte queda na manhã afetado pela insegurança. Os EUA também são um dos maiores consumidores mundiais do bem de consumo. Trump afirmou que imporia uma taxa básica de 10% sobre todos os produtos importados para território americano, com possibilidade de aumento para até 50% em alguns territórios.
Fornecedores e consumidores estão alertas para o que pode ser o fim de décadas em liberalização do comércio. Vietnã e Indonésia, maiores produtores de café robusta (uma das principais espécies de café cultivadas no mundo) foram alvos de tarifas de 46% e 32%, respectivamente. As informações foram apuradas pela agência Reuters.
O Brasil, maior produtor de açúcar e café arábica, espécie mais cultivada no mundo, teve seus produtos tarifados em apenas 10%. Entretanto, Costa do Marfim e Gana, maiores produtores da matéria prima tiveram taxações de 21% e 10%, respectivamente.