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Alavancagem financeira de fontes internacionais para demandas corporativas estratégicas

INTRODUÇÃO

Se você fizer uma pesquisa no Google sobre o tema “como captar recursos de fontes internacionais” vai constatar em 0,52 segundos a existência de 5.210.000 resultados para o assunto. Caso sua estratégia de pesquisa se baseie em “como captar recursos de fontes internacionais + manuais” você encontrará em 0,49 segundos aproximadamente 2.990 resultados. Ou seja, há uma vasta quantidade de manuais, guias e tutoriais que podem ajudá-lo a conhecer as complexidades da atividade e, também, as necessidades de organização e planejamento requeridas para um processo exitoso de captação de recursos que, ao meu ver, deveria ser classificado como um processo de intermediação financeira.

Neste artigo, deixamos de lado as questões conceituais e acadêmicas (que são muito importantes) e apresentaremos para você, leitor, os detalhes do nosso processo de alavancagem de recursos financeiros de fontes internacionais – na modalidade de empréstimos – para atendimento das demandas estratégicas dos nossos clientes corporativos.

O documento está organizado da seguinte forma: no primeiro momento, traremos à tona as diferenças entre os conceitos utilizados para a Captação de Recursos e Intermediação Financeira. Em seguida, descrevemos nossa última experiência internacional bem-sucedida, realizada em 2020, que culminou com a aprovação do Fundo Comum de Commodities (CFC, em inglês), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), dada a um projeto de uma empresa do setor agrícola da Bahia no valor global de USD 3,000,000. Por fim, nossas recomendações para os agentes econômicos deficitários, para os prestadores de serviços, que buscam atender às necessidades de recursos financeiros dos seus clientes, e demais interessados sobre o tema.

PARTE I – Por quê intermediação e não captação de recursos financeiros? Qual a diferença?

Sempre que somos questionados sobre essas assimetrias, antes de respondê-la citamos como exemplo as definições que acreditamos diferenciar o Empreendedor e o Empresário. As pessoas confundem e poucos veem as diferenças, considerando-as sinônimos. Entretanto, para nós, da Gestão e Inovação, o Empreendedor e Empresário têm papéis e competências distintas de forma que, nem todo Empreendedor é Empresário, e vice-versa.

Para Felippe (1996), o Empreendedor é definido como: “aquele capaz de deixar os integrantes da empresa surpreendidos, sempre pronto para trazer e gerir novas ideias, produtos ou mudar tudo o que já existe. É um otimista que vive no futuro, transformando crises em oportunidades e exercendo influência nas pessoas para guiá-las em direção às suas ideias. É aquele que cria algo novo ou inova o que já existe e está sempre pesquisando. É o que busca novos negócios e oportunidades com a preocupação na melhoria dos produtos e serviços. Suas ações baseiam-se nas necessidades do mercado”.

Com relação ao Empresário, tenho grande identificação com o disposto pelo Dr. Norberto Odebrecht (2011), que o definiu como: “um Trabalhador Intelectual, cuja tarefa é coordenar e integrar a produção de riquezas, em benefício do Cliente, da Comunidade em que se insere, dos acionistas e dos Liderados. Para realizar essa tarefa, o Empresário deve ser uma Pessoa dotada de saber experimental que alia o conhecimento à prática e faz acontecer, em vez de tão somente desejar que aconteça”.

Apesar de ambos serem “donos de uma empresa ou negócio” a visão de longo prazo, a preocupação com a efetividade das suas ações e a amplitude das suas responsabilidades fazem, ao nosso ver, do Empresário se diferenciar dos Empreendedores, o que não significa dizer que esses últimos sejam irresponsáveis, míopes ou despreocupados, não é isto. São apenas visões diferentes que também acreditamos existir no caso da Captação de Recursos e da Intermediação Financeira.

No Brasil, o termo Captação de Recursos parece ter se vinculado, de alguma forma, às atividades desempenhadas por organizações da sociedade civil, tais como ONG’s, institutos e fundações corporativas ou familiares. A Associação Brasileira dos Captadores de Recursos (ABCR) define o termo captação de recursos como: “O processo estruturado desenvolvido por uma organização para pedir as contribuições voluntárias de que ela precisa, sejam eles financeiros ou outros recursos, buscando as doações com indivíduos, empresas, governos, outras organizações e etc”. Em termos práticos, a ABCR atrela o significado da captação em “ter uma equipe dedicada a pensar em ideias criativas para trazer as doações, a aproximar a organização da comunidade, a defender que ela seja o mais transparente possível e etc”. Ainda segundo a ABCR, “captar recursos é, principalmente, ter pessoas na organização que entendem que o trabalho delas é fundamental para conseguir os recursos tão importantes para que a ONG tenha impacto e seja transformadora na sua atuação, cumprindo integralmente a sua missão”.

O Wikipedia apresenta a definição da captação de recursos como: “a ação desenvolvida pelas organizações sem fins lucrativos para que, a partir de um conjunto de estratégias e processos, levantem e mobilizem recursos financeiros para o financiamento e a sustentabilidade institucional”.

O termo Intermediação Financeira integra o vocabulário do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na teoria da Intermediação Financeira, os atores principais dos negócios realizados são os agentes econômicos e os intermediários financeiros. Os agentes econômicos são quaisquer pessoas ou entidades que apresentem equilíbrio, superávit ou déficit financeiro. Os intermediários são instituições financeiras que fazem a aproximação entre os agentes econômicos, notadamente entre superavitários e deficitários (Carvalho et al., 2001). Neste sentido, a intermediação financeira é a atividade que concilia a relação entre os agentes econômicos superavitários e deficitários interessados, analisa e/ou assume riscos e administra a operação.

As atividades de captação de recursos e a intermediação financeira, fundamentados na análise do capital produtivo e não do capital especulativo, buscam alavancar recursos para agentes econômicos deficitários. Há casos muito específicos em que o agente não necessariamente deficitário recorre a uma operação de empréstimos. Como por exemplo, pode haver uma determinada situação onde o custo financeiro é mais baixo do que a remuneração obtida no mercado pelo capital produtivo, o que torna atrativa a operação do empréstimo. Para efeitos didáticos deste artigo, estamos considerando a situação deficitária do agente econômico como fator determinante para que ocorra a atividade de alavancagem financeira.

No caso da Captação de Recursos, objetiva-se a obtenção de contribuições voluntárias, doações e recursos financeiros para que as organizações do Terceiro Setor possam gerar impactos nas comunidades que atuam ou participam, cumprindo, assim, sua missão institucional. Sob o ponto de vista de prazo limite da atividade, a captação de recursos é finalizada no curto prazo, ou seja, quando do êxito da obtenção dos recursos. No caso da intermediação, busca-se o estabelecimento de uma relação de médio e/ou longo prazo com o agente superavitário, não importando, sob hipótese alguma, a personalidade jurídica ou setor econômico de atuação do agente deficitário. Não obstante, uma vez realizada a operação financeira é necessário que o objetivo financiado seja realizado de fato. Cabe ao intermediador uma responsabilidade indireta com a execução e o efetivo desempenho dos recursos alavancados, sob pena de descrédito das futuras operações com o agente superavitário e prejuízos à sua imagem. É sob este prisma que consideramos não serem sinônimas as atividades de captação de recursos e de intermediação financeira. A Gestão e Inovação não é uma instituição financeira, entretanto, de forma análoga, nos apropriamos do conceito estabelecido no SFN para qualificar a atividade que desempenhamos.

PARTE II – Nossa experiência de USD 3,000,000

Muito mais importante do que o montante financeiro alavancado nas operações lideradas por nossa empresa é o método utilizado para tal finalidade. Evidentemente não somos e, mesmo que fosse esta a nossa intenção, ainda estaríamos muito longe de tornarmo-nos uma referência nacional em termos de volume financeiro obtido nas operações intermediadas. Nossas maiores pretensões estão diretamente ligadas com a manutenção de um patamar alto e crescente da taxa de performance (sucesso) das intermediações que lideramos e no maior nível de satisfação dos nossos clientes.

Ao longo dos últimos 10 anos vivemos intensamente o universo da intermediação financeira. Nossa taxa de performance atual é de aproximadamente 80% de operações exitosas e cerca de 90% de clientes satisfeitos com nossos serviços. Esses indicadores são considerados por nós bastante significativos e motivadores. As maiores razões dessas conformidades se devem ao processo metodológico estruturado pela empresa que, à propósito, encontra-se em constante melhoramento e/ou readequação.

Nos parágrafos seguintes, descrevemos nosso processo de intermediação e, em seguida, apresentamos uma aplicação prática do método.

O Processo de Intermediação Financeira

O processo a seguir considera a existência de uma relação contratual entre uma empresa prestadora de serviços (Contratada) e uma empresa/cliente (Contratante). Para os casos em que o agente econômico deficitário, que a partir deste ponto chamaremos de Cliente, apresente as condições de suficiência atendidas para a realização da atividade de intermediação financeira, desconsidere a Etapa 1.

Nosso processo é atualmente composto por 8 (oito) Etapas e podem ser resumidas conforme a figura abaixo:

Fonte: Elaboração do Autor

Para cada Etapa existe um conjunto de atividades específicas em que o Intermediador assume diferentes papéis, exigindo deste profissional um conjunto de habilidades variadas para atingir os objetivos específicos da sua atividade que são: o êxito da operação financeira e a satisfação do Cliente. O discurso narrativo abaixo é caracterizado como informal e direto, ou seja, deixamos de lado as normativas técnicas acadêmicas e estabelecemos um diálogo direto com o leitor, podendo ser um Colaborador/Equipe de uma determinada organização empresarial, prestadores de serviços ou mesmo uma pessoa interessada em conhecer uma mais sobre a atividade/tema. A forma da narrativa empregada para o detalhamento das atividades se aproxima de conjunto de “sugestões”. Vejam:

Fonte: Elaboração do Autor
Fonte: Elaboração do Autor
Fonte: Elaboração do Autor
Fonte: Elaboração do Autor
Fonte: Elaboração do Autor
Fonte: Elaboração do Autor
Fonte: Elaboração do Autor
Fonte: Elaboração do Autor

Nosso Caso de Estudo

A ONU é uma organização internacional formada por diversos países que se reuniram voluntariamente para o trabalho. Atualmente as Nações Unidas têm 26 agências e, cada uma delas com seus próprios programas, orçamentos, regras, metas e independência. Todos os organismos têm uma área específica de atuação e prestam assistência técnica e humanitária nas mais diversas áreas, objetivando a Paz e o Desenvolvimento mundial.

Dentre esses Organismos, citamos a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), uma instituição financeira intergovernamental autônoma, criada em 1945, com sede em Quebec, no Canadá.

O CFC é o Fundo Comum de Commodities da FAO, constituído por 101 Estados-Membros mais 9 Membros institucionais, sediado em Amsterdam, na Holanda. Por meio do financiamento de projetos dos seus Países-Membros, o CFC busca potencializar a produção, processamento, fabricação e o comércio de commodities em benefício das populações mais pobres. O financiamento dos projetos é precedido de algumas atividades, com início no lançamento do Chamada de Propostas, sempre disponíveis em seu website (common-fund.org). O Fundo possui três modalidades de financiamento: Fast Track (Subvenções para projetos de P&D), Equity (Participação Acionária) e Loan (Empréstimos). Os valores máximos das participações do Fundo em cada modalidade de financiamento são, respectivamente, USD 120,000 e de USD 300,000 a USD 2,000,000 nos dois últimos casos. É possível que em um único projeto sejam solicitados recursos financeiros de modalidades diferentes. Por ano, o CFC investe aproximadamente entre USD 10,000,000 e USD 30,000,000 em projetos.

O CFC possui três instâncias de avaliação dos projetos submetidos: Secretaria Técnica, Comitê Consultivo (CC) e Conselho Executivo (EB). A Secretaria excuta uma análise parcial dos projetos e realiza um checklist de toda a documentação solicitada para a avaliação do CC.

O CC é formado por nove especialistas de diferentes partes do mundo. Os projetos são distribuídos pela Secretaria para os membros do CC seguindo as áreas de especialidades dos seus membros. Cada projeto é analisado por uma dupla de avaliadores, seguindo um Barema de avaliação. Os projetos aprovados pelo CC são encaminhados para o EB.

Em uma reunião específica do EB, os projetos aprovados pelo CC são deliberados pelo Conselho Deliberativo do Fundo, que autoriza a Celebração do Contrato.

Nosso Cliente fez o primeiro contato conosco em setembro/2019. A partir deste ponto vamos estabelecer os tempos e movimentos executados neste caso, estabelecendo uma correlação com as etapas dispostas em nosso processo de intermediação financeira.

Etapa 1 – A Confiança com o nosso Cliente foi estabelecida em dezembro/2019, poucos dias após o lançamento da Chamada de Propostas do CFC (19 de dezembro de 2019)

Etapa 2 – Estudo do Negócio / Entendendo as Necessidades do Cliente. Visitamos a sede das operações do Cliente, conhecemos sua equipe de colaboradores, coletamos informações e documentos, elaboramos uma agenda de trabalho e passamos para a Etapa seguinte – Janeiro/2020 a Fevereiro/2020.

Etapa 3 – Conhecendo o CFC. Estudamos muito o fundo, bem como suas diretrizes e normativas. Encontramos uma relação de Projetos aprovados pelo CFC e nos dedicamos a entender os pontos comuns e diferenciais apresentados por cada projeto aprovado. (Fevereiro/2020 a Março/2020)

Etapa 4 – Iniciamos uma relação direta com a Secretaria Técnica do Fundo e com a Gestora do CFC responsável pela condução de todos os projetos dos Países da América Latina submetidos para avaliação. (Janeiro/2020 a Abril/2020)

Etapa 5 – O Projeto levou em consideração todos os elementos dispostos em nossa metodologia. Cabe aqui chamarmos a atenção para as demonstrações das Politicas de Conformidade, ESG e outras, além da Inovação pelo Projeto, Segurança Empresarial/Investimento e seus impactos ambientais, sociais e econômicos. (Janeiro/2020 a Abril/2020)

Etapa 6 – A Chamada foi encerrada em abril/2020. A partir deste momento foram iniciadas uma série de questões e pedidos de dados, informações e maiores esclarecimentos do Fundo. Além das devolutivas dentro dos prazos estabelecidos, tivemos (e fizemos) a defesa e o devido fortalecimento do nosso Cliente, chamamos atenção para a importância de ser implementado o Projeto como forma de contribuição ao Desenvolvimento da região que a empresa atua. O Projeto foi aprovado pelo CC e submetido para deliberação do EB em julho/2020. (Abril/2020 a Julho/2020)

As Etapas 7 e 8 ainda não foram executadas. A data prevista para a reunião responsável por dar autorização para a celebração dos Contratos de Empréstimos – e de as outras modalidades de financiamento aprovadas pelos diferentes Projetos – era Outubro/2020. Infelizmente, a Contratação dos Projetos Aprovados foi muito prejudicada pela Pandemia, o que acarretou uma série de atrasos no cronograma do Fundo. A próxima reunião do EB está agendada para o dia 20 de abril de 2021, em Amsterdam. Muito em breve, esperamos completar as Etapas e compartilhá-las em nosso LinkedIn.

De modo geral, o prazo entre a conquista da Confiança do Cliente até o recebimento efetivo dos recursos financeiros alavancados com nossa intermediação e, justiça seja feita, com o apoio e a dedicação de toda a equipe técnica contratada, além dos colaboradores e sócios do nosso Cliente, é estimada em 16 meses. O valor total do Projeto é de USD 3,000,000.

PARTE III – RECOMENDAÇÕES

Aos Agentes Econômicos em situação deficitária, evidentemente aos interessados em alavancar recursos de fontes nacionais ou internacionais, sugerimos:

a) Deixem que as suas Necessidades determinem a Oportunidade financeira e não o contrário. Em boa medida, as Organizações, ONGs, Startups, Prefeituras, Estados e outros atraídos pelo tema sempre nos perguntam: Tem dinheiro pra quê? O que esses Fundos financiam? Boa parte se mostra interessada em formatar um Projeto para alavancar os recursos conforme a Oportunidade identificada. O que sugerimos é: “Trabalhem especificamente as suas Necessidades reais. Muitas das vezes, conseguir os recursos tão almejados pode significar mais problema do que solução”;

b) Planejem-se. Organizem-se. Contratem resultados. Ousem e nunca desanimem.

Aos Prestadores de Serviços e demais interessados no tema, aconselhamos:

a) Estudem muito! Invistam no Conhecimento e em Informações e, mais ainda, na manutenção e no estabelecimento de novas Redes de Relações Institucionais e Governamentais. Sejam Éticos, Ágeis, Proativos, Comprometidos, Organizados, Colaborativos, Trabalhem em Equipe, busquem adquirir uma visão sistêmica e holística, Comuniquem-se bem. Foco no Resultado.

b) Transpirem! Deixem de “desejarem que aconteça e façam acontecer!”

REFERÊNCIAS

Carvalho, A. G. Desenvolvimento Financeiro e Crescimento Econômico. Revista Econômica do Nordeste. Fortaleza, v. 33, out/dez 2001.

Maria Inês. Empreendedorismo: buscando o sucesso empresarial. Sala do Empresário, São Paulo,1996,v.4,n.16, p10-12.

Odebrecht, N. Sobreviver, Crescer e Perpetuar. Tecnologia Empresarial Odebrecht. 11ª Edição Revisada. Volume III. Salvador-Bahia, 2011.

SOBRE O AUTOR

Fábio Teixeira – Economista, Consultor e Sócio da Gestão e Inovação.

Contatos: linkedin.com/ln/gestaoeinovacao / E-mail: inovacao.ft@gmail.com

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