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Principais desafios do investidor de longo prazo

Ser um investidor de longo prazo bem-sucedido é fácil em princípio, mas difícil na prática. É fácil em princípio porque a estratégia de comprar e manter uma carteira de ações diversificada está ao alcance de todos os investidores, independentemente de sua inteligência ou posição financeira. Contudo, é difícil na prática porque todos nós somos vulneráveis a forças emocionais e pressões psicológicas que podem nos fazer desviar do caminho. Histórias sobre pessoas que adquiriram rapidamente grande riqueza no mercado nos incitam a participar de um jogo muito diferente daquele que pretendíamos.

Charles P. Kindleberger, economista e historiador americano, autor de muitos livros sobre a bolsa valores dos EUA, possui uma citação bastante oportuna sobre esse comportamento dos investidores: “Não há nada tão perturbador para o bem estar e julgamento de alguém quanto ver um amigo ficar rico”. Aqueles que investem no mercado estão sofrendo com o dinheiro que outros fizeram e perderam, e temem que a tendência continue. Eles concluem que se juntar à manada vai parar a dor, então caem na tentação de segui-los. Finalmente, terminam por comprar o ativo bem em sua ascensão ou vender depois de ter caído muito, amargando um prejuízo considerável.

A memória seletiva também nos move para a direção errada. Aqueles que acompanham o mercado de perto com frequência afirmam com veemência: “Eu sabia que as ações estavam subindo! Quem me dera se eu tivesse agido de acordo com minha avaliação. Teria ganhado uma fortuna!” Mas a compreensão tardia engana nossa mente. Esquecemo-nos das dúvidas que tivemos quando tomamos a decisão de não comprar. A compreensão a posteriori pode distorcer nossas experiências passadas e afetar nosso julgamento, estimulando-nos a utilizar palpites e a tentar ser mais espertos que os outros investidores, que, por sua vez, estão jogando o mesmo jogo.

Para a maioria dos investidores, a escolha desse caminho leva a resultados desastrosos. Assumimos riscos demais, os custos de transação são altos e acabamos por ceder às emoções do momento – ficamos pessimistas quando o mercado está em baixa e otimistas quando o mercado está em alta. Isso gera frustração porque nossos atos equivocados resultam em retornos consideravelmente menores do que aqueles que poderíamos ter obtido se tivéssemos apenas nos mantido no mercado. 

No ano de 2020, a bolsa saiu de 120.000 pontos para 60.000 pontos e voltou para perto do patamar inicial no mesmo ano. Certamente, quem vendeu seus ativos quando a bolsa atingiu a mínima em março e acompanhou a recuperação ao longo do ano arrependeu-se dos equívocos cometidos, em virtude de terem permitido que as emoções do momento assumissem o controle das suas ações.

A obtenção de bons retornos em ações exige um foco de longo prazo e uma estratégia de investimento disciplinada. 

Uma das principais armadilhas é negociar frequentemente na tentativa de “superar o mercado”. Muitos investidores não se contentam em obter um retorno anual de 6 a 10% sobre as ações, quando sabem que sempre existem algumas empresas que irão valorizar 100% ou 200% ao longo dos doze meses seguintes. Encontrar essas ações é extremamente gratificante e muitos sonham em comprar o próximo gigante corporativo. Comparações entre empresas (a próxima…) costuma ser bastante prejudicial e contraproducente para o investidor. Existem evidências convincentes de que os investidores que procuram esses investimentos experimentam retornos ruins porque os custos de transação e o timing incorreto reduzem consideravelmente os retornos.

Os investidores que foram lesados por escolher ações individuais com frequência voltam-se para os fundos em sua busca por retornos mais altos. Mas a escolha de um fundo apresenta obstáculos semelhantes. Os “gestores em alta” com desempenho passado superior substituem as “ações em alta”do portfólio por outras, com uma nova estratégia para superar o mercado. Por esse motivo, vários investidores acabam fazendo o mesmo jogo que fizeram com ações específicas e, também, experimentam retornos abaixo da média.

Marcos Schilling Machado

Analista CNPI

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