Cena realista retratando o desenvolvimento econômico do interior paulista em 2026. A imagem mostra uma transição visual entre áreas rurais tradicionais, com plantações de cana-de-açúcar e um agricultor observando o horizonte, e um cenário urbano moderno ao fundo, com arranha-céus, energia renovável (aerogeradores) e infraestrutura avançada, incluindo uma linha de trem de alta velocidade. No céu, um gráfico em formato de seta crescente simboliza o avanço da economia regional. Ideal para ilustrar matérias sobre crescimento econômico, inovação e futuro promissor no interior paulista.
Foto: gerada por IA

Por muito tempo, o debate sobre crescimento econômico no Brasil esteve excessivamente concentrado nas capitais, especialmente em São Paulo. O eixo financeiro da Avenida Faria Lima se consolidou como símbolo dessa centralização, reunindo capital, decisões estratégicas e acesso privilegiado ao crédito.

No entanto, os dados mais recentes mostram que esse modelo começa a se expandir para além dos limites geográficos da capital, e 2026 pode ser o ano em que essa mudança se torna estrutural. O interior de São Paulo, que já responde por mais da metade do PIB estadual, vem se consolidando como um dos principais motores da economia brasileira.

Mesmo em um ambiente de juros elevados, com a taxa Selic mantendo-se em patamares historicamente altos ao longo de 2025 e início de 2026, o interior paulista apresentou um desempenho econômico acima da média nacional.

O mercado imobiliário é um dos exemplos mais claros desse movimento. Dados da Abrainc mostram que as vendas de imóveis novos no interior do estado cresceram cerca de 26% em 2025, impulsionadas pela migração de famílias, profissionais qualificados e empresários que deixaram a capital em busca de menor custo de vida, melhor qualidade urbana e novas oportunidades de negócios.

Em diversas cidades médias do estado, a valorização imobiliária acumulada superou a inflação medida pelo IPCA, indicando demanda consistente e não apenas movimentos especulativos.

Esse crescimento ocorre em paralelo a uma transformação mais profunda do perfil econômico dessas regiões. O interior paulista concentra hoje polos industriais, logísticos, de agronegócio avançado, saúde, educação e tecnologia.

O perfil da indústria paulista mostra que o estado tem o maior valor adicionado industrial do Brasil, com cerca de R$ 698,1 bilhões em 2023, o que representa cerca de 28,8 % da indústria nacional. Além disso, o consumo das famílias no interior tem crescido de forma mais acelerada do que na Região Metropolitana de São Paulo, reflexo do aumento da renda média e da diversificação das atividades econômicas.

Estudos de mercado indicam que, em algumas regiões do estado, o consumo per capita já se aproxima dos níveis observados na capital, o que altera completamente a lógica de atração de investimentos e expansão empresarial.

O cenário de juros elevados, que tradicionalmente freia o crédito e reduz o apetite por investimento, acabou funcionando como um filtro de qualidade. Projetos mais bem estruturados, empresas com governança sólida e cidades com fundamentos econômicos claros continuaram recebendo capital.

Nesse contexto, instrumentos como consórcios, crédito estruturado e modelos alternativos de financiamento ganharam espaço, especialmente no setor imobiliário e entre empresários do interior. Em um ambiente em que o financiamento tradicional se torna mais caro, essas soluções permitem planejamento, previsibilidade e alocação de capital de médio e longo prazo, características cada vez mais valorizadas pelos investidores.

As projeções macroeconômicas para 2026 indicam que o Brasil pode iniciar um ciclo gradual de redução da taxa básica de juros, à medida que a inflação cede e o cenário fiscal se estabiliza.

Caso esse movimento se confirme, o impacto tende a ser significativo no interior paulista, onde há demanda reprimida por crédito imobiliário, expansão empresarial e novos projetos de infraestrutura urbana. O efeito combinado de juros menores, crescimento do consumo e amadurecimento econômico regional cria um ambiente propício para destravar investimentos que ficaram represados nos últimos anos.

Mais do que uma mudança conjuntural, o que está em curso é uma transformação estrutural. Levar a Faria Lima para o interior não significa transferir prédios ou sedes administrativas, mas sim expandir a mentalidade de capital, a sofisticação financeira e o acesso a instrumentos de investimento.

Significa levar governança, educação financeira, estruturas de funding e visão de longo prazo para regiões que já produzem, consomem e crescem acima da média. Esse movimento não enfraquece o centro financeiro da capital, mas amplia o alcance do mercado de capitais brasileiro, reduz a concentração de riscos e cria um ecossistema mais equilibrado e sustentável.

O interior de São Paulo já não é uma promessa futura. Os números mostram que ele é presente. Em 2026, empresas que buscam expansão eficiente, investidores que procuram retorno real e formuladores de política econômica atentos à descentralização do crescimento encontrarão nessas regiões não apenas oportunidades, mas fundamentos sólidos.

O capital que entender essa dinâmica com antecedência não apenas colherá melhores resultados, como ajudará a construir um novo ciclo de desenvolvimento para o Brasil.

Felipe Chad

Colunista

Felipe Chad é sócio e fundador da 3P Capital, assessoria de investimentos com foco no interior, além de especialista em investimentos, CFP, e tem mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro. Formado em Relações Internacionais, com extensão em Finanças, na renomada London School of Economics, já foi sócio das maiores empresas de investimento do Brasil.

Felipe Chad é sócio e fundador da 3P Capital, assessoria de investimentos com foco no interior, além de especialista em investimentos, CFP, e tem mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro. Formado em Relações Internacionais, com extensão em Finanças, na renomada London School of Economics, já foi sócio das maiores empresas de investimento do Brasil.

Interior Investidor

Análises sobre o avanço econômico e financeiro do interior do Brasil

Análises sobre como o interior do Brasil se consolida como nova força do mercado financeiro. A cada edição, Felipe Chad destaca dados, tendências e comportamentos que revelam o avanço dos investidores e o novo mapa do capital fora dos grandes centros.

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