Fintechs brasileiras esperam dobrar faturamento este ano
Percentual de fintechs com crescimento negativo reduziu para 21% / Freepik

O setor de fintechs começa a deixar para trás uma fase marcada por excesso de entusiasmo e pouca disciplina.

Durante anos, o capital barato sustentou a ideia de que escalar era uma questão de adquirir usuários rapidamente e contar com a rodada seguinte para corrigir o que faltava. Não funcionou. Agora que o dinheiro tem custo e a regulação exige consistência, o mercado está descobrindo que eficiência não é um diferencial, mas um pré-requisito.

A Research and Markets aponta que o mercado brasileiro movimentou cerca de US$ 4,9 bilhões em 2025 e pode atingir US$ 24 bilhões até 2034, crescendo quase vinte por cento ao ano.

O número impressiona, mas expõe algo que já vinha ficando claro. O setor vai continuar crescendo, porém sustentação operacional, governança e disciplina financeira passam a ter mais peso do que campanhas agressivas e ambições desconectadas de capacidade real de execução.

Os últimos anos também mudaram o que investidores entendem como saudável. Métricas superficiais perderam força. Valuation deixou de ser termômetro de glamour e voltou a refletir fundamentos.

O que se espera hoje de uma fintech está mais próximo de uma instituição financeira robusta do que de uma startup sustentada por slogans de ruptura. Controle de risco, qualidade de dados e exatidão nos fluxos financeiros saíram da margem e entraram no centro da tese.

A resposta das empresas acompanha esse movimento. Fusões, aquisições e acordos entre bancos e fintechs deixaram de ser exceção e passaram a ser estratégia recorrente. A ideia de disrupção pura perdeu espaço para arranjos que combinam eficiência tecnológica com estrutura regulatória.

O avanço do Open Finance reforça essa direção. Um mercado que deve ultrapassar US$ 3,6 bilhões até 2030 cresce não por estética de interface, mas por profundidade de infraestrutura. Quem domina APIs, crédito integrado, reconciliação e governança de dados compete onde realmente importa.

O resultado é um setor mais exigente. As fintechs que atravessarem este ciclo serão as que aprenderam a controlar custos, automatizar processos sem mascarar falhas e tratar governança como parte do produto. Crescer continua sendo objetivo, mas a lógica de escalar a qualquer custo perdeu a validade.