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DeMissão Impossível 3

O embate de Trump com diretora do Fed

DeMissão Impossível 3

Pular de helicóptero, escalar arranha-céus em Dubai e fugir de prisões na Rússia são ações fáceis! Difícil mesmo é demitir uma diretora do Federal Reserve, e nesta semana Donald Trump resolveu vestir-se de Tom Cruise, tomar alguns goles de ácido e desafiar a Constituição americana — sem dublê.

A cartinha explosiva

Na versão hollywoodiana, a missão secreta chega num gravador que se autodestrói em 5 segundos. Na versão Trump, a “missão impossível” veio numa carta publicada no Truth Social. A bomba: a demissão de Lisa Cook, acusada de fraude hipotecária. Só que, no lugar de explosão cinematográfica, tivemos um barulho mais próximo de rojão molhado.

Lisa Cook, interpretando a espiã que não aceita ordens do vilão, respondeu no ato: “Não renuncio. E você nem pode me demitir.” Foi a clássica cena de Tom Cruise se pendurando no avião — só que aqui quem ficou pendurado foi o ex-presidente.

O manual da IMF (Independência Monetária Federal)

No universo de Missão Impossível, existe a IMF, a agência ultra-secreta que nunca admite oficialmente suas operações. No caso do Fed, a sigla até combina: Independência Monetária Federal. E, segundo o manual, demitir um diretor só é possível por justa causa, em caso de má conduta no cargo.

Traduzindo para o cinema: Trump tentou hackear o cofre sem o código certo. E agora o sistema de segurança jurídico foi acionado — com direito a lasers vermelhos e advogados rolando no chão para escapar das armadilhas constitucionais.

O vilão, a heroína e o tribunal

Todo Missão Impossível precisa de um vilão carismático. Nesta versão, Trump assume o papel de antagonista, com direito a frases de efeito e penteado que desafia as leis da física. Lisa Cook, por sua vez, virou a heroína improvável, tipo Rebecca Ferguson nas últimas sequências: discreta, firme e pronta para lutar até o fim.

O mercado como figurante ansioso

Enquanto isso, o mercado financeiro assiste de binóculo, como os figurantes que aparecem atrás de Tom Cruise em Londres, sem entender se aquilo é cena ou vida real. O dólar deu uma escorregada, os Treasuries subiram no tom de suspense, e o S&P 500 fez cara de “tá, mas cadê a próxima cena?”.

Analistas já disseram: se Trump conseguir mesmo trocar diretores do Fed como quem troca agentes secretos, a independência da política monetária americana pode virar só mais um plot twist barato, e isso será TERRÍVEL para a confiança do investidor.

Fade out (mas sem créditos ainda)

Assim como em todos os filmes da franquia, o espectador termina sem saber se a missão acabou mesmo — ou se é só o início da próxima. Lisa Cook continua no cargo (por enquanto), Trump se arma para a batalha judicial, e o Fed tenta manter sua reputação de agente secreto da estabilidade econômica.

Só uma coisa é certa: se Missão Impossível dependesse do roteiro político americano, até Tom Cruise pediria para usar dublê.

Oremos pela independência do maior Banco Central do mundo.