
Se você acompanhou meu último artigo, já sabe que investir fora do Brasil deixou de ser algo distante. A diversificação internacional não é mais um luxo, é uma realidade para o investidor brasileiro. Mas, depois de dar esse primeiro passo, como escolher a corretora ideal para essa jornada?
Antigamente, abrir conta no exterior significava enfrentar burocracia, custos altos e até a barreira do idioma. Hoje, esse cenário mudou: é possível abrir uma conta pelo celular, em poucos minutos. Mas essa facilidade não elimina a necessidade de critério. A seguir, os pontos principais para avaliar antes de escolher sua corretora internacional:
1. Regulação: um dos pilares mais importantes
A corretora precisa ser registrada e regulada nos Estados Unidos pelos órgãos competentes, como:
• SEC (Securities and Exchange Commission): equivalente à CVM no Brasil, regula o mercado de valores mobiliários.
• FINRA (Financial Industry Regulatory Authority): órgão autorregulador das corretoras.
• SIPC (Securities Investor Protection Corporation): entidade que protege investidores caso a corretora tenha problemas financeiros ou fraude.
Se a corretora for membro do SIPC, os ativos dos clientes podem estar protegidos até US$ 500.000 (com limite de US$ 250.000 para dinheiro em conta).
2. Plataforma, custos e idioma
Mesmo sendo uma corretora americana, a plataforma não precisa ser complicada. Avalie se ela oferece suporte e navegação em português, isso faz diferença, especialmente para quem está começando.
Verifique também se os custos são claros e se a experiência é simples. Hoje, muitas plataformas permitem enviar reais via PIX ou TED e fazer câmbio integrado, com taxas exibidas de forma transparente.
3. Produtos e serviços disponíveis
Uma corretora completa deve oferecer acesso aos principais ativos negociados nos EUA e em outros mercados:
• Ações: milhares de empresas americanas.
• ETFs: fundos negociados em bolsa, com diversas estratégias.
• Fundos imobiliários americanos: empresas que atuam no setor imobiliário.
• Renda fixa (Bonds): títulos do Tesouro americano e corporativos.
• CDs: títulos bancários de prazo mais curto.
• Fundos: veículos de investimento com gestão ativa ou passiva.
• UCITS: fundos negociados na Europa, que podem trazer vantagens em sucessão e tributação para brasileiros.
4. Relatórios auxiliares para Imposto de Renda
Este é um ponto de extrema importância, uma vez que a declaração, após a lei 14.754, passou a ser anual, ou seja, investir no exterior pode fazer com que haja a necessidade da declaração de Imposto de Renda no Brasil.
Corretoras focadas no público brasileiro, costumam disponibilizar relatórios auxiliares de IR, que detalham como que o investidor deveria fazer o preenchimento de cada campo no programa da Receita Federal. Sem isso, os cálculos podem ser bastante complexos, e você pode ter uma dor de cabeça contábil no ano seguinte.
Considerações finais
Escolher uma corretora internacional exige análise, mas seguindo esses pontos, você poderá investir no maior mercado do mundo com mais tranquilidade.
Se já consumimos produtos e serviços de empresas globais no dia a dia, faz sentido que nossos investimentos também acompanhem essa lógica, mesmo que seja aos poucos. O importante é dar o primeiro passo.