Veja o resumo da noticia
- Banco Central sinaliza cortes na Selic, indicando o fim do ciclo de aperto monetário, conforme comunicado do Copom e análise de economistas.
- Apesar da sinalização, Copom mantém cautela, atrelando o ritmo de redução da Selic à evolução dos dados econômicos, cenário fiscal e câmbio.
- Mercado projeta diferentes cenários para a Selic no futuro, com estimativas variando entre 12% e 13%, refletindo incertezas e desafios.
- Valorização cambial e recuo nos preços dos alimentos contribuem para melhora gradual, enquanto núcleos de inflação exigem cautela do BC.
- Cenário fiscal desafiador e medidas de estímulo adicionam incerteza, impactando a trajetória da dívida pública e as decisões do Copom.

O Banco Central sinalizou explicitamente o início dos cortes de juros. Segundo Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, a grande surpresa veio no último parágrafo do comunicado. Portanto, o Copom deixou claro que deve reduzir a Selic já na próxima reunião, em março.
A taxa básica permaneceu em 15% ao ano, conforme esperado pelo mercado. Contudo, a mudança na comunicação indica que o ciclo de aperto monetário chegou ao fim. “O Comitê se compromete com um corte na próxima reunião”, afirma Perri.
Banco Central sinaliza mudança de tom
Pablo Spyer, conselho da Ancord, destaca que o BC ofereceu orientação clara sobre o futuro. Além disso, o comunicado reconhece o arrefecimento da inflação. Entretanto, o Copom reforça que manterá serenidade quanto ao ritmo dos cortes.
“A mensagem é que o ciclo de afrouxamento será conduzido com cautela”, explica Spyer. Consequentemente, a redução dependerá da evolução dos dados econômicos. O cenário fiscal e o câmbio também pesarão nas decisões.
Magnitude ainda incerta
Perri projeta que o primeiro corte será de 25 pontos-base. Contudo, ressalta que o piso da Selic deve ficar alto. “O ciclo não deve ir muito longe. Deve parar entre 13% e 12%”, prevê o economista.
Lucas Constantino, da GCB Investimentos, mantém projeção diferente. Ele espera Selic em 12% ao final de 2026. Portanto, o mercado permanece dividido sobre a trajetória futura dos juros.
O Copom destacou desafios importantes no comunicado. O mercado de trabalho segue resiliente e a inflação de serviços pressionada. Ademais, as expectativas permanecem desancoradas da meta.
“A projeção de inflação veio em 3,2%, em linha com o esperado”, afirma Natalie Victal, da SulAmérica Investimentos. Ela mantém estimativa de corte de 50 pontos-base para março. Entretanto, reconhece que a possibilidade de 75 pontos-base ganha probabilidade.
Cenário favorável se desenha
Nos últimos meses, os dados apresentaram melhora gradual. A valorização cambial ajudou a conter pressões inflacionárias. Além disso, os preços dos alimentos recuaram significativamente.
Por outro lado, os núcleos de inflação seguem pressionados. Isso exige cautela adicional na condução da política monetária. O BC reforça que o ritmo dependerá da confiança na convergência à meta.
Mercado deve reagir positivamente
Perri espera reação favorável dos ativos brasileiros nesta quinta-feira. “Devemos ter bolsa subindo, dólar caindo e curva de juros fechando”, projeta. Afinal, o BC deixou explícito que iniciará cortes em breve.
Constantino observa que segmentos sensíveis aos juros permanecem pressionados. A indústria e o varejo sofrem com crédito caro. Contudo, o setor de serviços mostra sinais de acomodação gradual.
Desafios fiscais seguem no radar
O cenário fiscal continua desafiador para o BC. Medidas de estímulo recentemente anunciadas adicionam incerteza. Ademais, o ambiente pré-eleitoral afeta a trajetória da dívida pública.
“O Copom preservou tom cauteloso, reforçando que os ajustes dependerão dos dados”, destaca Constantino. Portanto, o compromisso com a meta impõe limites ao ritmo de flexibilização. O mercado aguarda agora confirmação do corte em março.