
O Bitcoin iniciou esta quinta-feira cotado próximo de US$ 96.100, em um ambiente marcado por mercados globais mistos, queda nos preços do petróleo e redução temporária das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que não há intenção imediata de confronto militar com o Irã reduziu o prêmio de risco geopolítico, pressionando commodities energéticas e influenciando o apetite por ativos de maior volatilidade.
Segundo André Franco, CEO da Boost Research, o contexto atual favorece uma leitura mais defensiva no curto prazo:
“A retração nos preços de commodities e a pressão em setores de tecnologia reduzem parte do apetite por ativos mais voláteis, como o Bitcoin, no curtíssimo prazo.”
Mercados globais mistos e reflexos no Bitcoin
Na Ásia, ações de tecnologia lideraram as perdas, enquanto índices mais amplos apresentaram desempenho divergente. O iene japonês se fortaleceu, reacendendo discussões sobre possível intervenção cambial, e o Bank of Korea manteve as taxas de juros inalteradas, indicando o encerramento do seu ciclo de afrouxamento monetário.
Esse conjunto de fatores contribuiu para um sentimento de cautela entre investidores de risco, limitando movimentos mais agressivos no mercado cripto.
Para André Franco, o cenário macro ajuda a explicar a dinâmica atual do BTC:
“O ambiente global misto e a redução do apetite por risco criam um viés neutro a levemente negativo para o Bitcoin no curto prazo.”
Petróleo em queda e alívio geopolítico no radar
A queda do petróleo, após o alívio nas tensões entre EUA e Irã, reduziu o risco inflacionário de curto prazo e o uso do ativo como proteção.
Esse movimento acabou pressionando outros ativos correlacionados ao risco, incluindo o Bitcoin, que segue sensível às mudanças no fluxo global de capital.
Bitcoin hoje: suporte técnico segue relevante
Apesar do viés mais cauteloso, o Bitcoin permanece acima da região de US$ 95.000, nível considerado tecnicamente relevante pelo mercado.
Segundo André Franco, esse patamar atua como um amortecedor contra quedas mais profundas:
“A cotação acima de US$ 95 mil confere um suporte técnico importante e ajuda a limitar movimentos de baixa mais acentuados.”
A expectativa de maior liquidez global, com possíveis cortes de juros, segue como suporte estrutural para o Bitcoin no médio prazo.
Regulação nos EUA adiciona incerteza ao setor
No campo regulatório, o mercado também acompanha com atenção os desdobramentos em Washington. A Comissão Bancária do Senado dos EUA cancelou a votação sobre o projeto de lei que definiria a estrutura do mercado cripto. Isso após pedidos por mais tempo de análise por parte de parlamentares democratas.
O adiamento atrasa a definição de competências entre SEC e CFTC e aumenta a incerteza regulatória no curto prazo.
A Coinbase retirou apoio ao projeto de lei, citando exigências excessivas de vigilância financeira e restrições a programas de rendimento com stablecoins.
Adoção institucional segue como contraponto positivo
Apesar do ruído regulatório, notícias de adoção continuam no radar do mercado. A Visa anunciou parceria com a BVNK para integrar pagamentos com stablecoins como USDC e USDT à sua rede global, reforçando o uso de ativos digitais no comércio internacional.
Além disso, o Paquistão firmou acordo com uma empresa cripto ligada ao ecossistema Trump para modernizar pagamentos transfronteiriços com blockchain e stablecoins.
Consolidação como cenário-base para o curto prazo
Na leitura final da Boost Research, o equilíbrio entre fatores macroeconômicos, técnicos e regulatórios aponta para um período de movimento lateral do Bitcoin.
“A expectativa de mais liquidez global no futuro pode limitar quedas mais acentuadas, resultando em uma possível consolidação lateral antes de uma nova direção de mercado”, afirma André Franco.
Enquanto o cenário global segue cauteloso e sem catalisadores claros, a consolidação é o cenário mais provável para o Bitcoin no curto prazo, com atenção à política monetária e à regulação.