
O Banco de Brasília (BRB) negocia a venda de uma carteira de quase R$ 1 bilhão. Além disso, os empréstimos incluídos têm garantia da União. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo. Posteriormente, o Valor Econômico confirmou a negociação.
Itaú e Bradesco na disputa
Os principais interessados na carteira bilionária seriam Itaú e Bradesco. Entretanto, ambos os bancos não quiseram comentar quando procurados pela reportagem.
Portanto, a negociação ainda ocorre em sigilo. Dessa forma, nenhuma das instituições confirma oficialmente o interesse.
Deságio mínimo esperado
Em geral, carteiras de créditos adimplentes com boas garantias são vendidas com deságio mínimo. Ou seja, o preço fica próximo ao valor de face.
Consequentemente, o BRB pode receber quase R$ 1 bilhão pela operação. Assim, o banco fortalece sua posição de liquidez rapidamente.
BRB não confirma, mas justifica
O Banco de Brasília não confirmou a negociação diretamente. Entretanto, a instituição reconheceu que esse tipo de operação é comum.
“Operações de cessão de carteiras são comuns no mercado financeiro”, afirmou o BRB em nota. Além disso, o banco explica os objetivos dessas transações.
Segundo a instituição, essas vendas servem para otimizar capital, reduzir riscos e reforçar liquidez. Ademais, o BRB ressalta que tudo está “conforme amplamente reconhecido no setor”.
O banco completou o comunicado com uma declaração institucional. “Todas as medidas em avaliação pela instituição integram a gestão responsável do BRB”, diz a nota.
Portanto, o BRB alinha as operações “às normas do Banco Central e às melhores práticas de mercado”.
Venda de ativos do Master também está no radar
Separadamente, o BRB estuda outro movimento importante. Dessa forma, a instituição avalia mecanismos para vender ativos recuperados junto ao Banco Master.
Essa medida contribuirá para o fortalecimento adicional da posição financeira do banco. Consequentemente, o BRB busca recuperar parte dos bilhões investidos.
O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras do Banco Master anteriormente. Entretanto, encontrou problemas graves de documentação nos ativos.
Por isso, o banco precisou trocar cerca de R$ 10 bilhões desses ativos problemáticos. Ou seja, mais de 80% da carteira inicial apresentava irregularidades.
Segundo fontes com conhecimento do assunto, a situação é menos grave do que parece. Mesmo entre os ativos substituídos, a maior parte seria de carteiras de crédito consignado.
Além disso, algumas dessas carteiras já geraram receita para a instituição. Portanto, o prejuízo pode ser menor que o estimado inicialmente.
Estratégia de recuperação
A venda da carteira de R$ 1 bilhão faz parte de uma estratégia maior. Primeiramente, o BRB busca fortalecer sua liquidez imediatamente.
Em seguida, a instituição pretende vender os ativos recuperados do Master. Assim, o banco limpa seu balanço e reduz riscos.
Ademais, essas operações demonstram uma gestão ativa da crise. Portanto, o BRB não ficou parado esperando prejuízos se acumularem.
Impacto para o mercado
A negociação entre BRB, Itaú e Bradesco movimenta o mercado financeiro. Portanto, analistas acompanham a operação com atenção.
Além disso, a venda pode indicar o apetite dos grandes bancos por carteiras garantidas. Consequentemente, outras instituições podem seguir o mesmo caminho.
Para o BRB, o desfecho positivo é crucial. Assim, o banco demonstra capacidade de superar a crise do Master.