Banco Central

Campos Neto: 'finalizei mandato, apesar de pressões'

O presidente reforçou que nunca agiu conforme seus interesses políticos, mas sim de forma técnica

Roberto Campos Neto, presidente do BC
Roberto Campos Neto, presidente do BC / Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Em despedida da presidência do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto afirmou, nesta quinta-feira (19), que cumpriu seu mandato apesar de pressões externas e fez uma transição “suave” para o próximo presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Campos Neto também agradeceu a todos os funcionários da instituição, à imprensa e à diretoria do Copom (Comitê de Política Monetária).

O presidente reforçou que nunca agiu conforme seus interesses políticos, mas sim de forma técnica. Além disso, segundo ele, a transição “foi a mais bem planejada, independentemente da polarização”. Campos Neto vai deixar o cargo em 31 de dezembro e Galípolo vai assumir a partir de 1º de janeiro de 2025.

De acordo com o presidente, a transição envolveu um peso cada vez menor de seu voto, dando mais espaço para os diretores de 2025. “Nós entendíamos que isso facilitava a passagem do bastão”, afirmou.

BC prevê inflação acima do teto em 2024

BC (Banco Central) avaliou em projeção que a inflação tem chance de furar o teto em 0,44 p.p (Ponto Percentual). A projeção anterior era de um aumento de 36%, segundo portal infomoney.

A subida do IPCA também elevou o pessimismo do órgão, acumulando no total de doze meses uma alta de 4,87%. Para o índice fechar o ano em alta é necessário um aumento de singelos 0,20%, levando a uma alta acumulada de 4,5%, segundo o IBGE.

A previsão de ultrapassar a meta de inflação saltou de 26% em projeções para 50%. O banco central também elevou o risco em 2026 para 26%, antes estava 19%. A meta contínua de inflação é de 3% neste e nos próximos anos, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Surpresas inflacionárias

A autarquia registrou a pressão sobre o preço dos alimentos e melhora no desemprego como fatores que fizeram o aumento inesperado na reta final do ano, levando em conta também a desvalorização cambial.

As surpresas inflacionárias e as perspectivas de controle a curto prazo da situação fiscal fizeram com que a instituição tivesse que realizar um freio brusco. A inercia foi observada como incompetência e o aumento dos preços inevitável.

“Esses fatores mais do que compensaram os efeitos da subida da taxa de juros real, que, entretanto, contribuíram para evitar um aumento mais acentuado nas projeções”, afirmou.

A inflação permanece acima da média com estimativas até meados de 2025, espera-se uma queda rápida na reta final do próximo ano, porém seria momentânea com expetativa de inflação acima da média também em 2026, porém um valor mais baixo de 3,6%.

O documento também destacou a cautela de países emergentes diante de uma postura de austeridade dos EUA e maior combate a inflação dentro desses mercados de trabalho. Além de decisões de bancos de economias de primeiro mundo, o que na pratica dificulta a ascensão e estabilidade dos menores como Brasil.