Ações a R$ 10

Casas Bahia (BHIA3) salta mais de 200% em março; o que explica?

Short squeeze, entrada de novo investidor, cenário (ainda que incerto) sobre juros estão entre motivos para alta das ações Casas Bahia

Foto: Divulgação/Casas Bahia

As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) apresentaram uma forte valorização em março, atingindo um aumento de 265% no mês e 235% no acumulado de 2025. 

O preço dos papeis saltou de R$ 2,65 para R$ 9,68, chegando a ultrapassar os R$ 10 no dia 25. 

Essa alta foi impulsionada por diversos fatores. Entre eles, destacam-se o short squeeze, a entrada de um novo investidor e, além disso, as expectativas sobre os juros.

Casas Bahia, short squeeze e participação de novo investidor

O principal fator para essa valorização foi o short squeeze. Esse fenômeno ocorre quando ações com grande volume de operações vendidas a descoberto são recompradas rapidamente, impulsionando os preços. 

Atualmente, 25% das ações da Casas Bahia estão alugadas, o que contribuiu para o movimento.

Outro ponto relevante foi a entrada do investidor Rafael Ferri, que adquiriu 5,11% das ações ordinárias e derivativas de liquidação física da BHIA3.

Essa participação gerou otimismo no mercado, levando mais investidores a comprarem os papeis e ampliando a alta.

Resultados financeiros do 4T24 e perspectivas

No dia 12 de março, a Casas Bahia divulgou os resultados do quarto trimestre de 2024. O prejuízo caiu 54,8%, totalizando R$452 milhões. 

A receita líquida cresceu 7,6%, atingindo R$7,98 bilhões. O Ebitda ajustado quadruplicou, chegando a R$640 milhões.

O desempenho positivo nas lojas físicas (+16%) e no marketplace (+24%) ajudou a compensar a queda de -10% no e-commerce.

Para 2025, a estratégia da empresa inclui a expansão da carteira de crediário, que soma R$ 6,2 bilhões, e a melhora das margens. 

No entanto, desafios como alta alavancagem e juros elevados permanecem.

Cenário macroeconômico e recomendação dos analistas

A recente queda nos juros futuros impulsionou o setor de varejo. 

O Magazine Luiza (MGLU3), por exemplo, subiu 46% em março. Apesar disso, analistas ainda demonstram cautela com a Casas Bahia. 

O Morgan Stanley recomenda “venda”, destacando que, apesar dos avanços operacionais e da renegociação de dívidas, a geração de lucro segue pressionada. 

Entre sete casas de análise, quatro recomendam “manutenção” e três indicam “venda”.