
O Tesouro Nacional revisou drasticamente suas projeções para a dívida pública brasileira. A previsão indica trajetória de alta até 2032. Consequentemente, o endividamento chegará a 88,6% do PIB.
Deterioração acelerada
O relatório de projeções fiscais trouxe números preocupantes. A dívida bruta subirá para 83,6% do PIB no fechamento de 2026. Anteriormente, a estimativa para 2025 era de 79,3% do PIB.
Portanto, houve uma deterioração significativa em apenas um ano. O principal vilão é o nível elevado dos juros no país.
Cenário de longo prazo
As novas estimativas apontam que o pico ocorrerá em 2032. Naquele ano, a dívida bruta atingirá 88,6% do PIB. Após isso, haverá uma queda sutil.
Em 2035, último ano da projeção, o patamar ficará em 88,0% do PIB. Além disso, essa previsão representa piora em relação ao relatório anterior.
Em julho de 2025, o cenário era mais otimista. O relatório anterior previa pico de 84,3% do PIB em 2028. Além disso, indicava queda gradual até 82,9% do PIB em 2035.
Agora, portanto, a perspectiva é bem menos favorável. A diferença entre as projeções revela o impacto dos juros elevados.
O peso da Selic
O Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano desde junho de 2025. Esse é o patamar mais alto em quase duas décadas. Entretanto, ainda não há sinal de quando os juros cairão.
O novo documento do Tesouro explicou a piora. Segundo o relatório, os juros nominais seguem pressionando a dívida. Consequentemente, o endividamento aumenta nos anos seguintes.
A Selic impacta diretamente o endividamento do governo. Aproximadamente metade do estoque de títulos públicos usa a taxa como referência. Dessa forma, investidores são remunerados com base nos juros básicos.
Quando a Selic está alta, portanto, o custo da dívida aumenta. Isso pressiona ainda mais as contas públicas brasileiras.
O que pode reverter a trajetória
O Tesouro destacou fatores que podem melhorar o cenário. Resultados primários positivos são determinantes para reduzir a dívida. Da mesma forma, a redução dos juros será fundamental.
Segundo o relatório, essas expectativas assegurarão a queda da dívida. Contudo, isso vale para o médio prazo. Além disso, tudo depende do cenário de referência se concretizar.
O governo enfrenta o desafio de cumprir metas fiscais. Este é um ano eleitoral, o que complica ainda mais. As contas públicas precisam de ajustes significativos.
Portanto, a combinação de juros altos e pressões políticas torna o cenário complexo. O mercado observa atentamente os próximos passos do governo.