Veja o resumo da noticia
- Fundos de investimento retomam participação na B3 em 2025, com R$ 997,4 bilhões movimentados em ações, representando um crescimento de 25%.
- Mercado à vista da B3, incluindo ações, BDRs, ETFs e FIIs, supera R$ 1,7 trilhão, com alta de 15%, mesmo com a Selic elevada.
- Investidores estrangeiros lideram as negociações de ações, com R$ 2,8 trilhões, representando 62% do volume total, impulsionados.
- Recuperação gradual do apetite por renda variável, influenciada pelo ciclo de corte de juros e busca por ativos de longo prazo.
- Dezembro se destaca com o maior volume mensal de negociações, atingindo R$ 100,7 bilhões, refletindo um possível otimismo.
- Ações de empresas sólidas como Vale, Petrobras e Itaú lideram o ranking das mais negociadas, indicando uma estratégia conservadora.
- Desempenho do Ibovespa impulsionado por fatores externos, como enfraquecimento do dólar e início do corte de juros nos EUA.

Os fundos de investimento movimentaram R$ 997,4 bilhões em ações na B3 durante 2025. Portanto, o resultado marca uma retomada gradual desse perfil de investidor na bolsa brasileira.
A plataforma Datawise+ divulgou os dados nesta terça-feira (3). Consequentemente, o volume negociado em ações cresceu 25% comparado ao ano anterior.
Mercado à vista na B3 supera R$ 1,7 trilhão
Além disso, o mercado à vista apresentou números expressivos. Este segmento inclui ações, BDRs, ETFs e FIIs. Assim, o volume total ultrapassou R$ 1,7 trilhão em 2025, alta de 15%.
O crescimento aconteceu mesmo com forte concorrência. Afinal, a Selic atingiu 15% ao ano, patamar mais alto desde 2006. Dessa forma, muitos recursos permaneceram na renda fixa.
Entretanto, a renda variável surpreendeu. O Ibovespa acumulou alta superior a 30% no período.
Mesmo assim, investidores institucionais locais ficaram atrás dos estrangeiros. Os não residentes movimentaram R$ 2,8 trilhões em ações, crescimento de 15%. Por isso, responderam por 62% do volume total.
Base de comparação favorável
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, explica o fenômeno. “O ano de 2024 foi muito ruim para a bolsa”, afirma.
Posteriormente, o Brasil se beneficiou da volatilidade externa em 2025. Logo, houve influxo de capitais e maior ânimo dos investidores nacionais.
Contudo, a indústria de fundos enfrenta desafios. Os multimercados perderam cerca de R$ 400 bilhões em ativos desde 2024. Portanto, a recuperação deve levar tempo.
Fatores para retomada consistente
A participação do investidor institucional depende de mudanças. Principalmente, o ciclo de corte de juros e alternância política influenciam esse movimento.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto, vê sinais positivos. “Os números sinalizam retomada gradual do apetite pela renda variável”, destaca.
Além disso, ele ressalta a busca por ativos que superem a inflação. Igualmente importante é cumprir metas atuariais de médio e longo prazo.
Dezembro lidera volume mensal
Dezembro registrou R$ 100,7 bilhões em negociações, o maior volume mensal. Em seguida, apareceram maio (R$ 89,8 bilhões) e novembro (R$ 88,6 bilhões).
Esse avanço pode indicar preparação para cenário de juros menores. No entanto, também reflete movimentos sazonais de fim de ano.
Felipe Sant’Anna, do Axia Investing, pondera riscos. “Temos um cenário frágil. O institucional local sabe disso”, alerta.
Blue chips concentram preferência dos fundos
O ranking de ações mais negociadas revela padrão defensivo. A Vale lidera com R$ 86 bilhões, seguida por:
- Petrobras: R$ 67,9 bilhões
- Itaú: R$ 45 bilhões
- Banco do Brasil: R$ 37,8 bilhões
- Bradesco: R$ 31,7 bilhões
Também figuram B3, Prio, Localiza, Axia Energia e Equatorial Energia.
Estratégia voltada à segurança
A composição evidencia perfil conservador. Sidney Lima confirma: “O investidor não aposta em narrativas especulativas”.
Dessa maneira, priorizaram empresas com histórico sólido e alta liquidez. Igualmente, buscaram capacidade de atravessar diferentes cenários econômicos.
Estrangeiros impulsionaram o Ibovespa
O forte desempenho da bolsa teve participação externa decisiva. Particularmente, três fatores favoreceram esse movimento:
- Enfraquecimento do dólar
- Questionamento do excepcionalismo americano
- Início do corte de juros nos EUA
Consequentemente, as operações de carry trade ganharam força. Portanto, recursos saíram de países com juros baixos para mercados mais atrativos.