Veja o resumo da noticia

  • Ibovespa atinge novo recorde impulsionado por commodities e fluxo estrangeiro, contrastando com cautela nos mercados internacionais.
  • Petróleo impulsionado por tensões geopolíticas e falas de Trump, beneficiando ações do setor de energia como Prio e Petrobras.
  • Valorização do minério de ferro nos mercados asiáticos sustenta ações de mineradoras, com Vale entre as maiores altas.
  • Apetite do investidor estrangeiro se mantém pela percepção de múltiplos baixos na bolsa, sustentando o fluxo externo positivo.
  • Bolsas americanas em queda devido a indicadores fracos, incertezas monetárias e ambiente político instável nos EUA.
  • Dólar opera estável com ajustes e ruídos domésticos, compensado por fraqueza global da moeda e valorização das commodities.
  • Juros futuros permanecem estáveis, aguardando a Super Quarta com expectativa de manutenção da Selic e juros nos EUA.
Ibovespa
Ibovespa (Foto: Canva)

A bolsa brasileira encerrou esta sexta-feira (23) em alta robusta. O Ibovespa avançou 1,86% e fechou aos 178.858,54 pontos. Consequentemente, alcançou o maior patamar de fechamento da história.

Bolsa sobe com commodities

“A bolsa brasileira sobe nesta sessão impulsionada principalmente pelo avanço das commodities”, afirma Christian Iarussi. O economista e sócio da The Hill Capital destaca também a continuidade do fluxo estrangeiro para a B3.

Portanto, esse movimento ocorre apesar da cautela nos mercados internacionais. Ademais, contrasta com o desempenho negativo das bolsas americanas.

Petróleo dispara com Trump

A alta do petróleo favoreceu diretamente ações do setor de energia. Segundo Iarussi, as declarações do presidente Donald Trump sobre o Irã estimularam os preços.

Além disso, o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio pressionou a commodity. Consequentemente, papéis como Prio e Petrobras lideraram os ganhos.

Minério sustenta mineradoras

“A valorização do minério de ferro nos mercados asiáticos sustenta os papéis ligados à mineração”, explica o especialista. Vale figurou entre as maiores altas do dia.

Portanto, acompanhou o movimento favorável da commodity no mercado internacional. Ademais, consolidou ganhos expressivos na sessão.

Múltiplos baixos atraem capital

“Esse cenário, somado à percepção de que a bolsa brasileira ainda negocia a múltiplos baixos, tem mantido o apetite do investidor estrangeiro”, analisa Iarussi.

Consequentemente, o Ibovespa se aproxima novamente de máximas históricas. Dessa forma, o fluxo externo continua sustentando a alta da bolsa brasileira.

Wall Street no vermelho

“Em contraste, as bolsas americanas operam em leve queda”, observa o economista. O Dow Jones caiu 0,53%, enquanto o S&P 500 recuou 0,37%.

Os mercados foram “pressionados por indicadores de atividade mais fracos, incertezas sobre a política monetária e pela imprevisibilidade do ambiente político nos Estados Unidos”, detalha.

Portanto, esses são “fatores que reduzem o apetite por risco em Wall Street”, completa Iarussi.

Maiores altas e quedas

“As maiores altas do dia refletem justamente esse pano de fundo favorável às commodities e ao fluxo externo”, afirma o especialista.

Ações como Prio, Petrobras e Vale lideram os ganhos. Entretanto, “papéis de empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico ou a margens pressionadas, como varejo, figuram entre as principais quedas”.

CVC e Pão de Açúcar estão entre os destaques negativos. Portanto, refletem a pressão sobre o setor de consumo doméstico.

Dólar estável após quedas

“No câmbio, o dólar opera estável, com leve viés de alta após uma queda recente”, observa Iarussi. A moeda subiu apenas 0,05% nesta sexta-feira.

O movimento reflete “ajustes e ruídos domésticos”, segundo o economista. O dólar comercial encerrou a R$ 5,287 na venda.

Fatores compensam pressão

“Esses fatores, no entanto, têm sido parcialmente compensados pela fraqueza global da moeda americana”, explica Iarussi.

Além disso, destaca “a valorização das commodities, pelo carry trade ainda atrativo no Brasil e pelo fluxo positivo para a Bolsa”.

Consequentemente, isso “limita movimentos mais intensos” do dólar. O índice DXY caiu 0,75%, aos 97,63 pontos globalmente.

Juros futuros em compasso de espera

“Já os juros futuros permanecem praticamente estáveis”, observa o especialista. O mercado aguarda “em compasso de espera pela chamada Super Quarta”.

“A curva segue precificando a manutenção da Selic em 15% na próxima reunião”, afirma Iarussi. Além disso, indica “início do ciclo de afrouxamento apenas a partir de março”.

Portanto, a curva “reage pouco tanto ao comportamento do dólar quanto às oscilações dos rendimentos dos Treasuries”.

Expectativa para Super Quarta

“Na semana que vem temos decisão de política monetária, e a minha expectativa é de manutenção dos juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos”, projeta Iarussi.

“Acredito que o Comitê de Política Monetária deve manter a Selic em 15%”, afirma o economista. Ademais, espera que o Copom “adote um tom cauteloso no comunicado”.

Copom deve ser prudente

O comunicado deve reconhecer “a melhora da inflação corrente”, segundo o especialista. Entretanto, também deve reforçar “que as expectativas seguem acima da meta, o que justifica prudência”.

“Acredito que os cortes comecem em março”, prevê Iarussi. Portanto, o afrouxamento monetário ainda não deve acontecer na próxima reunião.

Fed mantém juros nos EUA

“Nos Estados Unidos, a expectativa também é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve”, afirma o economista.

O cenário americano está marcado por “dados econômicos mistos, volatilidade nos Treasuries e incertezas políticas”, detalha Iarussi.

Além disso, há “dúvidas sobre a sucessão de Jerome Powell” no comando do banco central americano.

Brasil se descola globalmente

“Esse conjunto de fatores, sem dúvidas, mantém os mercados globais mais defensivos”, analisa o especialista.

Ao mesmo tempo, isso “reforça o descolamento positivo do Brasil no curto prazo”, completa Iarussi.

Portanto, o cenário favorece ativos brasileiros. Consequentemente, o Ibovespa continua batendo recordes históricos enquanto Wall Street patina.