
A indústria automobilística brasileira encerrou 2025 com crescimento, embora os resultados tenham ficado abaixo das expectativas iniciais das montadoras. Ainda assim, houve avanço em produção, vendas, exportações e geração de empregos, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (15).
A produção totalizou 2,64 milhões de veículos, alta de 3,5% em relação a 2024. Com esse desempenho, o Brasil manteve a posição de oitavo maior produtor e sexto maior mercado automotivo do mundo.
“Esperávamos mais. Mas, mesmo assim, fechamos o ano no positivo”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Produção desacelera no fim do ano
Apesar do saldo anual positivo, o ritmo das montadoras perdeu força em dezembro. No último mês de 2025, foram produzidos 184,5 mil veículos, uma queda de 3,9% na comparação anual.
A desaceleração reflete ajustes nas linhas de montagem e um cenário de demanda mais cauteloso no fim do ano.
Vendas internas avançam, com destaque para dezembro
No mercado doméstico, as vendas de veículos somaram 2,68 milhões de unidades, crescimento de 2,1% em 2025. Em dezembro, o desempenho foi mais robusto, com alta de 8,5%, totalizando 279,4 mil veículos vendidos.
O resultado reforça a resiliência do consumo, mesmo em um ambiente de juros elevados.
Híbridos e elétricos ganham espaço no mercado
O maior destaque do ano ficou com os veículos híbridos e elétricos, cujas vendas avançaram 60,8% em 2025. Esses modelos representaram 11,2% do total comercializado no ano, participação que chegou a 14,9% em dezembro.
Grande parte desses veículos foi importada. Ao todo, 498 mil unidades vendidas em 2025 vieram do exterior, com a China respondendo por 37,6% desse volume.
Fim de incentivo a importados gera debate
No fim de janeiro, expira o programa que isentou do Imposto de Importação veículos semi montados (SKD), modelo utilizado por fabricantes como a BYD. Há pressão de empresas pela prorrogação do benefício.
A Anfavea, no entanto, se posiciona contra. “Julgo coerente e prudente o encerramento desse benefício”, disse Calvet. Segundo ele, a prorrogação significaria o empobrecimento da base industrial brasileira.
Exportações crescem no ano, mas dezembro decepciona
As exportações tiveram desempenho fraco em dezembro, com queda de 38,1%, somando 18,7 mil unidades, o pior resultado mensal desde abril de 2020.
No acumulado do ano, porém, houve forte expansão de 32,1%, com 528,8 mil veículos exportados. A Argentina puxou a alta, com crescimento de 85% na demanda. A receita com vendas externas atingiu US$ 13,5 bilhões.
Emprego cresce, apesar da crise nos caminhões
O setor encerrou 2025 com 109,6 mil trabalhadores nas montadoras, aumento de 2,3% frente a 2024.
O desempenho positivo, porém, foi parcialmente compensado pela crise no segmento de caminhões. Com juros elevados, as vendas recuaram 9,2% no ano. No segmento de caminhões pesados, a queda chegou a 20,5%, resultando na eliminação de 740 postos de trabalho.