Produção Industrial
Produção Industrial / Agência Brasil

Os dados da produção industrial de novembro reforçam a leitura de que o setor encerrou 2025 em um ritmo fraco e sem tração, com desempenho aquém do necessário para sustentar uma recuperação mais consistente da atividade. Além disso, a produção ficou estável na margem (0,0%), abaixo da expectativa do mercado, e confirma um cenário de indústria praticamente parada desde abril.

Na comparação interanual, houve queda de 1,2%, marcando o segundo resultado negativo consecutivo. Já a média móvel trimestral recuou 0,1%, interrompendo a sequência de leves avanços observada nos meses anteriores e sinalizando enfraquecimento no curto prazo.

Extrativa ainda sustenta números, mas perde força na margem

Parte relevante da explicação segue concentrada na indústria extrativa, que voltou a pressionar o resultado mensal. Em novembro, o segmento recuou 2,6%, impactado pela menor produção de derivados de petróleo, gás natural e minério de ferro.

Para Maykon Douglas, apesar da queda recente, o setor ainda exerce papel importante no agregado. “A indústria extrativa apresenta bons resultados acumulados, com alta de 3,6% em 12 meses, pois puxou o setor como um todo nas leituras passadas”, avaliou.

Esse movimento, no entanto, não tem sido suficiente para compensar a fraqueza estrutural observada nos demais segmentos.

Indústria de transformação segue “de lado” sob juros elevados

A indústria de transformação voltou a mostrar dificuldade para avançar. Em novembro, o setor registrou alta marginal de 0,2%, desempenho concentrado em poucos ramos, com destaque para a indústria farmoquímica e farmacêutica, que cresceu 9,8% no mês.

Segundo Maykon Douglas, o setor opera em um ambiente adverso. “Temos uma indústria rodando em dois trilhos: a extrativa com bons números acumulados e a indústria de transformação praticamente estagnada, efeito direto do aperto monetário”, afirmou.

Essa leitura é reforçada pelos dados do acumulado do ano. Até novembro, a indústria registra alta de apenas 0,6%, com clara desaceleração ao longo de 2025, sustentada quase exclusivamente pela extrativa.

Bens intermediários e duráveis ampliam sinal de fraqueza

O enfraquecimento também aparece quando se observa as grandes categorias econômicas. Em novembro, os bens intermediários caíram 0,6%, enquanto os bens de consumo duráveis recuaram 0,4%, segmentos diretamente ligados ao investimento e ao crédito.

Além disso, a taxa de difusão, percentual de setores com crescimento no mês, segue em patamar baixo. Na média móvel de 12 meses, o indicador permanece abaixo da média histórica pelo sexto mês consecutivo, assim evidenciando um desempenho fraco e pouco disseminado.

Quarto trimestre aponta estabilidade, não retomada

Na avaliação de Leonardo Costa, os números de outubro e novembro reforçam um cenário de estabilidade no quarto trimestre, sem sinais claros de retomada. “Novembro confirma uma indústria andando de lado ao longo de 2025, com tendência de curto prazo enfraquecida e crescimento anual mais fraco”, afirmou.

Segundo o economista do ASA, o comportamento da indústria está em linha com a expectativa para o PIB no período. “Os resultados indicam estabilidade no quarto trimestre de 2025, compatível com a projeção de crescimento modesto da economia”, completou.

Alívio depende do ciclo de cortes da Selic

O consenso entre os analistas é que a indústria de transformação só deve mostrar reação mais consistente quando o custo do crédito começar a cair de forma efetiva. Para Maykon Douglas, esse alívio não deve ser imediato. “Na minha opinião, o início dos cortes da Selic que realmente beneficiem os setores mais sensíveis ao crédito deve ocorrer a partir de março de 2026, não já em janeiro”, disse.

Até lá, a leitura predominante é de uma indústria que segue operando no limite, sustentada por poucos segmentos e com dificuldades para recuperar dinamismo.