Veja o resumo da noticia

  • IPCA de janeiro de 2024 registra alta de 0,33%, repetindo o índice de dezembro, com acumulado em 12 meses chegando a 4,44%.
  • Gasolina impulsiona a inflação, enquanto a energia elétrica residencial exerce efeito contrário, atenuando a alta geral dos preços.
  • Aceleração do IPCA em 12 meses mantém índice próximo ao teto da meta, gerando atenção do Banco Central e do mercado financeiro.
  • Expectativas do mercado apontam para possível início de cortes na Selic em março, influenciando juros futuros e o Ibovespa.
  • Investidores monitoram a persistência da pressão nos transportes, a dinâmica de serviços e a trajetória do IPCA em 12 meses.
IPCA
IPCA / Foto: Divulgação

O IPCA, a medida oficial da inflação, subiu 0,33% em janeiro, repetindo o mesmo ritmo de dezembro, segundo o IBGE. No entanto, o acumulado em 12 meses avançou para 4,44%, acima dos 4,26% do período imediatamente anterior.

O número mensal veio praticamente em linha com o mercado. Uma pesquisa da Reuters apontava 0,32% para janeiro e 4,43% em 12 meses, o que ajuda a explicar por que a primeira leitura do pregão tende a ser de “ajuste fino”, não de susto.

IPCA janeiro: o que puxou a inflação (e o que segurou)

Em janeiro, duas forças brigaram dentro do índice. De um lado, a gasolina subiu 2,06% e pressionou o resultado. Do outro, a energia elétrica residencial caiu 2,73% e funcionou como freio.

No recorte por grupos, Transportes teve alta de 0,60% e entregou o maior impacto do mês, de 0,12 ponto percentual. Já Comunicação apareceu como o grupo com maior variação, de 0,82%.

Inflação em 12 meses perto do teto: por que o mercado liga o alerta

A aceleração para 4,44% mantém o IPCA perto do limite superior do regime de metas (teto de 4,50%, considerando a meta de 3% e banda de 1,5 p.p.). Esse detalhe importa porque o Banco Central olha o filme, não só a foto.

Além disso, o mercado já vinha ajustando expectativas. O Boletim Focus mostrou nova queda na projeção de IPCA para 2026, agora em 3,97%, a quinta redução seguida.

Selic: como o dado conversa com juros e Bolsa

Com o IPCA do mês muito próximo do consenso, o foco migra para o que vem adiante. Em particular, o mercado quer saber se a inflação permite começar a reduzir o aperto monetário sem abrir a guarda.

Hoje, parte dos economistas já trabalha com o início do ciclo de cortes em março, após a Selic ficar em patamar restritivo. Uma pesquisa da Reuters publicada em janeiro indicou essa leitura como base do mercado, principalmente com atividade mais fraca e inflação mais “comportada” no curto prazo.

Na prática, isso mexe com três telas ao mesmo tempo:

  • Juros futuros: ajustam a velocidade (e o tamanho) dos cortes.
  • Dólar: reage ao diferencial de juros e ao humor externo.
  • Ibovespa: ganha tração quando o mercado enxerga juros menos “pesados” no horizonte.

O que observar agora

O dado-chefe saiu, mas o jogo continua. Daqui para frente, os investidores tendem a monitorar:

  • a persistência de pressão em itens ligados a Transportes e combustíveis;
  • a dinâmica de serviços e núcleos, que costumam ditar o “tom” do BC;
  • a trajetória do IPCA em 12 meses e a distância até o teto do regime de metas.