Brasília (DF), 07/08/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, conversa com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, durante cerimônia de inauguração escultura de Burle Marx no ministério da Justiça. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Brasília (DF), 07/08/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, conversa com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, durante cerimônia de inauguração escultura de Burle Marx no ministério da Justiça. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, deixará o cargo nesta sexta-feira (9). O Palácio do Planalto confirmou oficialmente a saída nesta quarta-feira.

Lewandowski já havia comunicado a decisão ao presidente Lula e aos secretários em dezembro. Dessa forma, a transição vem sendo preparada há algumas semanas.

Os motivos da saída

Segundo o próprio ministro, a decisão é motivada por cansaço e questões pessoais. Aliados afirmam que ele sente ter cumprido sua missão à frente da pasta.

Além disso, Lewandowski precisa ter mais tempo com a família, que sente sua falta. Portanto, o momento pareceu adequado para encerrar este ciclo.

“Após um período de dedicação intensa, entendo que é o momento de encerrar este ciclo e abrir espaço para novas lideranças”, afirmou o ministro.

Quem assume temporariamente

O secretário-executivo, Manoel Carlos de Almeida Neto, deve assumir ao menos interinamente. Enquanto isso, Lula busca um nome definitivo para o cargo.

A expectativa é que outros secretários também deixem a pasta. Consequentemente, o Ministério da Justiça pode passar por uma reformulação ampla.

Um efeito dominó na equipe

A possível saída de Lewandowski deve provocar um efeito em cadeia no Ministério. Vários secretários já manifestaram intenção de acompanhar o ministro.

Entre os nomes citados estão Manoel Carlos de Almeida Neto e Mario Sarrubbo. Alguns auxiliares pretendem disputar as eleições de 2026.

Marivaldo Pereira, secretário de Assuntos Legislativos, também planeja deixar o ministério. Seu objetivo é concorrer a deputado federal nas próximas eleições.

A trajetória de Lewandowski na pasta

Lewandowski tomou posse no Ministério da Justiça em fevereiro de 2024. Ele substituiu Flávio Dino, que foi para o Supremo Tribunal Federal.

Durante sua gestão, o ministro focou na modernização da Polícia Federal. Também trabalhou no combate à violência urbana e em políticas de proteção a grupos vulneráveis.

Além disso, implementou programas de inteligência integrados. Ampliou ações de cooperação entre forças de segurança e reforçou medidas de transparência.

Os projetos que ficam em aberto

Ao longo do mandato, Lewandowski apresentou propostas consideradas estratégicas, que ainda tramitam no Congresso Nacional. Entre elas, destacam-se a PEC da Segurança Pública e o Projeto de Lei Antifacção.

No entanto, essas propostas sofreram alterações durante a tramitação legislativa. Segundo auxiliares, as mudanças comprometeram parte dos objetivos originais defendidos pelo ministro.

Como resultado, a proposta acabou perdendo seu papel central de coordenação nacional. Isso, por sua vez, reduziu o entusiasmo de Lewandowski em permanecer no cargo até o fim do mandato.

Possível divisão do ministério

Com a saída do ministro, ganha força, dentro do governo, a discussão sobre o desmembramento da atual pasta. A proposta, nesse sentido, é separar as áreas de Justiça e Segurança Pública.

Lula, inclusive, já sinalizou interesse em recriar o Ministério da Segurança Pública. Vale lembrar que esse modelo já existiu em gestões anteriores do governo federal.

Entretanto, a decisão depende de fatores políticos relevantes. Além disso, está condicionada à tramitação da PEC que redefine as competências da União na área de segurança pública.

Reformulação ampla no governo

A saída de Lewandowski, por fim, integra um processo mais amplo de reformulação ministerial. Trata-se, portanto, de mais uma entre várias baixas previstas para o quarto ano de mandato.

Até abril, Lula pode ter mais de 20 ministros fora do governo. Diante disso, as atenções da classe política já se voltam para o calendário eleitoral.

Assim, o último ano do mandato tende a ser marcado por maior articulação política. Consequentemente, o espaço para aprovação e implementação de novos projetos deve se tornar mais restrito.