
A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central há cerca de dez dias, trouxe consequências imediatas para a indústria de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).
Levantamento da consultoria Uqbar, especializada em produtos estruturados, identificou que 58 fundos possuem vínculos operacionais com o conglomerado Master, totalizando um patrimônio líquido de 3,9 bilhões de reais.
Embora o volume seja expressivo em termos absolutos, o impacto para o setor como um todo deverá ser relativamente contido. Os fundos ligados ao Master representam apenas 1,5% do total de veículos da indústria de FIDCs e 0,5% do patrimônio líquido consolidado, segundo análise de Alfredo Marrucho, diretor da Uqbar.
O estudo revelou que o Master atuava em duas frentes distintas nesses fundos, a Master CCTVM (corretora de títulos e valores mobiliários) figurava como administradora de 52 FIDCs. Já o Banco Master participava como cedente de direitos creditórios em seis estruturas: Esmeralda, Moses, Structure, Voiter Consignado II, Voiter Consignado III e Long Life NP. No caso do FIDC Moses, o banco também exercia a função de agente de cobrança.
Apenas um fundo se pronunciou até agora
Até o momento, apenas o Voiter Consignado II publicou fato relevante sobre a liquidação do Master. Em comunicado divulgado no dia 21 de novembro, a administradora Banvox DTVM informou ter identificado títulos emitidos pelas instituições em liquidação dentro da carteira do fundo.
A gestora anunciou que mudará o preço desses ativos, com impacto limitado a 250 mil reais. No entanto, o documento alertou que o valor patrimonial do fundo pode sofrer redução, “com possíveis efeitos sobre resgates ou amortizações” o que significa que cotistas podem enfrentar dificuldades para resgatar seus investimentos ou ter o valor de suas cotas reduzido.
Impacto maior em fundos de pensão
Enquanto o impacto nos FIDCs será relativamente contido, outros segmentos foram atingidos com mais força pela liquidação do Master. Levantamento do Ministério da Previdência revelou que 18 fundos de pensão estaduais e municipais possuem 1,86 bilhão de reais investidos em letras financeiras do banco, valores que também não contam com proteção do FGC e entram na massa de credores.