Veja o resumo da noticia
- Governo Lula prioriza pragmatismo na política externa, buscando diálogo com governos de direita na América Latina e evitando tensões desnecessárias.
- Itamaraty intensifica ações diplomáticas com viagens estratégicas para fortalecer laços e apresentar a visão do Brasil a novos aliados regionais.
- Lula busca construir relação complexa com Trump, visando cooperação apesar de divergências e agendando encontro para selar nova fase bilateral.
- Brasil demonstra presença regional, sinalizando abertura para trabalhar com todos os líderes latino-americanos e propondo alternativa à doutrina Monroe.
- Encontros com líderes de direita, como Kast, visam cooperação em segurança e economia, demonstrando pragmatismo e buscando estabilidade regional.
- Governo busca evitar formação de bloco anti-Brasil, priorizando temas práticos como comércio e segurança, reconhecendo fragilidade de alianças.
- Diplomacia brasileira busca conter riscos de interferência eleitoral e preservar eleições, priorizando o combate ao crime organizado e cooperação policial.

O governo Lula mudou a estratégia de política externa. Agora, busca aproximação com governantes de direita na América Latina. Além disso, tenta construir uma imagem mais pragmática diante do retorno de Donald Trump à Casa Branca.
A nova abordagem já está em curso. Portanto, será prioridade do Itamaraty durante o primeiro semestre. Afinal, o Brasil terá eleições presidenciais em outubro.
Itamaraty em ação diplomática
O governo mobilizou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Ele fará viagens estratégicas para estreitar laços com diversos países. Assim, levará a visão do Palácio do Planalto aos novos aliados.
Em ano eleitoral, Lula quer reforçar uma face pragmática da política externa. Além disso, busca evitar desgastes em temas sensíveis. A Venezuela é um exemplo claro dessa preocupação.
Ligação com Trump abre novo capítulo
Na segunda-feira (26), Lula conversou por quase uma hora com Donald Trump. O telefonema marca mais uma etapa na construção de um relacionamento complexo. Afinal, os dois têm interesses opostos e um histórico de embates.
Eles agendaram uma visita de Lula a Washington para o fim de fevereiro. Portanto, esse encontro poderá selar a mudança de rota com os Estados Unidos. Consequentemente, pode definir o tom das relações bilaterais.
Na terça-feira (27), Lula desembarcou no Panamá. A viagem busca mostrar presença brasileira na região. Além disso, sinaliza disposição para trabalhar com todos os líderes latino-americanos.
O presidente quer reforçar a mensagem que publicou no The New York Times. Assim, apresenta uma proposta alternativa à nova doutrina Monroe sugerida por Trump. Portanto, defende que o hemisfério pertence a todos os países.
Encontros com ex-adversários políticos
A chancelaria brasileira trabalhou nos bastidores para viabilizar reuniões importantes. Durante a viagem à Cidade do Panamá, Lula se reuniu com novos presidentes do Chile e da Bolívia. Ambos são de direita e não tinham relações prévias com o petista.
A reunião com José Antonio Kast foi um dos primeiros compromissos no Panamá. Ele assumirá a presidência do Chile em março. Portanto, será o primeiro presidente eleito com vínculos à ditadura de Augusto Pinochet.
Kast elogia encontro construtivo
Kast é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, é crítico frequente de Lula. Ainda assim, o encontro rendeu resultados positivos.
“Os desafios da América do Sul em matéria de segurança e progresso econômico são enormes”, declarou Kast. Além disso, agradeceu a reunião construtiva com Lula em suas redes sociais.
Brasil propõe cooperação em áreas estratégicas
Lula destacou a importância de manter e aprofundar as relações bilaterais. Assim, enfatizou a disposição de ampliar cooperação em várias áreas. Entre elas estão infraestrutura, energia renovável, comércio e turismo.
O presidente brasileiro mencionou o programa Rotas de Integração Sul-americana. Portanto, destacou dois corredores bioceânicos que utilizarão portos chilenos. Consequentemente, facilitarão a integração entre Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile.
Segurança regional entra na pauta
Lula e Kast trataram da necessidade de promover estabilidade regional. Além disso, discutiram reforço à segurança pública. Assim, reconheceram a importância da cooperação para enfrentar desafios comuns.
O combate ao crime organizado ganhou destaque especial. Portanto, ambos concordaram em intensificar ações conjuntas nessa área.
Bolívia também no radar diplomático
Lula também espera conversar com Rodrigo Paz. O novo presidente boliviano encerrou duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo. Portanto, representa mais uma oportunidade de aproximação com a direita.
Integrantes do governo pregam internamente uma política externa pragmática. Dessa forma, querem evitar a formação de um grupo contra o Brasil. Afinal, temem uma aliança similar ao antigo Grupo de Lima.
Desgaste com Venezuela pesou na estratégia
Lula já havia se distanciado de Nicolás Maduro em 2024. Isso aconteceu após a fraude eleitoral em Caracas. Antes disso, o presidente brasileiro havia ajudado a reabilitar o ditador venezuelano.
Ele admitiu internamente o quanto se desgastou com o tema Venezuela. Portanto, isso influenciou a mudança de abordagem da política externa.
No ano passado, o governo percebeu um choque de realidade. As alianças políticas na América Latina estavam fragilizadas. Além disso, os principais foros regionais estavam bloqueados para consensos amplos.
Lula admite o fracasso de tentativas de recriar a Unasul. Além disso, reconhece pouco sucesso diplomático na Celac. Consequentemente, quer focar em temas mais concretos e sensíveis eleitoralmente.
Foco em temas práticos e eleitorais
O presidente pretende priorizar comércio e combate ao crime organizado. Assim, apresenta propostas de cooperação concretas. Entre elas está um plano enviado ao Departamento de Estado americano.
Outra iniciativa importante é o centro de cooperação policial em Manaus. Portanto, essas ações demonstram o novo pragmatismo da diplomacia brasileira.
O governo vislumbra uma nova onda à direita na região. Essa tendência deve isolar a esquerda no poder. Afinal, apenas México e Uruguai terão governos progressistas entre os países mais relevantes.
Há eleições importantes neste ano. Além do Brasil, Peru e Colômbia também escolherão presidentes. Portanto, há favoritismo para nomes da direita nesses países.
Risco de interferência eleitoral preocupa
A diplomacia quer conter danos e reduzir riscos. Apesar da boa relação com Trump, o governo brasileiro mantém cautela. Afinal, nada garante que Washington não tentará alguma interferência eleitoral.
Integrantes do governo ressaltam esse temor no Palácio do Planalto. Assim, uma prioridade é preservar as eleições de interferências externas. Portanto, o ambiente digital recebe atenção especial.
Vieira percorre América Latina
O ministro Mauro Vieira viajou esta semana a países governados pela direita. Assim, busca abertura de relacionamentos políticos. O chanceler faz três visitas próprias e acompanha Lula no Panamá.
Ele visitou na segunda-feira o ministro boliviano das Relações Exteriores, Fernando Aramayo. Portanto, reforçou o desejo de Lula de se reunir com Rodrigo Paz.
Nesta quinta e sexta-feira (29 e 30), Vieira desembarcará em Lima e Quito. Assim, se reunirá com os chanceleres do Peru e do Equador. Portanto, dará continuidade à estratégia de aproximação regional.
“Não focamos na orientação política de cada governante”, afirmou Gisela Padovan. A embaixadora é secretária de América Latina e Caribe. Além disso, garantiu que o Brasil manterá relação prioritária com todos os países.
Argentina mantém relação funcional
A despeito dos embates com Javier Milei, existe uma relação funcional com a burocracia argentina. Integrantes do governo ressaltam que os interesses privados também fluem. Afinal, as economias estão fortemente integradas.
O diálogo político ainda está travado com Lula. No entanto, isso não impede cooperação em outras áreas. Portanto, o pragmatismo prevalece sobre diferenças ideológicas.