
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro em dezembro de 2024. Porém, o encontro não apareceu na agenda oficial do Planalto. A reunião durou cerca de uma hora e meia no gabinete presidencial.
Nesta sexta-feira (23), em Maceió, Lula afirmou que “falta vergonha na cara” de quem defende Vorcaro. Contudo, o tom agressivo contrasta com a proximidade recente entre o governo e o Banco Master.
Articulação nos bastidores
O colunista Lauro Jardim do GLOBO revelou que ex-ministro Guido Mantega organizou o encontro. Segundo revelações recentes, ele recebeu R$ 1 milhão mensais como consultor do Master. Além disso, teria embolsado pelo menos R$ 16 milhões entre julho e novembro de 2025.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) teria intermediado a contratação de Mantega. Assim, o governo resolveu um problema antigo. Lula tentou empregar o ex-ministro em cargos públicos, mas enfrentou forte resistência do mercado.
Participantes do encontro
Estiveram presentes na reunião secreta diversos nomes do primeiro escalão. Gabriel Galípolo, então indicado para presidir o Banco Central, participou das conversas. Os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) também compareceram.
Augusto Lima, ex-CEO do Master, completou a lista de participantes. Ele mantém vínculos próximos com Wagner e Costa. Durante a conversa, alegou que grandes bancos conspiravam contra o Master.
Contexto político
Naquele período, Lula enfrentava Roberto Campos Neto no comando do BC. Portanto, o presidente reforçava seu discurso contra bancos privados. Criticava constantemente os juros altos e a concentração bancária no país.
Lula pediu a Galípolo que tratasse o caso com isenção. No entanto, já sob o comando de Galípolo, o BC decretou a liquidação do Master. Os técnicos identificaram fraude de R$ 12 bilhões ao sistema financeiro.
Contradições expostas
Mantega atuava como lobista pela venda do Master ao BRB. Mesmo assim, os problemas do banco já eram conhecidos na época da reunião. Logo depois da liquidação, ele deixou a consultoria.
As assessorias de Lula e Mantega não comentaram o caso. Wagner negou ter pedido emprego para o ex-ministro. Entretanto, os valores milionários pagos ao consultor levantam questionamentos sobre as reais intenções do encontro.
O episódio expõe as contradições entre o discurso público e as articulações privadas do governo. Enquanto isso, o mercado aguarda esclarecimentos sobre a omissão na agenda presidencial.