Veja o resumo da noticia

  • Lula e Macron discutiram a proposta americana do Conselho da Paz, a crise na Venezuela e o acordo comercial Mercosul-União Europeia.
  • Brasil e França defendem o fortalecimento da ONU e mostram preocupação com propostas alternativas como o Conselho da Paz dos EUA.
  • Lula condiciona a participação no Conselho da Paz à limitação do escopo à crise em Gaza e à inclusão da Autoridade Palestina.
  • Os presidentes demonstraram preocupação com a situação na Venezuela e condenaram o uso da força que viola o direito internacional.
  • O acordo Mercosul-União Europeia foi tema central, com Lula reafirmando seu apoio e importância para o multilateralismo.
  • Brasil e França avançam na cooperação bilateral em defesa, ciência, tecnologia e energia, visando novos acordos em 2026.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Emmanuel Macron nesta terça-feira (27). Durante uma hora, os líderes debateram a proposta americana do “Conselho da Paz”. Além disso, trataram da crise na Venezuela e do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

A conversa aconteceu um dia após Lula falar com Donald Trump. Portanto, a sequência de diálogos diplomáticos demonstra a articulação brasileira na política internacional.

Posição conjunta sobre o Conselho da Paz

Lula e Macron defenderam o fortalecimento das Nações Unidas durante a conversa. Segundo comunicado do Planalto, ambos concordaram que iniciativas de paz devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança. Consequentemente, manifestaram preocupação com propostas alternativas à estrutura atual da ONU.

Os Estados Unidos sugerem o “Conselho da Paz” como alternativa à ONU. Entretanto, Brasil e França entendem que essa proposta pode enfraquecer o sistema multilateral existente.

Críticas brasileiras à proposta americana

Trump reiterou o convite ao Brasil para integrar o Conselho da Paz. No entanto, Lula condicionou a participação a duas exigências específicas.

Primeiro, o presidente brasileiro quer limitar o escopo do conselho à crise em Gaza. Segundo, exige a inclusão da Autoridade Nacional Palestina nas discussões. Portanto, o Brasil mantém posição cautelosa sobre a iniciativa americana.

Preocupação compartilhada com a Venezuela

Os presidentes também discutiram a situação na Venezuela durante a ligação. Ambos condenaram o uso da força que viola o direito internacional. Além disso, concordaram sobre a importância da paz na América do Sul.

Nicolás Maduro foi preso pelas Forças Armadas dos EUA no início de janeiro. Posteriormente, as autoridades o levaram a um centro de detenção no Brooklyn, em Nova York.

As acusações apontam que Maduro lidera uma rede transnacional de tráfico de drogas. Essa rede teria conexões com cartéis mexicanos como Sinaloa e Los Zetas. Além disso, envolveria guerrilhas colombianas das FARC e o grupo venezuelano Tren de Aragua.

Maduro nega todas as acusações. Ele classifica o caso como manobra imperialista. Segundo o líder venezuelano, os Estados Unidos têm interesse nos recursos petrolíferos do país.

Acordo Mercosul-União Europeia em pauta

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi outro tema central. O tratado foi assinado em 17 de janeiro, na cidade de Assunção, no Paraguai. Contudo, ainda depende de ratificação pelos países signatários.

Lula reafirmou que considera o acordo positivo para ambos os blocos. Segundo ele, o tratado representa uma contribuição importante para o multilateralismo. Além disso, fortalece o comércio baseado em regras.

Cooperação bilateral entre Brasil e França

Os presidentes avançaram nas discussões sobre cooperação bilateral. As áreas prioritárias incluem defesa, ciência e tecnologia, e energia. Consequentemente, os líderes instruíram suas equipes técnicas a finalizar as negociações em andamento.

O objetivo é firmar novos acordos ainda no primeiro semestre de 2026. Portanto, Brasil e França trabalham para consolidar parcerias estratégicas nos próximos meses.

Essa aproximação demonstra o interesse mútuo em fortalecer relações bilaterais. Além disso, reflete o alinhamento entre os países em questões globais importantes.