Veja o resumo da noticia
- Lula propõe a Trump alterações no Conselho de Paz, focando atuação humanitária em Gaza e incluindo a Palestina nos debates.
- O Brasil demonstra preocupação com a amplitude de atuação do conselho e a ausência da Autoridade Palestina na elaboração.
- Objeções incluem presidência fixa dos EUA, custo elevado para assento permanente e a recusa de Trump em aceitar emendas.
- O Brasil busca brechas para renegociação, visando atuar na formulação das regras e evitar ser apenas figurante no conselho.
- Governo brasileiro vê riscos na falta de neutralidade do conselho e oportunidade para impulsionar a reforma da ONU.
- Plano de Trump evidencia falência do sistema multilateral e fortalece argumentos por reformas urgentes no cenário global.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs alterações no Conselho de Paz de Donald Trump. A conversa aconteceu nesta segunda-feira (26) e durou 50 minutos. Durante o telefonema, Lula apresentou pontos do estatuto que o Brasil considera problemáticos.
Em primeiro lugar, o petista sugeriu que o órgão se limite à questão humanitária em Gaza. Em segundo lugar, defendeu a previsão de um assento para a Palestina nos debates.
Problemas no estatuto
Ao mesmo tempo, o Palácio do Planalto identificou pontos críticos na proposta americana. Entre eles, a amplitude de atuação do conselho gera preocupação na diplomacia brasileira. Pelo texto, a organização poderia atuar em qualquer conflito que os Estados Unidos considerem relevante.
“O órgão não seria só sobre Gaza”, explica um auxiliar diplomático. Dessa forma, Washington poderia decidir unilateralmente onde intervir. Consequentemente, isso provoca desconforto entre diplomatas brasileiros.
Além disso, a Autoridade Palestina não participou da elaboração do estatuto. Para o Brasil, isso representa uma falha grave. Afinal, a Palestina integra o centro do conflito que motivou a criação do conselho.
Três objeções principais
Além dos pontos anteriores, a equipe de Lula identifica problemas estruturais na proposta.
Primeiro, a presidência seria fixa dos Estados Unidos. Diferentemente da ONU, não haveria rodízio no comando. Assim, Trump manteria controle permanente das decisões.
Segundo, o estatuto exige pagamento de US$ 1 bilhão para um assento permanente. Em valores atuais, isso equivale a cerca de R$ 5,5 bilhões. Por isso, diplomatas classificam o modelo como “paz mercantil”.
Terceiro, Trump já sinalizou que não aceita emendas ao texto. Ou seja, os países apenas aderem a um contrato pronto. Consequentemente, não há espaço para negociação ou ajustes.
Posição brasileira
Diante disso, o Brasil evita uma negativa direta aos Estados Unidos. No entanto, busca brechas jurídicas e políticas no estatuto. Assim, a estratégia é ganhar tempo para análise.
“O Brasil só participará se as bases forem renegociadas do zero”, afirma uma fonte diplomática. Portanto, o país quer atuar como formulador das regras. Além disso, não aceita posição figurante no conselho.
Segundo a avaliação interna, o debate pode avançar para o segundo semestre. Nesse cenário, o tema chegaria como pauta central da Assembleia Geral da ONU, marcada para setembro.
Riscos percebidos
Ao mesmo tempo, o governo brasileiro vê riscos na estrutura proposta. Afinal, um conselho sob presidência fixa dos EUA gera desconfiança. Ademais, há apoio explícito de apenas um lado do conflito.
Para auxiliares de Lula, isso compromete a neutralidade do órgão. Consequentemente, um conselho de paz precisa ouvir todas as partes envolvidas. Caso contrário, perde legitimidade internacional.
Oportunidade para reforma da ONU
Por outro lado, Brasília enxerga uma oportunidade estratégica. Nesse contexto, a movimentação em torno do conselho pode impulsionar debates necessários, especialmente sobre a paralisia atual da ONU.
Dessa forma, Lula pretende usar a situação como argumento. Em setembro, defenderá reforma do Conselho de Segurança. Assim, a estratégia busca democratizar o sistema multilateral.
“Se as mudanças não acontecerem, o mundo será governado por modelos como o de Trump”, alertam diplomatas. Por isso, eles planejam convocar outros líderes para a discussão.
Falência do sistema atual
Por fim, fontes diplomáticas fazem leitura pragmática do cenário. Na avaliação interna, o plano de Trump evidencia a falência do sistema multilateral atual. Isso ocorre porque o conselho só ganha força diante da incapacidade da ONU em resolver crises.
“Se Trump interromper o conflito em Gaza, será a prova definitiva”, avalia um auxiliar. Assim, isso mostraria que as Nações Unidas já não conseguem cumprir seu papel. Consequentemente, fortaleceria argumentos por reformas urgentes.
Enquanto isso, o Brasil acompanha os próximos desdobramentos. Paralelamente, segue analisando o estatuto em detalhes. Ao final, a decisão considerará aspectos jurídicos e políticos.