Veja o resumo da noticia

  • Novos vazamentos em minas da Vale em MG reacendem alertas sobre riscos ambientais sete anos após a tragédia de Brumadinho.
  • Especialistas apontam a necessidade de aprimorar o monitoramento e a gestão de estruturas minerárias para evitar desastres.
  • Vazamentos causam assoreamento, alteram cursos d'água e poluem ecossistemas aquáticos, exigindo anos para recuperação.
  • Governo de MG multa a Vale e suspende operações em minas após os vazamentos, aguardando comprovação de segurança.
  • Rompimento da barragem de Brumadinho completa sete anos sem responsabilização criminal e com legado de prevenção.
Quebra da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Quebra da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Na semana em que o rompimento da barragem de Brumadinho completou 7 anos, Minas Gerais registrou dois novos vazamentos ligados a estruturas da Vale. O primeiro ocorreu em 25 de janeiro, exatamente na data do aniversário da tragédia, na mina de Fábrica, na divisa entre Congonhas e Ouro Preto.

Cerca de 24 horas depois, um novo extravasamento foi identificado na mina da Viga, em Congonhas, com água alcançando o rio Maranhão, segundo autoridades locais.

Os episódios, embora sem vítimas, recolocaram em evidência os riscos ambientais associados às operações minerárias e servem de base para a análise de especialistas sobre monitoramento, prevenção e gestão dessas estruturas.

Impacto ambiental e lições não assimiladas

Para Antônio Giansanti, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, os episódios mostram que, apesar de avanços regulatórios após Brumadinho, o desafio segue na prática.

“Houve uma evolução de normas, mas há necessidade premente de avanço prático no monitoramento e na gestão dessas estruturas. Só se pode gerir o que se conhece, e o monitoramento permanente é indispensável”, afirma.

Além disso, mesmo quando não há rejeitos de barragem, Giansanti destaca que ocorrências desse tipo são graves do ponto de vista ambiental. “Não é corriqueiro ter essa ‘corrida de massa’ dessa magnitude em um período tão curto”, diz.

Segundo ele, os vazamentos provocam assoreamento, alteram o leito dos cursos d’água e geram um aporte concentrado de poluentes, capaz de afetar profundamente o ecossistema aquático. “Em muitas situações, são necessários anos para a recuperação”, completa.

O especialista avalia que monitoramento e manutenção preventiva mais rigorosos poderiam reduzir o risco desses eventos. Nesse sentido, tecnologias como poços piezométricos, capazes de medir o nível de água em estruturas de solo, e o acompanhamento contínuo das águas que saem desses barramentos são fundamentais para antecipar problemas e tornar o sistema mais resiliente.

Multas e suspensão de operações

Diante dos episódios, o governo de Minas Gerais multou a Vale em R$ 1,7 milhão e determinou a suspensão cautelar das operações da mina da Viga e da Cava 18 da mina de Fábrica, em Ouro Preto. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) determinou a suspensão cautelar das operações.

Segundo a pasta, as atividades só poderão ser retomadas após a comprovação de que não há risco de novos vazamentos. Na Cava 18, técnicos identificaram erosão e rompimento de uma leira de contenção na madrugada de domingo, por volta de 1h40, o que provocou o extravasamento.

Além disso, a lama atingiu áreas operacionais da CSN, como pátio, oficinas e posto de abastecimento. Por esse episódio, a Semad aplicou multa de R$ 1,3 milhão, por poluição ambiental, falha na comunicação do evento e impacto em área de terceiros.

Para Giansanti, as multas e suspensão de alvarás são necessárias, mas insuficientes. “O monitoramento contínuo permite conhecer como as estruturas se comportam em condições normais e diante de eventos atípicos”, ressalta.

7 anos de Brumadinho

O rompimento da barragem de Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019, deixou 272 mortos e, neste domingo (25), completa sete anos sem que a Justiça responsabilize criminalmente qualquer pessoa pelo desastre.

Para o professor, a tragédia ainda impõe um aprendizado claro: “o cuidado com as intervenções e o monitoramento que permita antecipar eventos prejudiciais ao ambiente e à sociedade”.

Na semana que marca os sete anos do desastre, os novos vazamentos reforçam que o legado de Brumadinho permanece aberto, e que a prevenção segue como o principal desafio da mineração no país.