Veja o resumo da noticia
- Real brasileiro se destaca em ranking de valorização cambial, impulsionado pelo enfraquecimento do dólar frente a outras moedas globais.
- Levantamento aponta que 22 moedas se valorizaram em relação ao dólar, com o peso chileno liderando e o real brasileiro em segundo lugar.
- Apesar da perda de força em relação a algumas moedas, o dólar mantém desempenho positivo no índice DXY, que o compara a divisas fortes.
- Instabilidade política nos EUA e busca por alternativas ao dólar influenciam a diversificação das reservas de investidores.
- Valorização do real impacta a economia brasileira, tornando importações mais baratas e exportações menos competitivas no mercado.

A moeda brasileira alcançou um feito notável em janeiro de 2026. Com isso, a moeda nacional passou a figurar entre as mais valorizadas do mundo no período.
De acordo com um levantamento da consultoria Elos Ayta, que analisou 28 moedas globais, o real apareceu na segunda colocação, com valorização de 5,9% frente ao dólar. Nesse sentido, o desempenho chamou a atenção do mercado.
Apenas o peso chileno superou a moeda brasileira. No mesmo intervalo, a divisa do Chile registrou alta de 6,2%, liderando o ranking.
Contexto de enfraquecimento do dólar
Esse desempenho positivo do real ocorre em um contexto específico. Ao mesmo tempo, o dólar apresentou enfraquecimento generalizado no mercado internacional.
Entre as 28 moedas monitoradas, ao todo, 22 se valorizaram frente ao dólar. Por outro lado, apenas cinco registraram perdas, enquanto uma permaneceu estável.
“O enfraquecimento do dólar não é homogêneo”, destacou a consultoria. Segundo a análise, as maiores desvalorizações cambiais concentram-se em economias específicas, e não de forma generalizada.
Top 5 do ranking
Logo após Chile e Brasil, surgem outras moedas com desempenho expressivo. Em primeiro lugar entre elas, a coroa norueguesa avançou 5,77%. Na sequência, o dólar australiano registrou valorização de 5,63%.
Por fim, o rand sul-africano fechou o top 5, com alta de 5,34%. Dessa forma, moedas de economias emergentes dominaram as primeiras posições do ranking.
Na outra ponta do levantamento, a rúpia indiana ocupou a última colocação. Nesse caso, a moeda se desvalorizou 1,96% frente ao dólar americano.
Tensões geopolíticas pressionam moeda americana
Apesar da perda de força do dólar em relação a várias moedas, é importante destacar que a divisa americana segue positiva em outro indicador relevante. O índice DXY acumula alta de 2,25% no período.
Esse índice, por sua vez, compara o dólar com seis moedas fortes. Entre elas, estão o euro, o iene japonês, a libra esterlina e o franco suíço.
Além do cenário econômico, fatores políticos também influenciam o câmbio. Atualmente, os Estados Unidos atravessam um período de forte instabilidade interna e externa.
O presidente Donald Trump adota uma política externa considerada imprevisível. Além disso, ele tem direcionado críticas até mesmo a aliados históricos. Internamente, protestos violentos marcam o período que antecede as eleições do Congresso.
Sistema financeiro busca alternativas
“O sistema financeiro global tornou-se excessivamente concentrado no dólar”, explica Fabio Ongaro, vice-presidente de finanças da Câmara Italiana de Comércio. Diante disso, o mercado passou a buscar alternativas.
Esse movimento, no entanto, ocorre não por pânico imediato, mas sim por cálculo estratégico. Paralelamente, o enfraquecimento do dólar acontece junto à valorização do ouro, sinalizando a busca por novos ativos de proteção.
Dólar não quebrou, mas perdeu exclusividade
“O dólar não quebrou”, reforça Ongaro. Ou seja, a moeda americana não perdeu sua função como principal meio de troca no comércio global.
Entretanto, uma mudança mais sutil está em curso. O dólar começou a perder sua exclusividade como ativo de refúgio. Por isso, essa transformação é considerada mais sensível do que uma quebra abrupta. Como consequência, investidores passam a diversificar suas reservas em busca de maior segurança.
Ranking das 10 moedas mais valorizadas
1º – Chile (Peso): 6,2%
2º – Brasil (Real): 5,9%
3º – Noruega (Coroa): 5,77%
4º – Austrália (Dólar): 5,63%
5º – África do Sul (Rand): 5,34%
6º – Rússia (Rublo): 5,12%
7º – Suécia (Coroa): 4,89%
8º – México (Peso): 4,34%
9º – Suíça (Franco): 3,95%
10º – Israel (Shekel): 3,24%
O que isso significa para o Brasil
A forte valorização do real traz efeitos diretos para a economia. De um lado, as importações se tornam mais baratas. Por outro, as exportações perdem competitividade no mercado externo.
Para o consumidor brasileiro, por exemplo, produtos importados ficam mais acessíveis. Além disso, viagens internacionais tendem a custar menos.
Em contrapartida, empresas exportadoras enfrentam desafios, já que passam a receber menos reais por cada dólar obtido com vendas externas.