Veja o resumo da noticia

  • Aumento das importações chinesas de soja brasileira impulsionado por produção recorde e preços competitivos no Brasil, a partir de fevereiro.
  • Colheita acelerada no Brasil pressiona os preços da soja, tornando-a mais atraente em relação às cargas americanas no mercado internacional.
  • Preferência de compradores privados chineses pela soja brasileira devido à tarifa de importação menor em comparação com a soja americana.
  • Estratégia chinesa de equilibrar volumes de importação com considerações políticas, como tarifas e relações com Taiwan.
  • Vantagem de preço da soja brasileira, chegando a US$ 0,75 por bushel, deve aumentar com a aceleração da colheita no país.
  • China já reservou entre 42 e 44 milhões de toneladas de soja brasileira, consolidando o domínio do Brasil no mercado.
  • Projeção de exportação de 85 milhões de toneladas de soja brasileira para a China, refletindo um aumento em relação ao ano anterior.
  • Forte demanda chinesa por farelo de soja, impulsionada pelo grande rebanho suíno, sustenta as importações do Brasil.
LAVOURA DE SOJA NA REGIÃO DE BALSAS - PRODUTOR ELDER CREMOZINE
LAVOURA DE SOJA NA REGIÃO DE BALSAS - PRODUTOR ELDER CREMOZINE

A China deve aumentar as importações de soja brasileira nos próximos meses. O país enfrenta produção recorde e preços altamente competitivos. Além disso, o Brasil reforça seu domínio no maior importador mundial de oleaginosas.

Processadores privados chineses fecham acordos para embarques a partir de fevereiro. Consequentemente, a colheita brasileira ganha ritmo e pressiona os preços para baixo.

Produção recorde pressiona preços brasileiros

A colheita acelerada aumenta a oferta no mercado internacional. Portanto, os preços da soja brasileira ficam cada vez mais atrativos. Essa dinâmica pode afetar a demanda por cargas americanas quando a temporada começar em setembro.

A produção brasileira em 2025/26 está prevista em recorde de 182,2 milhões de toneladas. Segundo a Agroconsult, esse volume reforça a competitividade do produto nacional. Além disso, garante oferta abundante para o mercado global.

Compradores privados chineses preferem soja brasileira

As compras de soja americana totalizaram cerca de 12 milhões de toneladas. Entretanto, estatais como Sinograin e COFCO realizaram todas essas aquisições. Portanto, os compradores privados ficaram de fora devido aos preços elevados.

A tarifa de 13% da China sobre a soja americana encarece o produto. Em contraste, a soja brasileira enfrenta apenas 3% de tarifa. Consequentemente, esmagadores privados preferem a origem sul-americana.

Dan Wang, diretor de China do Eurasia Group, explica a estratégia chinesa. “Os volumes atuais são limitados para manter atmosfera política positiva”, afirma. Além disso, destaca a importância da reunião de abril entre líderes.

Se o encontro produzir reduções de tarifas e garantias sobre Taiwan, a situação pode mudar. Entretanto, os volumes provavelmente permanecerão limitados. Portanto, questões políticas pesam nas decisões comerciais.

Soja brasileira oferece vantagem de até US$ 0,75 por bushel

As margens de esmagamento da soja brasileira permanecem favoráveis entre março e junho. Traders e analistas confirmam essa tendência à Reuters. Portanto, novos negócios continuam sendo fechados.

A soja brasileira embarcada em fevereiro custa pelo menos US$ 0,50 por bushel a menos. Para embarques de março, a diferença pode chegar a US$ 0,75. Consequentemente, a vantagem competitiva brasileira se amplia.

Preços devem cair ainda mais com aceleração da colheita

“Acho que a diferença vai aumentar”, afirma Dan Basse, presidente da AgResource Co. Segundo ele, a vantagem pode chegar a um dólar por bushel. Portanto, a colheita acelerada deve pressionar ainda mais os preços brasileiros.

Adelson Gasparin, corretor de grãos no sul do Brasil, reforça essa visão. “Nossa grande safra torna nosso produto mais barato”, explica. Além disso, essa vantagem deve durar até setembro, quando chega a nova soja americana.

China já comprou milhões de toneladas para o ano-safra

Empresas estatais chinesas compraram 12 milhões de toneladas dos EUA desde outubro. Entretanto, esse volume fica bem abaixo das 23 milhões de toneladas do ano-safra 2024/25. Portanto, as compras americanas permanecem limitadas.

A China reservou entre 42 e 44 milhões de toneladas de soja brasileira. Desse total, 23 a 25 milhões destinam-se ao período de fevereiro a agosto. Consequentemente, o Brasil domina o cronograma de importações chinesas.

Brasil pode exportar 85 milhões de toneladas para a China

Marcela Marini, analista do Rabobank, projeta exportações robustas. O Brasil deve enviar cerca de 85 milhões de toneladas entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Portanto, representa aumento de 6 milhões de toneladas sobre o ano anterior.

Em novembro, a soja brasileira para dezembro custava US$ 507,90 por tonelada. Enquanto isso, suprimentos do Golfo dos EUA saíam a US$ 516,90. Consequentemente, a China economizou entre US$ 31 e US$ 108 milhões em 12 milhões de toneladas.

O rebanho suíno da China continua grande, apesar dos esforços governamentais. Analistas não esperam declínio significativo antes do segundo trimestre. Portanto, a demanda por farelo de soja permanece forte.

Traders não esperam mais reservas americanas, citando preços altos e safras abundantes. “Não acho que isso funcione sem imposição do governo”, afirma um trader. Além disso, apenas compras de milho poderiam mudar o cenário nos portos brasileiros.

O domínio brasileiro no mercado chinês consolida a posição do país como principal fornecedor mundial. Consequentemente, os Estados Unidos enfrentam desafios crescentes para reconquistar espaço no gigante asiático.