
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou nas últimas 24 horas a seus interlocutores que será candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.
Além disso, o governador descartou completamente uma disputa presidencial. Segundo ele, a chance de concorrer ao Planalto é “zero”.
A declaração foi feita a aliados próximos. Portanto, isso encerra especulações recentes sobre suas ambições nacionais.
Cancelamento de visita gera polêmica
Recentemente, Tarcísio cancelou uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Muitos interpretaram isso como sinal de distanciamento político. Contudo, a avaliação no Bandeirantes é diferente. O cancelamento ocorreu após declarações de Flávio Bolsonaro.
O senador afirmou que Tarcísio ouviria do pai a recomendação de reeleição em São Paulo. Entretanto, o governador já vinha dizendo isso publicamente há semanas.
Lealdade acima de cálculos eleitorais
Tarcísio se incomodou com ataques crescentes do bolsonarismo. Nas últimas horas, essas críticas se intensificaram ainda mais.
Ele destacou que a lealdade é característica pessoal sua. Portanto, não se trata de um cálculo eleitoral.
Na verdade, o encontro com Bolsonaro tinha outro objetivo. Principalmente, manifestar solidariedade pela prisão do ex-presidente.
Articulação por prisão domiciliar
Alguns aliados revelaram uma estratégia em andamento. Tarcísio tem se unido a Michelle Bolsonaro nessa operação. Juntos, trabalham para que Alexandre de Moraes conceda prisão domiciliar a Bolsonaro. Isso demonstra o compromisso do governador com o aliado.
Além disso, mostra que sua lealdade permanece firme. Mesmo diante das pressões e críticas recentes.
Posição independente em relação a Flávio
A leitura é clara para o governador. Como governador de São Paulo, ele não pode ser subserviente a Flávio Bolsonaro.
Portanto, não mergulhará desde já na campanha presidencial do senador. Isso não significa, contudo, que entrará na disputa nacional.
Ao contrário, Tarcísio quer ser ouvido. Principalmente diante do cenário que se desenha para a direita em 2026.
Divergências na família Bolsonaro
Dentro da própria família, há divergências sobre a candidatura de Flávio. Michelle Bolsonaro tem se posicionado de forma independente. Seu acesso ao eleitorado feminino e evangélico é essencial. Consequentemente, isso pode ser decisivo para a vitória da direita.
Ademais, a candidatura de Flávio precisa de construção. Tanto dentro da direita quanto entre agentes econômicos.
Desafios da candidatura Bolsonaro
Há ainda outra questão relevante. O recall de Jair Bolsonaro ajuda Flávio no primeiro turno. Porém, pode atrapalhar em um eventual segundo turno. Isso demanda trabalho adicional para consolidar o nome.
Portanto, apresentar Flávio como fato consumado não basta. É necessária uma estratégia mais ampla.
Tarcísio em posição favorável
No Palácio dos Bandeirantes, a análise é pragmática. Nas condições atuais, Flávio depende mais de Tarcísio.
O governador possui aprovação na casa de 60% em São Paulo. Além disso, caminha para uma reeleição tranquila.
Logo, Flávio precisaria mais do apoio de Tarcísio contra Lula. Essa é a conclusão dos aliados do governador.
Nesse entendimento, as ameaças do bolsonarismo têm efeito limitado. Lançar um nome da direita contra Tarcísio seria contraproducente.
Afinal, isso prejudicaria mais o próprio bolsonarismo. Consequentemente, enfraqueceria toda a direita no estado mais importante do país. Por isso, Tarcísio mantém sua posição. E segue firme no projeto de reeleição estadual.