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As crises recentes que já afetaram a Petrobras; veja

Em seus anos de história, a Petrobras já viveu e superou algumas crises. Um levantamento do portal Infomoney selecionou quatro delas, listando também o comportamento das ações nos períodos de maior abalo. Veja:

2020 – Pandemia da Covid-19

No começo de 2020, as ações preferenciais da Petrobras vinham de um período de três meses cotadas a cerca de R$ 30. Em cerca de um mês, entre fevereiro e março, os papéis deduram ao patamar dos R$ 11. A queda aconteceu em meio à eclosão da pandemia de coronavírus, que derrubou a demanda por petróleo e deu início a uma guerra de preços entre países produtores. A Rússia e as nações associadas à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não se entenderam quanto aos níveis de produção.

Diante do impasse, que já vinha causando impactos sobre os preços, a Arábia Saudita – um dos países com condições mais competitivas de produção – anunciou a decisão de aumentar os níveis de extração.

Em um contexto de perspectiva de excesso de oferta e demanda em baixa, dadas as restrições de circulação por conta da pandemia, o valor da commodity no mercado global despencou. Contratos futuros chegaram a ser negociados a valores negativos, algo inédito.

2018 – Greve dos caminhoneiros

A alta dos preços dos combustíveis, sobretudo do diesel, levou os caminhoneiros a paralisar as atividades e gerou um imenso caos no país por cerca de 10 dias, em maio de 2018. As cadeias de abastecimento foram afetadas, com impactos sem precedentes sobre a distribuição de alimentos, insumos médicos, entre outros. Na época, o então Ministério da Fazenda chegou a estimar que a paralização tenha eliminado 1,2 ponto percentual do crescimento do PIB daquele ano.

As ações preferenciais da Petrobras recuaram 44% entre 15 de maio e 15 de junho, aprofundando as perdas com a renúncia de Pedro Parente, que presidia a estatal à época. Só no dia do anúncio da sua saída, os papéis recuaram quase 15%.

Parente comandava a Petrobras havia dois anos, tendo substituído Aldemir Bendine, envolvido nas denúncias feitas pela Operação Lava Jato. Durante sua gestão foi estabelecida a política de preços dos combustíveis, baseada em dois fatores: a paridade com os valores praticados no mercado internacional e uma margem para remunerar riscos inerentes à operação, como a volatilidade da taxa de câmbio e os tributos.

2017 – Joesley Day

A B3 ativou seu primeiro circuit breaker em mais de 10 anos no dia 18 de maio de 2017, e as ações da Petrobras contribuíram para esse cenário.

A data ficou conhecida como “Joesley Day”. Havia sido divulgado um áudio gravado por Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS, de uma conversa sua com o então presidente da República Michel Temer.

O áudio dava a entender que Temer dava seu aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, preso por desdobramentos relacionados à operação Lava-Jato. A reação do mercado – que passou a enxergar a renúncia de Temer como uma possibilidade real – foi aguda.

2014 – A Lava Jato

Os anos de 2014, 2015 e parte de 2016 foram marcados por perdas sucessivas de valor da Petrobras no mercado em função das revelações da Operação Lava Jato, iniciada em março de 2014.

O envolvimento da Petrobras no esquema de corrupção – baseado em cobrança de propina de empreiteiras, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e superfaturamentos de obras públicas – ficou conhecido como “Petrolão” e minou a confiança dos investidores na estatal.

Membros do alto escalão da empresa foram presos, como Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento), Nestor Cerveró (ex-diretor da área Internacional e ex-diretor financeiro da BR Distribuidora), Renato Duque (ex-diretor de Serviços), Pedro Barusco (ex-gerente-executivo de Engenharia), Jorge Zelada (sucessor de Cerveró na área Internacional), entre outros.

Os problemas causados pela corrupção levaram a Petrobras a registrar, em 2014, o maior prejuízo anual desde 1991. A companhia informou que a baixa contábil pelo esquema de pagamentos investigado pela Lava Jato havia superado R$ 6 bilhões.

Entre 1º de janeiro de 2014 e 31 de dezembro de 2015, as ações preferenciais da Petrobras perderam 57% do seu valor.

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