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Após 1 ano de pandemia, bancos mudam seu relacionamento com clientes inadimplentes

O Quitei analisou propostas de negociações dos 5 principais bancos do País e existem ofertas com mais de 90% de descontos para pagamentos de dívidas e muita facilidade para negociar.

Santander, Bradesco, Nubank, Banco do Brasil e Caixa Econômica estão com propostas agressivas para liquidar a inadimplência. Isso pode ser observado pelo menor índice histórico da inadimplência.

Na média, o brasileiro nunca esteve com as contas tão no azul quanto agora. O ano de 2020 deixou milhões de desempregados e no qual até quem tem carteira assinada perdeu uma parte do salário. Paradoxalmente o que temos é a menor taxa de inadimplência da história.

Mas ela não aconteceu por uma corrida para pagar os boletos em atraso, nem para zerar de vez o cheque especial. É o resultado de grandes programas de negociação de dívidas entre bancos e clientes. Além disso o volume total de créditos prorrogados chegou a casa dos R$ 900 bilhões, ou 1/4 de todos os empréstimos no Brasil.

Fim do Prazo

O ponto é que o prazo maior para pagar as dívidas ficou para trás e os boletos voltaram a vencer. Pior, a interrupção do pagamento do auxilio emergencial e agora com sua provável volta com valores menores (R$ 250,00) e o fim do auxilio a empresas com a folha de pagamento já podemos observar outro comportamento.

A conta de luz ajuda a entender o problema: quando os R$ 600 do auxilio estavam abastecendo as contas de milhões de brasileiros, mais precisamente em abril de 2020, o índice de atraso nas contas de energia caiu. A Aneel (agência reguladora do setor elétrico) chegou a falar em inadimplência negativa, quando clientes pagam mais do que devem no mês.

Em setembro quando o auxilio caiu para R$ 300, os atrasos voltaram a subir. Dados da Aneel, divulgados pela agência Reuters, apontaram que, entre 1° e 25 de setembro, a inadimplência no setor elétrico foi de 3,05%.

Então, juntando os dados dos bancos com essa leitura da conta de luz, dá para afirmar que, sim, em 2021 vai ter mais atraso. A questão é: quanto?

O Quitei entrevistou o advogado Ricardo Luna, que trabalha na linha de frente, especialista em recuperação de crédito e contancioso de massa.

Quitei:A pandemia mudou a vida de todos, com a cobrança não poderia ser diferente. Quais as principais mudanças que você tem visto nesse mercado?

Ricardo Luna:Sem dúvida a pandemia do novo Coronavírus gerou um cenário sem precedentes, cujos impactos trouxeram uma necessidade de mudança no cotidiano das pessoas, especialmente no mercado de trabalho, especialmente no setor de cobrança e Recuperação de Crédito. No âmbito negocial preventido, o primeiro passo foi a adaptação ao novo cenário com a redefinição das réguas de cobrança com critérios mais flexíveis. Por outro lado, nos casos de inadimplência foi essencial a análise do histórico do cliente para customizar a melhor solução a ser adotada diante do novo cenário.

Quitei: Com a convergência cada vez maior das pessoas para o ambiente virtual, você acredita em mudanças tecnológicas para o setor?

Ricardo Luna: Entendo que o uso de tecnologia demonstra-se essencial para a manutenção do setor de cobrança e Recuperação de crédito durante a pandemia. Nesse contexto, observamos que novas modalidades de negociação ganharam espaço, dentre elas a mediação online, a autocomposição e a negociação via chat.

Quitei: e para o futuro? O que podemos esperar da inadimplência no pós pandemia? Acredita em uma retomada forte da economia?

Ricardo Luna: O cenário econômico pós pandemia ainda é incerto sendo que provavelmente a retomada da economia se dará de forma gradativa, especialmente nos setores que tiveram maior impacto nos últimos meses, como entretenimento, viagens e turismo. Sendo assim, entendo que continuaremos tendo que pensar em soluções de cobrança customizadas para atender a situação de cada cliente.

Quitei: Nós somos uma plataforma totalmente disruptiva dos atuais modelos de cobrança. Queremos uma grande transformação através da educação financeira, transformando devedores em poupadores. Como você vê essa oportunidade de educar no momento da inadimplência? Já passou por alguma situação em que a educação foi fator preponderante para um potencial risco de calote?

Ricardo Luna:No meu ponto de vista a educação financeira deveria fazer parte da grade curricular escolar uma vez que os efeitos da boa educação financeira refletem não só na vida do indivíduo mas na sociedade. Não raras vezes notamos que a inadimplência foi ocasionada por falta de planejamento financeiro, seja por pessoas físicas ou jurídicas. Sendo assim, entendo que a educação está intimamente ligada ao risco de calote. A pessoa ou empresa que possui clareza das condições contratadas e das condições financeiras para honrar o compromisso raramente caem na inadimplência, salvo em caso fortuito e/ou força maior.

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