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Após atritos, presidente do BB avisa Bolsonaro que não quer mais seguir no cargo

GUSTAVO URIBE, FÁBIO PUPO E RICARDO DELLA COLETTA - BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

 O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi informado na quinta-feira (25) que o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, não pretende seguir no cargo.

Segundo assessores presidenciais, a informação foi transmitida ao presidente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que defende a permanência do economista à frente da instituição financeira.

Após desavenças em janeiro com Brandão, Bolsonaro manifestou interesse em trocá-lo do cargo, mas não pretendia fazê-lo agora, sobretudo para não gerar mais desgaste após a intervenção na Petrobras.

Apesar de integrantes do bloco do centrão manifestarem interesse na indicação do cargo, o presidente disse a membros do governo que quer um nome com experiência no setor bancário, já que, na avaliação dele, a instituição financeira é estratégica para o governo federal.

Desde quinta-feira (25), um nome que vem sendo defendido no Palácio do Planalto é o do atual presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. Mas o nome não é visto como certo.

Também chegou a ser ventilado o nome de Gustavo Montezano, atual presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e próximo à família Bolsonaro. Mas fontes garantem que ele permanecerá na instituição de fomento.
Outro nome citado é o secretário-executivo do Ministério da Cidadania, Antônio Barreto.

No BB, o clima é de desânimo desde o anúncio do enxugamento da estrutura no mês passado. Em janeiro, o banco aprovou o fechamento de 361 unidades e dois programas de demissão voluntária.

O anúncio irritou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e desencadeou um processo de fritura de Brandão, presidente do BB. Auxiliares no Palácio do Planalto afirmaram que o executivo poderia ser demitido.

A repercussão do plano de enxugamento e as queixas no Congresso Nacional aumentaram a pressão sobre Brandão. Deputados e senadores reclamaram que estavam sendo cobrados por prefeitos onde agências do banco encerrariam suas atividades.

Pesou o fato de o anúncio ter ocorrido em plena campanha pelo comando da Câmara, quando o Planalto estava articulando a candidatura do atual presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

A divulgação do enxugamento do BB ainda coincidiu com o anúncio da Ford do fechamento de suas fábricas de veículos no Brasil e a consequente demissão de 5 mil empregados.

Apesar da irritação, uma intervenção de Guedes e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, conseguiu arrefecer os ânimos de Bolsonaro e dar sobrevida à gestão de Brandão no BB.

Os argumentos a favor de Brandão eram que o plano de enxugamento melhoraria os números do banco e as demissões seriam voluntárias, gerando benefícios ao empregado que decidisse sair.

Recentemente, no entanto, a tese de queda do executivo voltou a ganhar força depois que Bolsonaro trocou o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e disse que iria fazer mais intervenções ameaçando um “tubarão”, sem dar nomes.

Pessoas próximas ao executivo disseram que ele estava incomodado com o desgaste e a fritura por razões políticas. A troca de comando na Petrobras reforçou o temor de uma demissão da mesma forma considerada atabalhoada vista na petroleira.

A troca na presidência da Petrobras -com a saída de Roberto Castello Branco e a indicação do general Joaquim Silva e Luna- gerou forte reação do mercado.

Mesmo com os sucessivos golpes sofridos pela equipe econômica nas últimas semanas, membros do time de Guedes ouvidos pela reportagem minimizam.

No caso da troca de comando da Petrobras, por exemplo, é mencionado que Guedes apenas recomendou o nome de Castello Branco e que o executivo respondia, na verdade, ao Ministério de Minas e Energia.

Segundo interlocutores, o importante é não haver distração para a prioridade de Guedes neste momento -que é a PEC (proposta de emenda constitucional) Emergencial. Nas palavras de um membro da Economia, essa é o tema de principal relevância agora e o resto é tratado como crise fictícia.

A PEC Emergencial cria o auxílio emergencial em 2021 e promove ajustes nas contas públicas no médio e longo prazo. O texto está em tramitação no Senado com perspectiva de votação em breve.

De qualquer forma, integrantes da Economia concordam que houve um crescimento no governo de uma agenda que limita a visão liberal do ministério, inclusive por causa do crescimento da participação militar no Executivo (mais afeita ao controle estatal).

Mesmo assim, membros da pasta insistem que o diagnóstico é de falta dinheiro e uma enorme dívida pública, o que reforça a necessidade de políticas liberais para atrair capital privado.

São reconhecidas dentre os integrantes as dificuldades para implementar essa agenda. Por isso, limitar a expansão dos gastos já é considerado por eles um grande passo.

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