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Brasileiros estão temerosos em relação ao futuro da economia

O medo do desemprego e falta de vacinas são os temas que mais preocupam os brasileiros, diz pesquisa.

O temor do impacto da pandemia da Covid-19 no Brasil vem crescendo de forma incomum. Até o momento, oito em cada dez brasileiros (78%) alegam que as consequências serão “devastadoras” para o país.

No final de março de 2020, quando a crise sanitária havia se alastrado de forma considerável no Brasil, esse grupo dispunha de 59% da população. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Travessia.

O motivo para o aumento do número de pessoas temerosas, de acordo com Renato Dorgan Filho, analista e sócio do Travessia, é o cenário que o país enfrentou nos últimos meses, “As entrevistas foram feitas em meio à acentuada degradação do cenário”, afirma Dorgan. “Foi nesse momento que o contágio explodiu e o total de mortes diárias provocadas pela doença no Brasil saiu da casa dos 1,5 mil, que já era alto, para atingir picos de até 4,2 mil. Passamos a viver uma situação de colapso”.

Segundo a pesquisa, o medo do “desemprego” concentrou 37% das “aflições”. Seguido da “falta de vacinas”, com 20%, e no mesmo patamar a “segurança” e a “inflação”, com 16% cada.

Somente uma pequena parcela de 9% acreditam que a situação econômica brasileira irá melhorar este ano. Em contrapartida, 47% acreditam que só haverá uma melhora em 2022, e para 35% isso deve “demorar muito”. Ainda há aqueles que estão “desiludidos”, 6% afirmam que “nunca vai melhorar”.

O pesquisador da área de economia aplicada do FGV Ibre, Manoel Pires, aborda que “com uma vacinação em massa, uma parte importante do nó atual será desfeita. Para isso, a baixa velocidade de imunização tem de mudar. Hoje, cerca de 14% dos brasileiros tomaram pelo menos a primeira dose do imunizante. É pouco”, afirmou.

Apesar da afirmação de Pires, Márcio Holland de Brito, professor da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV- EESP), aponta para uma solução. Para o professor a recuperação pode ser fomentada através da extração de capital de cerca de R$ 106 bilhões, que segundo a Valor, são resultantes do alargamento do teto de gastos, em 2022.

Segundo Holland é possível fazer um “microplano Biden” – referenciando o projeto de investimento do presidente dos EUA -, utilizando a quantia para obras públicas. “Mas seria necessário organizar o quanto antes um projeto executivo para a execução de trabalhos desse tipo, contando com a análise dos órgãos de controle e eventuais desembaraços de licenciamentos”, afirma o acadêmico. “Caso contrário, esse dinheiro vai ser consumido com o custeio da máquina. E isso não vai gerar o menor efeito multiplicador na economia”.

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