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China diz que reduzirá uso de carvão e apostará em ‘Cinturão e Rota Verde’

Em discurso na Cúpula do Clima, o dirigente Xi Jinping reafirmou que a China começará a baixar suas emissões de gases poluentes antes de 2030 e que pretende atingir a neutralidade em carbono em 2060, promessas que já haviam sido feitas em dezembro.


No evento virtual organizado pelos Estados Unidos nesta quinta (22), Xi afirmou que seu país começará a reduzir o consumo de carvão no período de 2026 a 2030. A fala sugere que o uso desse combustível fóssil na China, de longe o mais alto do mundo, atingirá um pico em 2025 e começará a cair depois disso.


Mais cedo, o governo chinês havia dito que planeja diminuir já neste ano a participação deste combustível em sua matriz energética, para menos de 56%. No entanto, o país seguirá aprovando novos projetos que envolvem carvão.


Tanto a China quanto a Índia e a Rússia não anunciaram novas metas ambiciosas de redução de emissões, como propôs o evento. Os três países formam o grupo Brics, junto com a África do Sul e o Brasil.


Em sua fala, o líder chinês fez uma defesa do meio ambiente e a relacionou aos objetivos econômicos do país. “Montanhas verdes são montanhas de ouro. Proteger o ambiente é proteger a produtividade, e melhorar o ambiente significa acelerar a produtividade. A verdade é simples assim”, afirmou.


Ele também disse que a China buscará estimular o desenvolvimento sustentável no exterior e falou em “Green Belt and Road”, em referência ao projeto Cinturão e Rota, que financia a construção de estradas, pontes, portos e outras estruturas em países do exterior.


Xi defendeu que a transição para uma economia mais limpa seja feita sem deixar de lado o desejo das pessoas de melhorarem de vida e pediu que os países mais ricos ajudem os mais pobres nesta tarefa, pois ela será mais desafiadora para as nações em desenvolvimento.


“Temos que entregar igualdade e justiça social nesta transição ambiental. A China se comprometeu a passar do pico de carbono para a neutralidade de carbono em um período de tempo muito mais curto do que o necessário para muitos países desenvolvidos, e isso requer esforços extraordinariamente árduos”, disse o dirigente.


O dirigente citou, ainda, o multilateralismo e o respeito às leis internacionais, o que pode ser interpretado como uma crítica à tentativa dos EUA de ser um líder global nas questões climáticas em vez de deixar este processo sob comando de entidades internacionais, como a ONU.

O discurso também destacou a Conferência da Biodiversidade, prevista para ser realizada na capital Pequim ainda em 2021.
Xi foi o primeiro líder estrangeiro a falar no evento, após a abertura feita pela vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, do presidente americano, Joe Biden, e de António Guterres, secretário-geral da ONU.


Logo após Xi, o premiê Narendra Modi fez seu discurso, no qual disse que a Índia pretende avançar no uso de energias limpas, e colocou como meta alcançar 450 GW de capacidade instalada de geração de energia renovável até 2030. Como comparação, a usina de Itaipu gera 14 GW anuais, que respondem por 10,8% da energia elétrica consumida no Brasil.


Modi ressaltou que a emissão de gases de efeito estufa na Índia são 60% inferiores à média global, e relacionou isso ao estilo de vida indiano.


O presidente russo, Vladimir Putin, propôs dar tratamento preferencial para investimentos estrangeiros em projetos de energia limpa, mas deixou claro que acredita que os problemas “vêm de antes”, em uma referência aos Estados Unidos e Europa, que poluíram muito por décadas.


A Cúpula do Clima reúne 40 líderes mundiais. Ela foi convocada por Joe Biden para estimular outros países a ampliarem suas metas de redução de poluentes, de modo a atingir os objetivos do Acordo de Paris, de 2015. Acompanhe aqui a cobertura em tempo real do evento.

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