A Azul (AZUL4) obteve aprovação para todos os pedidos apresentados ao Tribunal dos EUA durante a chamada audiência do “Segundo Dia”, no processo de recuperação judicial (Chapter 11) da companhia aérea.
Segundo o fato relevante divulgado ao mercado na noite de quarta-feira (9), não houve qualquer objeção por parte da autoridade em nenhum dos pedidos feitos pela Azul.
“A aprovação dos pedidos, que já havia sido concedida interinamente na audiência de ‘Primeiro Dia’, garante a continuidade do processo, como planejado pela companhia, na trajetória rumo a uma reestruturação bem-sucedida”, diz o documento.
A audiência sucede e torna permanentes as decisões tomadas na audiência do “Primeiro Dia”, realizada logo após a Azul ingressar com o pedido de Chapter 11.
Na ocasião, entre outras medidas, o tribunal autorizou o acesso imediato a US$ 250 milhões do financiamento DIP, linha de crédito voltada a empresas em recuperação judicial, dentro de um pacote total de US$ 1,6 bilhão.
A companhia informou que, ainda em julho, está prevista pelo menos mais uma audiência para deliberar sobre aprovações pendentes.
Azul avança na recuperação judicial e mira saída do Chapter 11 até o início de 2026
A Azul ingressou voluntariamente com o pedido de Chapter 11 em maio, tornando-se a terceira grande aérea atuante no Brasil a recorrer ao mecanismo.
No entanto, a empresa afirma que seu processo é mais estruturado, com diversos acordos já firmados, e está no radar deixar a recuperação judicial entre o fim deste ano e o início de 2026, previsão que também é compartilhada por analistas do mercado.
Entre os avanços, a Azul já fechou acordos de apoio à reestruturação com seus principais parceiros financeiros, incluindo a AerCap, maior arrendadora de aeronaves da companhia, e as aéreas United e American Airlines. Esses acordos envolvem:
- Aproximadamente US$ 1,6 bilhão em financiamento ao longo do processo;
- A eliminação de cerca de US$ 2 bilhões em dívidas;
- E até US$ 950 milhões em financiamento adicional garantido por ações (equity) ao final da reestruturação.
Segundo o CEO John Rodgerson, a decisão de entrar no Chapter 11 foi motivada pela pressão da pandemia sobre a estrutura de capital da empresa, agravada pela deterioração macroeconômica e pelos gargalos na cadeia de suprimentos do setor aéreo.
Outro fator que impactou a saúde financeira da Azul foi o atraso no desembolso do pacote de crédito de R$ 4 bilhões aprovado pelo Congresso em 2024 para socorrer companhias aéreas.
O valor só começará a ser liberado no final de setembro deste ano, fora do cronograma inicialmente previsto.