Depois das novas imposições de tarifas dos EUA sobre a China, o país asiático decidiu retaliar com taxas na mesma proporção (34%) nesta sexta-feira (4). Com o movimento, espera-se que Pequim acelere a procura por fornecedores alternativos de produtos agrícolas, incluindo o Brasil, uma mudança que começou durante a guerra comercial do primeiro mandato do presidente Donald Trump (2017 – 2021).
A China revelou uma série de contramedidas, incluindo tarifas adicionais de 34% sobre todos os produtos dos EUA. Essas medidas se juntam às tarifas de 10% a 15% que já eram aplicadas sobre cerca de US$ 21 bilhões em comércio agrícola no início de março.
“É como fechar todas as importações agrícolas dos EUA. Não temos certeza se alguma importação será viável com a tarifa de 34%”, disse um trader de uma empresa de comércio internacional com sede em Cingapura, segundo a “Reuters”.
“O principal impacto será em produtos como soja e sorgo. Não será tanto sobre o trigo e o milho, já que a China não tem comprado muito trigo e milho dos EUA este ano”, acrescentou o trader.
Além disso, um comerciante de grãos europeu afirmou que a UE (União Europeia), que também tem promessas de retaliação às tarifas de Trump, provavelmente também aplicará tarifas sobre a soja dos EUA.
Com as tarifas impostas em março, o afastamento das importações de soja dos EUA acelerou, com a China transferindo a demanda para o Brasil. A abundância da safra da commodity torna o País propício para entregar um aumento recorde de importações para a China no segundo trimestre.
“O Brasil será de longe o principal beneficiário, o maior fornecedor que pode substituir a soja dos EUA para a China. Mas outros também poderão se beneficiar, inclusive a Argentina e o Paraguai. Com relação ao trigo, a Austrália e a Argentina devem se beneficiar”, disse Carlos Mera, chefe de Pesquisa de Mercado Agrícola do Rabobank, de acordo com a “Reuters”.
Fitch rebaixa rating da China devido a riscos da dívida
A Fitch decidiu rebaixar o rating de longo prazo em moeda estrangeira da China de “A+” para “A”, nesta quinta-feira (3). A agência global de recomendação de risco citou as expectativas de um enfraquecimento contínuo das finanças públicas e o rápido aumento da dívida.
O rebaixamento vem um dia depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou novas tarifas sobre as importações de parceiros comerciais, sendo a China um dos países mais afetados, com taxas de 34%.
Porém, a Fitch afirmou que essa medida ainda não havia sido incorporada às suas previsões.
“O rebaixamento reflete nossas expectativas de um enfraquecimento contínuo das finanças públicas da China e uma trajetória de rápido aumento da dívida pública durante a transição econômica do país”, disse a Fitch em um comunicado.
“Esperamos que a relação dívida pública/PIB continue sua tendência de alta acentuada nos próximos anos, impulsionada por esses déficits elevados, pela cristalização contínua de passivos contingentes e pelo crescimento moderado do PIB nominal”, prosseguiu a agência.
A expectativa da Fitch é que o déficit do governo da China aumente para 8,4% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025, de 6,5% em 2024.