Guerra comercial

China diz que o ‘mercado falou’ após abalo causado pelo tarifaço

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que o !ataque comercial dos EUA” foi “não provocado e injustificado”

Foto: China e EUA / CanvaPro
Foto: China e EUA / CanvaPro

Depois de uma sessão de forte abalo nos índices acionários ao redor do mundo na sexta-feira (4), em reação à guerra comercial iniciada com o tarifaço de Donald Trump e retalhada pela China, o governo chinês disse neste sábado (5) que “o mercado falou”. 

Em uma publicação no Facebook neste sábado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que o !ataque comercial dos EUA” foi “não provocado e injustificado”.

“Agora é a hora de os EUA pararem de fazer as coisas erradas e resolverem as diferenças com os parceiros comerciais por meio de consultas equitativas”, escreveu Guo, segundo o “InfoMoney”.

Os EUA impuseram uma nova tarifa de 34% sobre os produtos importados da China ao seu território, elevando o imposto médio total sobre os produtos chineses para cerca de 70%, de acordo com economistas.

Em respostas, na sexta-feira a China anunciou uma série de ações retaliatórias, com medidas que incluíram uma tarifa recíproca de 34% sobre os produtos americanos importados, bem como controles de exportação a sete categorias de itens relacionados a terras raras e a inclusão de 11 empresas dos EUA à “lista de entidades não confiáveis”.

Brasil é favorecido por retaliação de China aos EUA

Depois das novas imposições de tarifas dos EUA sobre a China, o país asiático decidiu retaliar com taxas na mesma proporção (34%) nesta sexta-feira (4). Com o movimento, espera-se que Pequim acelere a procura por fornecedores alternativos de produtos agrícolas, incluindo o Brasil, uma mudança que começou durante a guerra comercial do primeiro mandato do presidente Donald Trump (2017 – 2021).

A China revelou uma série de contramedidas, incluindo tarifas adicionais de 34% sobre todos os produtos dos EUA. Essas medidas se juntam às tarifas de 10% a 15% que já eram aplicadas sobre cerca de US$ 21 bilhões em comércio agrícola no início de março.

“É como fechar todas as importações agrícolas dos EUA. Não temos certeza se alguma importação será viável com a tarifa de 34%”, disse um trader de uma empresa de comércio internacional com sede em Cingapura, segundo a “Reuters”.

“O principal impacto será em produtos como soja e sorgo. Não será tanto sobre o trigo e o milho, já que a China não tem comprado muito trigo e milho dos EUA este ano”, acrescentou o trader.

Além disso, um comerciante de grãos europeu afirmou que a UE (União Europeia), que também tem promessas de retaliação às tarifas de Trump, provavelmente também aplicará tarifas sobre a soja dos EUA.

Com as tarifas impostas em março, o afastamento das importações de soja dos EUA acelerou, com a China transferindo a demanda para o Brasil. A abundância da safra da commodity torna o País propício para entregar um aumento recorde de importações para a China no segundo trimestre.

“O Brasil será de longe o principal beneficiário, o maior fornecedor que pode substituir a soja dos EUA para a China. Mas outros também poderão se beneficiar, inclusive a Argentina e o Paraguai. Com relação ao trigo, a Austrália e a Argentina devem se beneficiar”, disse Carlos Mera, chefe de Pesquisa de Mercado Agrícola do Rabobank, de acordo com a “Reuters”.