
Em uma reviravolta surpreendente, o governo Trump divulgou novas diretrizes alimentares nesta quarta-feira (7). A mudança inverte a pirâmide alimentar tradicional. Portanto, bife, queijo e leite integral agora ficam perto do topo.
As novas recomendações pedem que os americanos priorizem as proteínas. Além disso, devem evitar alimentos processados e ricos em açúcar. Segundo Robert F. Kennedy Jr., secretário de saúde dos EUA, esses produtos prejudicam a saúde.
“Comam comida de verdade”, diz Kennedy
“Minha mensagem é clara: comam comida de verdade”, afirmou Kennedy em coletiva de imprensa. Ele posicionou as diretrizes como chave para prevenir doenças crônicas. Consequentemente, espera melhorar a saúde dos americanos de forma geral.
Depois de anos evitando carne vermelha e alimentos gordurosos, os americanos agora são incentivados a adotá-los. O documento é bem mais curto que versões anteriores. Portanto, representa uma mudança radical nas orientações nutricionais oficiais.
Manteiga e sebo bovino recomendados
O texto codifica alguns argumentos frequentes de Kennedy. Por exemplo, recomenda cozinhar com manteiga e sebo bovino. Entretanto, as evidências científicas não comprovam sua eficácia para a saúde.
Em outros pontos, as diretrizes não se afastam muito das recomendações convencionais. Elas incentivam os americanos a comerem muitas frutas e verduras. Além disso, não dizem explicitamente que as pessoas devem consumir mais gorduras saturadas.
Silêncio sobre óleos vegetais
Kennedy prometeu “acabar com a guerra” contra as gorduras saturadas. Porém, as diretrizes não fazem menção direta aos óleos vegetais. Esse é um alvo frequente do secretário de saúde.
Kennedy repetidamente afirmou, sem provas, que óleos vegetais prejudicam a saúde. Entretanto, o documento final não aborda diretamente essa questão. Portanto, deixa margem para interpretações.
Apoio dividido da comunidade médica
A Associação Médica Americana endossou as diretrizes. Curiosamente, esse mesmo grupo condenou veementemente a mudança drástica no calendário de vacinação infantil. A medida também foi promovida por Kennedy.
Na coletiva, Kennedy agradeceu à Academia Americana de Pediatria pela parceria. Ironicamente, essa organização está processando Kennedy por suas alterações na política de vacinação. Portanto, a situação mostra divisões na comunidade médica.
A Associação Americana do Coração emitiu declaração morna de apoio. Expressou preocupação de que as diretrizes levem ao consumo excessivo de gordura saturada. Além disso, alertou sobre riscos do excesso de sódio.
Impacto em programas federais
As diretrizes são publicadas pelos departamentos de Saúde e Agricultura dos EUA. Elas influenciam os alimentos servidos em escolas, hospitais, prisões e bases militares. Além disso, afetam programas de assistência federal.
Consequentemente, milhões de americanos sentirão o impacto dessas mudanças. As diretrizes são atualizadas a cada cinco anos. Portanto, raramente sofrem alterações tão substanciais como agora.
Proteína em foco: 50% a 100% mais
As diretrizes enfatizam a proteína. A maioria dos americanos já consome quantidade suficiente. Mesmo assim, as recomendações sugerem de 1,2 a 1,6 gramas por quilograma de peso corporal por dia.
Isso representa de 50% a 100% a mais do que recomendações anteriores. Autoridades federais sugeriam antes 0,8 gramas por quilograma. Portanto, a mudança é significativa.
Não há evidências sólidas de que todos precisem dessa quantidade. Entretanto, muitos especialistas já recomendam quantidades semelhantes para quem quer perder peso. Também para praticantes de musculação que buscam ganhar massa muscular.
Fontes de proteína: animais versus vegetais
As diretrizes afirmam que as pessoas podem obter proteínas de fontes animais. Entre elas: carne vermelha, aves, frutos do mar, ovos e laticínios. Também de fontes vegetais como leguminosas, nozes, sementes e soja.
Pesquisas sugerem que obter mais proteínas de fontes vegetais reduz riscos cardiovasculares. Além disso, diminui chances de morte prematura. Porém, as novas diretrizes não incentivam especialmente o consumo de proteínas vegetais.
Guerra declarada ao açúcar
O documento adota postura rigorosa em relação aos açúcares adicionados. Aconselha as pessoas a evitarem bebidas açucaradas. Além disso, recomenda limitar outras fontes de açúcar.
As diretrizes recomendam que crianças não comecem a consumir açúcares adicionados antes dos 10 anos. Isso é bem mais tarde que diretrizes anteriores, que sugeriam evitar até os 2 anos. Portanto, a mudança é radical.
Carboidratos refinados na mira
As novas orientações recomendam redução significativa no consumo de carboidratos refinados altamente processados. São definidos como pão branco, tortillas de farinha e biscoitos salgados.
Kennedy há muito tempo condena os alimentos ultraprocessados. Esses produtos têm sido associados a obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas. Consequentemente, viraram alvo prioritário das novas diretrizes.
Álcool: orientação vaga
Em relação ao álcool, as diretrizes são vagas. Recomendam que as pessoas consumam “menos”. Porém, não oferecem orientações concretas sobre o que isso significa.
Diretrizes anteriores recomendavam que homens não consumissem mais de duas bebidas por dia. Mulheres não deveriam passar de uma. Agora, a falta de clareza pode gerar confusão. Portanto, especialistas criticam essa imprecisão.
Impacto global
Embora sejam diretrizes americanas, elas tendem a influenciar outros países. O Brasil frequentemente observa recomendações dos EUA. Consequentemente, mudanças lá podem gerar debates aqui.
Especialistas brasileiros devem analisar criticamente essas orientações. Afinal, o contexto alimentar e cultural do Brasil difere significativamente dos Estados Unidos. Portanto, adaptações seriam necessárias.