INPC

Inflação: alimentos pressionam os mais pobres em 2024

A inflação, medida pelo INPC, cresceu de 0,57% para 0,81% entre janeiro e fevereiro de 2024, a maior taxa mensal desde abril de 2022.

Foto: Freepik
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O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) fechou 2023 no nível mais baixo em cinco anos para famílias de baixa renda. Agora, especialistas esperam que em 2024 a inflação venha acima do registrado no ano anterior.

Os alimentos estão mais caros em 2024 por conta da menor oferta devido a problemas climáticos. No ano passado, os alimentos mais baratos foram responsáveis pela redução da inflação apontada pelo indicador.

O INPC registrou, em 2023, o crescimento de 3,17%, a menor taxa desde 2018, quando recuou 3,43%.

Já em 2024, o indicador cresceu de 0,57% para 0,81% entre janeiro e fevereiro, chegando à maior taxa mensal desde abril de 2022, quando computou alta de 1,04%. Com a elevação, o INPC em 12 meses chegou a 3,86%, o maior apresentado desde outubro do ano anterior.

O economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, aponta que há diversos sinais de que o indicador deve acelerar este ano. Além disso, ele não descarta a possibilidade do INPC encerrar 2024 superior ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

“A nossa projeção é de IPCA a 4% e de INPC em torno de 4,10% e 4,20%”, disse Leal, de acordo com o “Valor”.

No mesmo sentido, André Braz, economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), sinaliza a inflação mais pressionada entre as famílias de baixa renda.

“A variação no preço dos alimentos é a mesma para todos. Mas os mais pobres sentem mais [em suas despesas] devido ao peso no orçamento”, pontuou Braz.

A pesquisadora do Ipe, Maria Andreai Parente Lameiras, afirma que “um quarto da cesta dos mais pobres é [para a compra de] alimentos”. Ela também acrescenta que “os alimentos acabam direcionando a inflação entre os mais pobres, ou para cima ou para baixo”.

Problemas climáticos, decorrentes do El Niño no final de 2023, e a possibilidade do impacto da La Niña em meados de 2024, afetam os preços dos alimentos. Além disso, para este ano, a perspectiva é de safras menores, detalha a pesquisadora.

Campos Neto: meta de inflação caminha “dentro do estipulado”

O presidente do BC (Banco Central)Roberto Campos Neto, disse, durante apresentação do RTI (Relatório Trimestral de Inflação) na quinta-feira (28), que o caminho para alcançar a meta da inflação está “dentro do estipulado” pelo Governo Federal.

Campos Neto ressaltou ainda que o objetivo é levar a inflação até a meta com “o mínimo de custos para a sociedade e em termos de “crescimento, desemprego e retração de crédito”.

“Quando a gente olha para o que foi feito no último um ano e meio, o Brasil está fazendo a inflação convergir, ainda que a última milha seja mais dolorida. O BC promoveu um processo de convergência a um custo muito baixo”, afirmou.

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