inflação
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O CPI dos EUA (índice de preços ao consumidor) registrou alta de 0,3% em dezembro e avançou 2,7% em 12 meses. Os números vieram em linha com o que economistas projetavam.

O dado, divulgado nesta terça-feira (13) pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), também veio acompanhado de uma leitura de núcleo. Esta exclui alimentos e energia, de 0,2% no mês e 2,6% em 12 meses.

A leitura reforçou o cenário-base do mercado para a próxima reunião do Federal Reserve (Fed), marcada para 27 e 28 de janeiro. A expectativa é de manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%.

O número cheio do CPI dos EUA repetiu o ritmo anual observado em novembro (2,7%). Enquanto isso, o avanço mensal de 0,3% devolveu parte do movimento que havia sido “atenuado” por ruídos estatísticos no mês anterior.

Dessa forma, as distorções tiveram relação com a paralisação do governo, que dificultou a coleta de preços e levou o BLS a usar métodos de imputação, com impacto maior em itens ligados a aluguéis.

Núcleo do CPI: por que o mercado olha essa métrica

Ao excluir itens com maior volatilidade (alimentos e energia), o núcleo do CPI tende a funcionar como um termômetro mais usado para leitura de tendência. Em dezembro, o núcleo subiu 0,2% na margem e ficou em 2,6% em 12 meses.

Na leitura do mercado, esse resultado ajuda a calibrar a discussão sobre ritmo de desinflação e, por consequência, a trajetória de juros.

Fed e juros nos EUA: o que o dado muda

Embora o Fed tenha como referência principal o índice de preços PCE para perseguir a meta de inflação de 2%, o CPI dos EUA costuma mexer com preços de ativos no curto prazo, especialmente por influenciar expectativas sobre a política monetária.

Com o dado de dezembro, o cenário de pausa ganha corpo, ainda mais após indicadores recentes do mercado de trabalho manterem a economia em atividade, mas sem sinal de reaceleração forte.

Impacto no mercado: Treasuries, dólar e bolsas

Na análise enviada ao BP Money, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destacou que o dado “tirou ruído” das projeções e abriu espaço para ajuste de preços em vários mercados.

“O CPI dos Estados Unidos veio em linha com as projeções, com alta de 0,3% no mês e 2,7% em 12 meses”, afirmou Shahini. Segundo ele, “o núcleo mostrou leitura mais controlada, avançando 0,2% na margem e 2,6% na comparação anual”.

O especialista também apontou a reação imediata dos ativos. “A divulgação sustentou a recuperação dos índices futuros de Nova York, que passaram a operar em alta”, destaca.

Além disso, ele observou que “os juros dos Treasuries recuaram ao longo da curva”, enquanto “o dólar passou a ser negociado próximo às mínimas do dia”, acompanhando o alívio nas taxas.

Na prática, o mercado leu o conjunto como confirmação de um quadro inflacionário sem piora na margem. Portanto, isso que reduz a necessidade de mudanças na taxa básica no curto prazo.

O “efeito paralisação” e a leitura de novembro

Um ponto que ganhou destaque nos bastidores do relatório foi a forma como a paralisação do governo afetou a construção do CPI em meses anteriores.

Em suma, a falta de coleta para parte do período levou o BLS a recorrer a um método de “carry-forward” para estimar componentes, sobretudo ligados a aluguéis, o que interferiu na comparação mensal e na interpretação do dado de novembro.