
O núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), divulgado nesta quinta-feira (22), veio em linha com as expectativas dos analistas.
Entretanto, as revisões para baixo em meses anteriores chamaram atenção. Dessa forma, a inflação anual apresenta trajetória de desaceleração mais acentuada.
Cenário favorável para final de ano
Segundo Andressa Durão, economista do ASA, o dado de dezembro será decisivo. “A inflação pode terminar o ano de 2025 abaixo do que o Federal Reserve projetava”, afirma.
As revisões para baixo reduziram a pressão inflacionária acumulada. Consequentemente, isso muda a perspectiva para as próximas decisões do banco central americano.
Fed inicia 2026 com números melhores
O Federal Reserve chegará à primeira reunião do ano com cenário mais favorável. Tanto a inflação quanto o desemprego apresentam números menores que o previsto anteriormente.
“Esperamos uma manutenção da taxa de juros nos EUA ao longo de 2026”, projeta Durão. Portanto, o mercado não deve ver cortes significativos na taxa básica americana.
O que significa o PCE
O PCE é um dos dados de inflação mais importantes para os mercados globais. Afinal, ele ajuda a definir o rumo dos juros nos Estados Unidos.
Atualmente, os juros americanos funcionam como principal âncora para os mercados mundiais. Assim, qualquer mudança nas expectativas gera impactos significativos.
Impactos para investidores
Quando a inflação americana supera expectativas, os investidores ajustam suas estratégias. Eles passam a apostar que o Fed manterá os juros elevados por mais tempo.
Na prática, isso afeta diversos ativos. Primeiro, as taxas dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) tendem a subir. Além disso, o dólar se fortalece frente a outras moedas, como o real.
Reflexos no mercado brasileiro
Dados de inflação mais altos geralmente pressionam ativos de risco. Ações e moedas de países emergentes sofrem, pois investimentos americanos ficam mais atraentes.
Para o Brasil, um dólar mais forte aumenta o receio da inflação importada. Isso encarece produtos e insumos vindos do exterior.
Consequentemente, dificulta o trabalho do Banco Central. Também reduz o espaço para possíveis cortes na Selic.
Por outro lado, um PCE em linha com expectativas mantém o cenário previsto. Portanto, não altera, por si só, as apostas para os juros nos EUA.
Com as revisões para baixo e perspectiva de inflação menor, o mercado ganha previsibilidade. Isso oferece ambiente mais estável para planejamento de investimentos ao longo de 2026.