
O Ibovespa passou a refletir, a partir de quarta-feira (2), a incerteza dos investidores diante de um cenário geopolítico que beira uma guerra comercial em larga escala. Com os eventos recentes, as previsões internacionais precisarão ser revisadas — inclusive as do Fed (Federal Reserve), que ficará atento aos indicadores econômicos a serem divulgados na semana entre os dias 6 e 12 de abril.
O presidente dos EUA, Donald Trump, foi o primeiro a “realizar o ataque inicial”, com a imposição das chamadas “tarifas recíprocas” sobre países que exportam para os EUA. As taxações variaram entre 10% e 49%.
Após o anúncio, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que “era muito cedo” para definir o rumo da política monetária. Embora o discurso seja semelhante ao de outros pronunciamentos, desta vez o peso das palavras é maior, considerando que até o JPMorgan agora vê 60% de chance de recessão nos EUA.
Diante desse cenário, os indicadores econômicos ganharam mais espaço na mesa de discussões do Fed.
Entre os dados a serem divulgados na semana estão os índices de preços ao consumidor do Brasil, dos EUA e da China. Além disso, também serão publicados números de atividades relacionadas ao varejo e serviços da economia brasileira, bem como o IBC-Br — a prévia do PIB (Produto Interno Bruto).
Diferentemente do cenário externo, os dados nacionais devem preparar o terreno para um possível afrouxamento da política monetária, ou seja, há chances de antecipação do fim do ciclo de altas da Selic (taxa básica de juros), especialmente se o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março vier, ao menos, em linha com as expectativas do mercado.
“Os dados de desaceleração e de queda do preço do petróleo não devem levar o Copom a descumprir o guidance de ao menos mais uma alta da taxa de juros na próxima reunião, em maio. Porém, podem levá-lo a indicar o fim do ciclo de alta nesta ou na reunião seguinte”, comentou Leandro Manzoni, analista de economia do Investing.
Mercado entre 30 de março e 5 de abril é marcada por tensões envolvendo guerra comercial
A semana trouxe à tona tensões ligadas à guerra comercial iniciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. As famosas “tarifas recíprocas” geraram incertezas econômicas globais, deixando os mercados cautelosos e provocando quedas em diversos índices.
O tarifaço causou reações negativas tanto dos mercados quanto dos países afetados. Além disso, diante do cenário incerto e da possibilidade de uma recessão iminente, o Fed precisou colocar o “pé no freio” em relação às suas movimentações. O presidente da autarquia, Jerome Powell, chegou a afirmar que as tarifas de Trump devem elevar a inflação e reduzir o crescimento econômico dos EUA.
Com a taxação, alguns países foram mais afetados que outros. A China — o tradicional “pé de guerra” dos EUA — foi taxada em 54%. Em resposta, o país asiático anunciou tarifas de 34% sobre produtos norte-americanos. O movimento fez o petróleo recuar cerca de 7%, com receios se espalhando pelos mercados.
O Brasil, até o momento, não foi tão afetado. A tarifa imposta sobre os produtos brasileiros foi de 10%. Mesmo com um percentual menor que o aplicado a outros países, o Ibovespa sentiu os efeitos da medida no dia em que foi anunciada, na quarta-feira (2), e nos pregões seguintes. O Brasil exporta cerca de US$ 40 milhões aos EUA anualmente.
Além disso, indicadores econômicos norte-americanos também não aliviaram a pressão sobre o Fed. O relatório JOLTS apontou queda no número de vagas abertas, de 7,8 milhões em janeiro para 7,6 milhões em fevereiro, sinalizando uma leve desaceleração na demanda por trabalho. Já o payroll, relatório do mercado de trabalho, registrou a criação de 228 mil vagas de emprego.
“O cenário pode se deteriorar diante do novo movimento protecionista de Trump. A imposição de tarifas de 10% para produtos importados de países como Brasil, Argentina, Colômbia e Peru — sob a justificativa de ‘reciprocidade’ — reacende temores de uma guerra comercial em larga escala”, comentou Theo Braga, CEO da SME New Economy.
Ibovespa na semana
- Segunda-feira (31): -1,25%
- Terça-feira (1º): +0,68%
- Quarta-feira (2): +0,03%
- Quinta-feira (3): -0,04%
- Sexta-feira (4): -2,96%
- Semana: -3,52%